Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Atualidade de Franco Montoro

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Momentos como os que o Brasil enfrenta nesta fase dramática servem também para celebrar melhores páginas. Uma das quais a passagem patriótica de ANDRÉ FRANCO MONTORO pela política nacional.

Nascido em 16.7.1916, se vivo fosse estaria a completar seu centenário. Mas continua presente qual modelo de homem público virtuoso, que não se corrompeu e guardou intacto o idealismo e o fervor cívico.

Bacharel das Arcadas em 1938, conciliou o Curso de Ciências Jurídicas e Sociais com Filosofia e Pedagogia. Afeiçoado às causas humanitárias, foi secretário-geral do Serviço Social da Secretaria da Justiça, docente universitário e procurador do Estado. Filiado ao PDC – Partido Democrata Cristão, foi vereador à Câmara de São Paulo, deputado estadual e deputado federal.

Estava em companhia de João Goulart, então vice-presidente, quando da visita à China, ocasião em que Jânio Quadros enunciou, em 25.8.1961. Foi ministro do Trabalho e Previdência Social de Jango, criou o salário-família, caiu com a queda de João Goulart, mas reelegeu-se deputado federal pelo MDB em 1966. Foi um dos cinco únicos senadores oposicionistas eleitos em 1970 e, em 1982, era o governador de São Paulo, responsável por uma das administrações mais democráticas que Piratininga já experimentou.

Sempre tive enorme admiração por Franco Montoro, casado com a jundiaiense Luci Pestana Silva Franco e pai de sete filhos. Ricardo, um deles, meu amigo, foi o responsável pela concessão da honrosa Cidadania Paulistana a este conterrâneo de sua mãe.

Montoro sempre me incentivou a participar de um contínuo processo de aperfeiçoamento da vida brasileira e me prestigiou em todas as oportunidades. Atendeu a convites para proferir palestras aos alunos de Direito da Faculdade Padre Anchieta, foi inaugurar a Feira da Amizade em 1982, pouco antes de se tornar governador. Depois de deixar o governo, continuou à frente do Instituto Jacques Maritain, instância adequada para o debate franco e consistente sobre os rumos do convívio fraterno e cristão, algo de que ainda carecemos. Talvez mais do que em tempos de antanho.

Sua obra é imperecível. Sua frase “ninguém mora na União nem no Estado. As pessoas moram no município” é uma das que mais repito, com imensa saudade do mestre e amigo.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 17/07/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Atualidade de Franco Montoro

  1. No ultimo ano de Montoro, 1985, iniciei minha carreira no Judiciario.
    Lembro-me que Montoro foi protagonista, em quanto Governador, da ideia de combater a fome incentivando espaços urbanos possiveis para ali tornarem canteiros de hortas. Era um homem publico voltado para iniciativas de solidariedade e ouvi, recentemente, do Governador Alkimin, a importancia de Montoro para o incentivo ao investimento na Saude, Educaçao e Transporte.
    Depois de Governador deu sua contribuiçao como nosso Deputado Federal por varias legislaturas e nos premiou com a ajuda do Governador Orestes Quercia a grande obra na Capital, o Memorial da America Latina. Montoro foi um idealizador fervorozo pela integraçao geopolitica, cultural, social e economica dos latinos americanos, lutou como poucos por este ideal, como Eduardo Galeano, em Veias Abertas da America Latina, podendo afirmar ser Montoro, com outros idealista desta integraçao latino americana, o semeador, ou um dos principais semeadores do sonho do Merco Sul. Se hoje podemos ter uma relaçao de amizade e cooperaçao, isso se deve como legado deste grande cristao. humanista, um coraçao de um brasileiro que nos legou sua marca de administrar com simplicidade, amor e responsabilidade. Salve 16/07 p.p. do cem anos do nascimento de Andre Franco Montoro.

  2. André Franco Montoro foi também brilhante professor na Faculdade Paulista de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, na década de 1970, transmitindo-nos regiamente seus conhecimentos jurídicos, construindo uma sólida base para o nosso saber.

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