Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Educação nas férias

Deixe um comentário

A missão de educar na verdade não se interrompe. O período de férias é o intervalo para a recuperação das energias, preparo do período seguinte, reparo de algum desgaste natural e pausa para repensar o projeto. Mas nem por isso as atividades educacionais num sentido amplo precisam de interrupção.

A educação continua em casa. Mães ou suas substitutas são as primeiras mestras. As responsáveis pela “educação de berço”, base essencial ao aprendizado convencional que a escola propicia. E como nem todas as crianças poderão viajar nas férias, principalmente em anos terríveis como 2016, é importante que haja planos hábeis a preencher o tempo até agosto.

Escolas particulares cuidam de acolher seu alunado em julho, como apoio às famílias que não podem ou não querem viajar. E os projetos cuidam de oferecer um cardápio diferente do que o desenvolvimento regular do projeto pedagógico. O objetivo é fazer com que as crianças brinquem. Sintam-se em férias.

Tudo é válido nesse período. Descobrir brincadeiras antigas, tão esquecidas para a geração chipada e que só sabe brincar com videogame. Passeios para conhecer espaços às vezes tão próximos e desconhecidos pelos moradores. Estimular a leitura, deixando que a criança escolha aquilo que mais a atrai. Trabalhar na horta ou no jardim, cozinhar, preparar brinquedos com objetos nem sempre considerados quando se trata de propiciar iniciação artística.

A criança é criativa e ela mesma pode “inventar” o que fazer nesse período. Montagem de pequenas peças teatrais que elas mesmas escrevam, ensaiem e interpretem, compor músicas, utilizar bicicletas, patins ou skates, levar um pouco do brinquedo preferido para a escola. Há inúmeras opções que podem preencher os curtos trinta dias em que as aulas não são ministradas, período tradicionalmente reservado às “férias”.

O importante é que a criança se sinta realmente “em férias”, mesmo que o destino não sejam os parques temáticos ainda residentes no sonho da maior parte da infância brasileira, tamanha a propaganda que se faz em torno a essa fórmula de divertimento forçado, como se a felicidade dependesse do panorama e não do bem-estar da consciência.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 24/07/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s