Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Educar no YouTube

1 comentário

Assim que assumi a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, afirmei que procuraria os “youtubers” para que ajudassem a tornar o aprendizado mais sedutor, impedindo que houvesse crescimento da evasão. Estava preocupado com a geração “nem-nem”, ou seja, nem estuda nem trabalha. A educação continua a ser a alternativa à desqualificação para a cidadania e para a subsistência.

Continuo a acreditar que a circuitaria neuronal das novas gerações é digital, enquanto a minha é analógica. Precisamos recuperar o espaço perdido quanto a tornar as aulas atraentes, interessantes e hábeis a despertar a curiosidade intelectual da juventude. Alguns passos foram dados, mas ainda é longa a caminhada.

Hoje são 184 canais brasileiros de educação reconhecidos pelo YouTube. Em 2013, quando nasceu o portal dedicado à área, o YouTube Edu, eram apenas 20. E se isso é bom, também oferece desafios. Não é fácil prender a atenção da mocidade, tantas as opções de exploração de portas de acesso a qualquer modalidade de informação disponível.

Examine-se o exemplo da biologia. O primeiro canal a aparecer no site de vídeos é o “Biologia Total”, do professor Paulo Jubilut. Tem mais de 700 mil inscritos. “Bioexplica”, do professor Kennedy Ramos, tem 17 mil seguidores. Ainda faltam canais de educação infantil, mas há bons modelos como o “Se Liga Nessa História”. O canal se serve de efeitos sonoros, gráficos e lúdicos. Há todo um trabalho de arte cênica, roteiro e edição, diz o professor Walter Solla. Quando aborda a Grécia antiga, aparece o mestre vestido de Zeus e o produtor fantasiado de espartano.

Uma pista nova e interessante é o aprendizado de idiomas. O Brasil precisa oferecer ao alunado a oportunidade de não ser monoglota e de disputar no globo, cada vez mais acessível, as vagas nos nichos de excelência que estão abertos a talentos de todo o planeta. O professor antenado com a nova realidade tem condições de despertar em seus alunos a vontade de ser “youtuber”: ou seja, criar uma comunicação com a linguagem de seus colegas, que transmita algo de valioso de maneira mais atraente do que o convencional. Esse o futuro da educação planetária. Não dá mais para fugir, por maiores sejam as resistências do anacronismo.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 21/07/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Educar no YouTube

  1. Como sempre reflexão muito positiva,

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