Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Emoji para todos

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As figurinhas que começaram a ser utilizadas na década de noventa para a comunicação virtual se tornaram mania universal. São chamadas “emojis”, resultado da junção de duas palavras em japonês: imagem + personagem. Tão difundido o seu uso que o Oxford English Dictionary, em 2015, escolheu o emoji como a palavra do ano.

Já não se cuida de um ornamento nos e-mails, whatsApps ou qualquer outra mensagem digital. Tornou-se tema universitário, pois os linguistas discutem o seu papel na evolução das vias comunicacionais. São considerados elementos da “para-linguagem”, ou seja, tudo aquilo que se usa junto à palavra, para conferir a ela um significado singular. O verbete não pode refletir o humor, a entonação, a expressão facial, o modo de olhar, a linguagem corporal. Por isso, é que a função para-linguística do emoji é cada dia mais importante.

O contexto cultural é que definirá o uso do emoji e a expectativa de recepção dele por parte do destinatário. Ele é capaz de alterar a significação de uma frase que, sem ele, adquiriria apenas o sentido literal, gramatical e formal.

Há um livro, “A História do Emoji”, de Gavin Lucas, falando sobre o seu surgimento, sua incorporação aos celulares pelo engenheiro japonês Shigetaka Kurita, até a criação de um consórcio, o Unicode, que funciona como órgão regulador e monitora todas as novas criações. Já existem mais de 800 nas versões novas dos smartphones. E também se traduziu uma versão do “Moby Dick”, livro clássico de Herman Melville, tudo em emoji!

Como tudo tem vários lados, o uso do emoji já chegou aos Tribunais. A mensagem de uma aluna foi considerada ameaça a uma escola na Virgínia e o Judiciário agora analisa se ela de fato praticaria um atentado contra o estabelecimento. Também se registraram casos de ameaça perpetrada mediante o uso de emoji em Nova York e em Michigan.

A utilização dos emojis é irreversível, pois ele traduz algo que descreveríamos com o uso de muitas palavras e enorme dispêndio de tempo, elemento precioso em nossos dias. É um fator que insere emoção, sensação, sentimento àquilo que se escreve e isso não é de ser desprezado. Mas não pode substituir a palavra escrita e falada, que é a típica, natural e espontânea forma de expressão da espécie humana.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 16/06/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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