Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A destruidora de lares

1 comentário

A droga é uma questão de saúde. Mais de saúde mental do que de saúde física. Uma juventude que não se apega a valores, que não tem os freios da crença e que se acostumou a reger-se pela própria cabeça, influenciada por suas “tribos“, começa a usar maconha como se fora algo inofensivo.

Com o tempo, a maconha não é suficiente para o delírio. Já não satisfaz o fluido anseio de fuga à realidade, em busca de um estágio distanciado do vazio existencial de quem não tem conteúdo. Cocaína, crack, heroína, ecstasy e o que mais pintar.

As pessoas acostumadas a usar substância entorpecente não se consideram viciadas. Nem dependentes. Mas agem sob a influência dessas drogas que contaminam a consciência. Perdem noção da realidade. São várias “personas”, porque não querem admitir junto aos pais, aos maridos ou mulheres, às vezes aos próprios filhos – sim! eles têm filhos e não conseguem largar o vício – que precisariam de tratamento.

O culpado por qualquer infelicidade ou vicissitude – e quem se livra delas? – é sempre o outro. O outro que não teve força de reprimir o uso da droga, no que também errou. Mas que, no momento em que a mente estragada deflagra uma reação, passa a ser o algoz. Quantas famílias não estão destroçadas porque a droga, insidiosa e subrepticiamente, entrou e fez morada nas mentes frágeis, vulneráveis e que se tornam enfermas. Gravemente enfermas. Pois não querem enxergar que, sem o uso da droga, a realidade seria diferente. Saberiam compreender gestos aparentemente inexplicáveis de parceiros que, não sabendo o que fazer, também erram por não terem coragem de enfrentar com firmeza a dependência do cônjuge.

É muito triste constatar que a droga continua a se instalar em lares que, aparentemente, foram bafejados pela sorte. Lares privilegiados, de quem nunca passou fome. Mas não distingue entre ricos e pobres, letrados ou iletrados. Ela, qual mensageira da morte, vai ceifando cabeças, lares, penalizando crianças, desfazendo laços afetivos, semeando incerteza e melancolia. Descrença na humanidade, que parece um projeto falho. Será esse o miserável destino da espécie considerada racional?

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 07/07/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “A destruidora de lares

  1. Triste mas real. Parabéns Secretário.

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