Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Quem paga o prejuízo

2 Comentários

Quem administra a coisa pública enfrenta múltiplos desafios, agravados em fase de escassez de recursos financeiros. Além da angústia natural de não conseguir satisfazer demandas legítimas, sofre a decepção de constatar que nem sempre a comunidade reconhece que os equipamentos públicos pertencem a ela. Foram construídos com dinheiro do povo, são mantidos com dinheiro do povo. E se tiverem que ser reformados, recuperados ou até reconstruídos, não em virtude de desgaste natural, mas de maus tratos e de vandalismo, quem pagará por isso é o mesmo e sofrido povo.

As escolas públicas não são do governo. O governo é instrumento de gestão. Eleito pelo povo para gerir a coisa comum. A titularidade dominial é de cada integrante da população, aquela mesma que, com o pagamento dos tributos, mantém o erário. Por isso, quem destrói uma escola, parte dela ou aquilo que a guarnece, está lesando o próprio povo. Dinheiro que poderia ser destinado a outro objetivo é carreado para consertar aquilo que não foi submetido a desgaste natural, mas resultou de lamentável ação humana. As ocorrências não são esporádicas. Cresce o número de episódios em que escola recém-inaugurada é alvo de depredação. Fiação elétrica, lâmpadas, câmeras, computadores, torneiras, vasos sanitários e inúmeros outros bens são subtraídos ou quebrados. Caso insólito, numa obra prestes a ser inaugurada, até o elevador foi furtado. Nessa mesma edificação, as bases de granito dos laboratórios foram quebrados.

Não se pode concluir que toda a comunidade seja responsável. A ação é de alguns, mas quem paga pelo prejuízo é o conjunto de todos. Por isso é que a cidadania precisa auxiliar o estado a zelar por aquilo que é seu. Impedir o vandalismo. Denunciar as agressões e verdadeiras demolições de bens públicos. O registro de incêndios provocados em escolas, as pichações e demais formas cruéis de desperdiçar o que é de todos constituem atestado melancólico de degradação do nosso  nível civilizatório.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 01/09/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Quem paga o prejuízo

  1. Ilustre Secretário Dr. José Renato Nalini, parabéns pelas reflexões altamente procedentes.

  2. Muito bom este artigo. Ele nos faz refletir sobre a hipocrisia social que foi-nos apregoados nas últimas décadas – advindas do ideal freireano – de que o assistencialismo é necessariamente ‘bom’ que viver o bom samaritanismo poderia salvar alguém, agora sabemos que o ser humano é um só, potencialmente ‘bem e mal, basta que lhe cerceie. E salve novamente Maquiavel, quando diz “Todos veem aquilo que tu pareces, poucos sentem o que tu és…” (Tutte le opere. Firenze: Sansoni, 1992, p. 284).

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