Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A magia da escrita

3 Comentários

Quem escreve liberta os fantasmas que estão no sótão da consciência. A sensação de desconforto, de indescritível mal-estar, de angústia ou de desesperança desaparece quando a gente se propõe a exteriorizar o sentimento. Assim tem sido desde que a humanidade começou a se servir desse instrumento de libertação que é a escrita. A verbalização convertida em sinais de comunicação entre ausentes é mágica. Produz na mente alheia uma estrada para a percepção. Penetra-se na consciência de quem se conhece, de quem se pensa conhecer e de quem não se tem ideia alguma de chegar a conhecer. Com a transformação dos próprios sentimentos e compreensões, pois toda leitura provoca mudança no leitor.

Ninguém precisa ser um Machado de Assis ou uma Lygia Fagundes Telles para escrever. Carolina de Jesus fez sucesso com o seu “Quarto de Despejo”. Era pobre, afro e pouco letrada. Mas transmitiu emoções que se comparam a Cora Coralina, a doce goiana que nos legou lindas páginas de ingênuo lirismo e profunda filosofia. É confortador verificar que a leitura atinge todos os espaços.

Há uma explosão de movimentos voltados a estimular quem escreve e quem lê o que é escrito. Fausto Salvadori – fausto@camara.sp.gov.br – em reportagem “Para ler o mundo”, na revista “Apartes”, da Câmara Municipal de São Paulo, fala em Thayaneddy Alves, que escreveu “Entre Reticências”, por um selo original, chamado “Academia Periférica de Letras”. Gilmar Ribeiro Santos, o “Casulo”, escreve desde os 15 anos e virou escritor ao conhecer o Sarau da Cooperifa, organizado pelo poeta Sérgio Vaz. Seu primeiro livro, “Dos olhos pra fora mora a liberdade”, foi publicado pela Filo-Czar, editora-biblioteca-livraria, que funciona na casa do dono, Cesar Mendes da Costa, no Parque Santo Antonio, zona sul da capital.

A partir dessas experiências a Câmara Municipal criou o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca, destinado a incentivar à leitura. Pois 52,4% dos paulistanos nunca leram ou pouco leem livros. E o Indicador de Analfabetismo Funcional – Inaf, do Instituto Paulo Montenegro e da ONG Ação Educativa, mostra que 27% das pessoas entre 15 e 64 anos são analfabetas funcionais. Ou seja: incapazes de interpretar textos simples ou de entender um gráfico. O que você pode fazer para melhorar esses índices?

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 03/07/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “A magia da escrita

  1. As reflexões primeiras que emergem deste seu texto:

    O que os nossos Edis estão lendo no momento?
    O que já leram durante este 2016?
    Quais mídias tem publicado o que escrevem e
    Quais seus assuntos prediletos?

    É preciso que aqueles que fazem as leis vivam sob o efeito
    destas mesmas leis.

  2. Eu vou direto ao assunto.
    A maioria dos brasileiros leem e escrevem menos ainda unica e exclusivamente pela carga de trabalho a que sao impostos para o sustento da familia. Pesquisem e verao que as mulheres e as crianças, assim como quem ja se aposentou estao mais predispostos a ler e aprenderem a escrever. Quando falo de carga de trabalho e com maioria sem carteira assinada, ou seja. os milhoes de trabalhadores no comercio, nos transportes, na agricultura e na industria que expostos a cargas de trabalho intensas estao exauridos ao chegarem em suas casas e com poucas horas de sono, teem que partir muitas vezes as 4:00 hs da madrugada.
    Eu fico aqui a pensar como alguem exposto a tal rotina de trabalho, em pequenos intervalos escreveria e leria? So um auto didata destemido e esforçado, determinado, suportaria ultrapassar essa fronteira.
    Os exames para concurso, por exemplo, sao o estimulo para o lutador auto didata suplantar suas limitaçoes e quem sabe conquistar um cargo publico que lhe traria estabilidade para vir a ser um escritor e leitor assiduo.
    As crianças, as maes, e os aposentados, basta darem um primeiro passo na direçao da leitura e se quizerem, a leitura ajuda, dividiriam experiencias atraves do ato de escrever. Escrever, alias, e um ato de perda de timidez e uma auto descoberta de como somos ricos de experiencia e nao sabemos expressar porque como disse. escrever e exteriorizar, e ler e interiorizar experiencia.
    O brasileiro, quem sabe um dia, quando descobrir todo esse potencial reprimido, ira sair deste ostracismo de anafabeto funcional,
    e descobrira um mundo interior e exterior proprio que elevara em muito sua auto estima e dara ao mundo uma contribuiçao cultural de valor imensuravel.
    Escrevendo e lendo como jogam futebol.

  3. Secretário, parabéns pela bela mensagem.

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