Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Impressões russas

6 Comentários

Passei uma semana em Moscou. Viagem de trabalho, para aproximar, na área da educação, dois países do grupo BRICS – Brasil, Rússia, India, China, Coréia -que têm algo a mais em comum. Com efeito, são países continentais, têm população superior a cem milhões de habitantes, muitas etnias e PIB semelhante. Enfrentam, inclusive, problemas econômicos análogos. Nações com futuro promissor nas parcerias. Tudo as aproxima, nada as separa, a despeito da distância geográfica.

Como conhecer um povo com história tão rica e exuberante? O contato com a literatura, desde Tolstoi, Dostoievsky, Checov e Gorki, os relatos de minha saudosa confreira Tatiana Belinky, a música de Tchaikovsky, tudo insuficiente não fora a permanência na capital de todas as Rússias e o contato intenso com os nossos anfitriões.

Confesso a minha grata surpresa. Civilidade, limpeza, respeito, ordem e disciplina espontânea. Nenhum papel jogado ao chão. Nenhuma pichação. O rio Moscou piscoso, com patos selvagens nadando e barcos melhores do que os velhos “BateauMouche” do Sena. Pontes decoradas com flores naturais. Ruas de pedestres ornamentadas. Música e juventude muito contente, no convívio com a terceira e quarta idades. Muitas crianças carinhosamente levadas por seus pais.

Parques imensos, todos bem cuidados. Funcionários moços, orgulhosamente substituindo os vasos de vegetação natural que inundam passeios, todos eles muito largos, decorando a cidade para receber milhões de turistas. De todos os lugares, mas principalmente da China. É comum que os agentes de viagem recebam notícias como: “Um grupo de chineses visitará Moscou e São Petersburgo!” “Quantos são?” E a resposta já não causa estupefação: “Um milhão e duzentos mil!”

Ninguém mora na rua. Não há gritaria. Nem buzina. Os carros Mercedes competem com os Ferrari, num trânsito que flui, embora intenso. Os semáforos são obedecidos, haja ou não a aproximação de veículos. Todas as enormes avenidas estão sendo reformadas, fiação enterrada, juntamente com a restauração das fachadas. E, principalmente, o orgulho de ser russo. O sentido de pertencimento. A noção de responsabilidade em relação à Pátria, com gratidão por seu passado e confiança em seu futuro.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 30/06/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

6 pensamentos sobre “Impressões russas

  1. Texto muito bonito. Visão culta e atual da velha Russia.

  2. Lembrando que foi no nosso Brasil e não em seu País de origem,
    que a russa Tatiana Belinky teve seus talentos reconhecidos.

  3. A despeito de tudo e de todos acidentes historicos que os Russos passaram, uma liçao eles podem dar de graça e aos montes, a liçao de naçao para nos, brasileiros, que nos vlangloriamos tanto, com o nosso caldo cultural, mas de que adianta tanta alegria de pluralidade se nao somos capazes, nem de fazer o basico, estragamos nossos rios, jogamos lixo no vizinho, e rimos de nos mesmos.
    Triste eh a “naçao” que se contenta em rir de si mesma, seria o minimo, sem ele, seria melhor, cairiamos em si.
    Salve quem propoe, a nos refletir e refletirmo nos, salve os que buscam conhecer a si e ao proximo, para uma convivencia mais humana e bem educada. Att.FABalthazar.

  4. Após uma viagem como estas, curiosamente, pensamos, no achamamento da resposta para o fato de nosso povo, ser tão arredio, quanto ao tratamento daquilo que é público.

  5. No ano que vem, precisamente, em outubro, alguns que ainda acreditam no Comunismo, no Estado Centralizador, no partido unico, terao a oportunidade historica de comemorar o centenario da revoluçao bolchevik.
    Um bom momento, este, para um amplo debate sobre as conquistas para humanidade como experiencia a qual a naçao russa viveu, e ninguem melhor que eles, protagonistas do outubro vermelho para darem o seu testemunho do legado, das liçoes, dos erros e acertos, das razoes historicas, em fim, todos desejam saber se sera so experiencias e equivocos, ou houve avanços para a naçao, a despeito de todas as restriçoes as liberdades, em relaçao a um naçao, depois todo o processo, mais humana, ausencia de miseria, extremos de pobreza por um custo alto as restriçoes dos seus direito individuais e liberdade de expressao. Gostaria de ouvi-los, um balanço geral do que foi 1917 ate a queda do muro de Berlim, 1989. Espero o reconhecimento de erros e acertos.

  6. Bem, no Brasil é o oposto! Um povo que nada respeita e que vandaliza e depreda tudo é o retrato da absoluta incivilidade! Perto de Russos, Japoneses e etc, somos primatas ainda paleolíticos. Reclamamos de governos corruptos e ladrões, mas esta gente faz com o Brasil o que o brasileiro comum faz com sua calçada, sua praça e com o quintal do vizinho. Merecemos os governantes que temos!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s