Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Não me convenço

3 Comentários

Não consigo me convencer de que a liberalização da droga será um passo adiante na reconquista de estágio civilizatório pelo qual já passamos e do qual estamos nos afastando, em nefasto retrocesso. Sei que há argumentos favoráveis, sobretudo de ordem econômica. Sem a proibição, desapareceria o traficante. A aquisição seria livre. O intermediário seria reconhecido pelo governo. Também reconheço que recentes experiências dão conta de que o consumo não aumentou depois que a aquisição para uso próprio foi permitida.

A experiência pessoal, notadamente ao julgar traficantes e, antigamente, até usuários, é a de que o consumidor de droga é um fraco. Alguém que não consegue encontrar em sua vida uma perspectiva mais consistente do que fugir à realidade. Sei de pessoas que nasceram em lares privilegiados, considerada a miséria brasileira. Mas enveredaram pela droga e preferiram desfazer a família, fornecer péssimo exemplo aos filhos, abandonar-se a um consumo irresponsável e por em risco a própria saúde – física e mental – a abandonar o vício.

Visitar a Cracolândia é um bom exercício para quem acredita que a droga faz bem. Ou, ao menos, que não faz tanto mal assim. Para aqueles que dizem que podem parar no momento em que quiserem. Que não correm o risco de se perder, de abandonar hábitos saudáveis, de se desleixar na higiene e na aparência, de abdicar à opção pela vida digna.
Lamentavelmente, o que tenho visto é a droga representar um flagelo para as famílias, ser um componente importante na história da dissolução dos lares, embora tanto os viciados como seus pais procurem argumentar com outras causas. Estas seriam enfrentadas e resolvidas sem o desfazimento do lar, não fora o terrível papel que a droga exerce nas mentes fracas e, infelizmente, condenadas à eterna insatisfação, ou seja, à permanente infelicidade. Mas não tenho o monopólio da verdade. Nunca me recuso a ouvir aqueles que defendem o inofensivo uso da maconha. A porta de entrada para outros usos nem tão inofensivos.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 23/06/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Não me convenço

  1. Se DROGA fosse bom não seria chamada assim. Aliás, vivemos o tempo das drogas lícitas e ilícitas, haja vista a quantidade de políticos sem vergonha e corruptos que inundam o cenário político nacional. São todos drogas que precisamos engolir, goela abaixo, sem água. E isso em qualquer esfera seja municipal, estadual e federal. Inacreditável como esse pessoal se amarra aos cargos e não sai de jeito nenhum porque perder a “boquinha” das propinas pode significar morte certa. Droga, meu amigo, é o país que vivemos hoje onde a Sociedade NÃO TEM qualquer veículo que lhe permita arrancar das tetas do Estado os que a roubam e a destratam diariamente. Droga é ter que ouvir político dizer que não sabia de nada. Droga é ter que ouvir defensor de corrupto dizer que “sempre foi assim” justificando o injustificável. Droga é precisar da Justiça e receber má vontade, displicência e procrastinação de resultados apenas porque somos cidadãos comuns e não “poderosos”. Droga é viver no Brasil e não ter perspectiva de solução para nossos problemas enquanto o câncer que mina nossa paciência não for extirpado. E, finalmente, droga é escrever esse comentário e saber que vai ficar engavetado na nuvem, sem resultado prático.

  2. Para quem se propõe a assumir um cargo no legislativo este é um dos temas mais desafiadores e espinhosos embora não possa ser visto em privilégios de outros temas graves como a previdência, a segurança, a educação. Mas o certo é que, da forma como está, girando a problemática do usuário em torno de critérios políticos ou policialescos esta interfere em todas as outras criando um fenômeno da reverberação de um problema insolúvel da busca de um culpado. No momento, para que não se pule etapas eu o tenho: A arcaica e contraditória lei das drogas que como se sabe coloca o usuário e o traficante (de diversas escalas do empreendimento ilegal) no mesmo patamar com ressalva as dosimetrias distintas e as drogas, todas elas, licitas e industrializadas e ilícitas na mesma forma de tipificação, mas para mim, considerando-se a cúpula da inteligência da policia que saberá definir qual é qual, com relação ao usuário e mesmo a certas drogas industrializadas, são problemas privativos da medicina… Mas tenho certeza de que, especificamente no caso da maconha, entorpecente leve e proveniente da natureza, com certos compostos destinados inclusive a medicação, não me parece moral ou totalmente licito que sua comercialização seja referendada pelo estado uma vez que, exatamente por se tratar de uma droga eventual e na maioria dos casos de baixo nível de dependência e consumo, possa-se plantar em casa. Já a cocaína, crack e outros que causam forte dependência é evidente o porque da sua proibição, mas jamais e deveria ser mesmo proibido aos agentes do estado que utilize-se da persecução contra estes jovens ou usuários…

  3. Concordo plenamente Sr. Secretário.

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