Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Ser um pai igual ao ‘Pai’

1 comentário

O dia dos pais não tem o mesmo charme do dia das mães. Natural. A mãe é o que existe de mais sagrado na consanguinidade e na psicologia afetiva. Mãe é sagrada. Já o pai, embora hoje se reconheça a sua importância, foi sempre o segundo na preferência da criança. Não concorda? Não espero que concorde. É mera reflexão, instigação e provocação.

Não se aprende a ser pai. Faz-se o caminho a caminhar. Erro e acerto, mais erros do que acertos. Descobri a excelência de meu pai quando estava prestes a perdê-lo. Não fui o filho ideal. Reconheço que ele esperava mais de mim, principalmente em outros caminhos, que não foram os que percorri, nem os que a vida me reservou.

Hoje rendo homenagens à sua estatura moral, à sua coragem, ao seu heroísmo. Todavia, principalmente ao seu desapego, à sua modéstia e humildade. Sua resignação ante as vicissitudes. Até que não suportou a morte do caçula e se consumiu também. Em compensação, não fui o pai que gostaria de ser. Troquei o convívio mais intenso com meus filhos para conferir prioridade ao trabalho.

Nisso saí exatamente a meu pai e ao pai dele, meu avô. O dever foi um censor muito severo. Nunca troquei a obrigação pelo prazer. Se hoje me arrependo, não tenho certeza de que, fora dada a oportunidade, eu faria diferente. Tive sorte ou, como digo, recebi da Providência mais do que merecia. Meus filhos varões são excelentes pais. Companheiros, amorosos, ternos, amigos presentes.

O convívio entre meus filhos e suas filhas, minhas netas, é aquele que eu gostaria de ter experimentado com eles na época certa. Minhas netas têm mais sorte do que meus filhos. Têm pais exemplares. Paradigmas. Sabem conciliar a seriedade da vida com o essencial, que é a família. Confio no futuro dessa descendência por contar com a paternidade aberta, calorosa, generosa, companheira e franca entre pais e filhos.

Meus filhos me dão a certeza de que a Humanidade não é um projeto frustrado. São pais muito melhores do que eu fui. Essa a confiança no destino de perfectibilidade das criaturas que, sendo pais humanos, têm o compromisso de tentarem lembrar, para a sua prole e com sua conduta, o Pai criador de todos nós.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 14/08/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Ser um pai igual ao ‘Pai’

  1. Belo texto Renato, independente da distancia do relacionamento entre pais e filhos, (soa familiar), o que importa é que mesmo “de longe” ele aprendeu contigo, e tornaram o que são hoje porque em algum momento ou em todo momento mesmo sem perceber você plantou o que hoje seus netos colhem.

    Att,Graziele Jesus De Almeida “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê.” – Romanos 1.16 A cada dia eu te amo mais Jesus…isso me faz tão bem, atua presença é o que me basta. Date: Tue, 23 Aug 2016 14:04:49 +0000 To: grazijesus4ever@hotmail.com

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