Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Mapa de sensações

1 comentário

Educar os corações é mais importante do que inflar de informações a cabeça das crianças. É o que pensa o Dalai Lama, Tenzin Gyatso, hoje com 81 anos. A felicidade do planeta está no coração de cada ser humano. Enquanto cada qual e todos não encontrarem a paz, haverá conflitos, ressentimentos, desentendimentos, violência e amargura.

Foi há dois anos que o Dalai-Lama convocou o psicólogo Paul Ekman, de 82 anos, para tornar científica essa intuição budista. O cientista aceitou o desafio e elaborou o Atlas das Emoções. Ele permite que as pessoas identifiquem os estados mentais que provocam reações emotivas. São cinco grupos de emoções: alegria, raiva, medo, tristeza e nojo.

Paul Ekman sabe do que fala. Desde a década de 1960 ele faz pesquisa para confirmar a tese darwinista de que as emoções são comuns a todos os humanos, independentemente de qualquer outra conotação cultural, civilizatória ou étnica.
Isso significa que todos nos alegramos da mesma maneira, temos idêntica expressão facial. Franzimos a cara diante da sensação de nojo. O medo causa as mesmas reações.

Sabendo bem disso, o resto é treino de cada um de nós. Alegria pode ser deflagrada por orgulho, alívio, compaixão, prazer e empolgação. Os “gatilhos” da raiva são fúria, vontade de vingança, frustração e irritação. O medo causa nervosismo, pânico, ansiedade e horror. Tristeza traz desespero, infelicidade, desapontamento, sensação de perda e luto. Nojo é sinônimo de repulsa, aversão e desgosto.

Toda emoção gera consequências. Tanto positivas, como negativas. Administrá-las e domá-las é missão factível, a depender da firmeza de vontade com que se encare o desafio. Quando nos conhecemos bem, sabemos o que nos causa alegria ou tristeza, raiva ou medo, nojo ou desalento.

O importante é aprender a encarar as situações e extrair delas, já que são inevitáveis, as boas consequências. Isso é o que a rede pública estadual de educação já faz com o exitoso “Projeto de Vida”, que propicia ao educando conhecer-se melhor, para conhecer melhor os outros e para viver uma vida melhor.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 14/07/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Mapa de sensações

  1. Aproveitando o “gancho”, uma frase atribuída ao Dalai Lama diz: “Se todas as crianças de oito anos aprenderem meditação, nós eliminaremos a violência do mundo dentro de uma geração” .
    Como Secretário de Educação, se tivéssemos a oportunidade de proporcionar às crianças da rede pública meditação, preparando também os professores para essa prática coletiva, acredito que seria um divisor de águas em matéria de resultados, seja na concentração dos alunos, seja na capacidade de “acalmar” os ânimos.
    Estudei em escola pública na década de 80 e, sinceramente, quando tínhamos “Educação moral e cívica”, ainda que eu não entendesse muito bem, obviamente, até conceito de estado é difícil, muito me ajudou a perceber que amava o direito e me tornei advogada.
    Ainda que a meditação possa não fazer sentido a essas crianças, fato é que o ato de “sentar” (meditar, como o zen budismo atribui) será um aprendizado pelo qual poderão levar ao longo de suas vidas e, se tivermos êxito, poderemos ter muito meditadores que, desde cedo, começariam a aprender a ouvir e se ouvir e calar-se.
    Que o melhor aconteça.

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