Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Utopia ou retropia?

5 Comentários

Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, autor de vasta obra, já que escreveu mais de 70 livros, 30 dos quais publicados no Brasil, é um pensador muito citado por sua originalidade. Foi ele quem escreveu “Modernidade Líquida”, “Amor Líquido”, “A Riqueza de Poucos Beneficia Todos Nós?”, “Babel – Entre a Incerteza e a Esperança”, “Estranhos em nossa Porta” e muitos outros.

No próximo ano publicará “Retrotopia”, um ensaio sobre a necessidade de se voltar ao passado e não pensar em edificar algo diferente no futuro. Sem ler o livro, que ainda não foi publicado, concordo que ele tem certa razão. Já fomos muito melhores do que somos. Em termos de civilidade, então, retrocedemos aceleradamente.

Quando vejo a sujeira das cidades, as pichações, os maltratos a tudo o que é público – e, portanto, é de todos – chego a pensar como alguns pessimistas que a humanidade é um projeto questionável. Todos temos o direito de sonhar com uma sociedade mais acolhedora e uma vida decente e significativa. Só que isso não está no futuro, pelo andar da carruagem. Ou pelo ritmo das redes sociais. Está no passado.

A utopia é um lugar inexistente e que se mostra impossível de ser atingido no futuro. Já a retrotopia é o retorno ao passado, a um modo de vida “que foi exageradamente, irrefletidamente e imprudentemente abandonado”.

Quem examina a degradação dos hábitos nas últimas décadas, seja na vida pública, seja no âmbito da família, no seio da Igreja ou no estranhamento do convívio social, só pode pensar que o futuro não se sustenta como promessa rósea. Em lugar do prometido ócio, que atingiríamos com o avanço das tecnologias da informação e da comunicação, estamos trabalhando cada vez mais. Em vez da sociedade fraterna, há uma luta de todos contra todos. Onde o respeito? O brio? A honra? A polidez e a ternura?

Lutas fratricidas, ressentimentos e ódio, violência e criminalidade, tudo depõe contra o presente e anuvia o futuro. Só o passado é credor da admiração, pois já passamos por ele e temos saudades daquilo que ele nos proporcionou. O perigo é lembrar que no Brasil nem o passado é garantido. Pode ser alterado ao sabor das forças momentâneas, como ocorria no “1984” do Big Brother…

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 15/09/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

5 pensamentos sobre “Utopia ou retropia?

  1. Retropia ou saudosismo?

    Retrocederemos à Tales de Mileto onde tudo provinha da água (liquido)?

  2. Estimado Secretário: parabéns pelas cultas revelações.

  3. Parabéns Nobre Secretário, por suas sábias palavras !

    Utopia, retropia ou um paradoxo onde sonhamos com uma utopia, queremos a retropia mais fazemos um paradoxo entre as duas….

  4. Uma volta ao felicíssimo regime monarquista seria a solução mais plausível e imediata. Só é preciso encontrar uma fórmula rápida e prática de derrubar a barreira da impostura vigente, como fez Gandhi para se libertar do diabólico imperialismo britânico. Carecemos de um semelhante sábio que dê o xeque-mate nesse imperialismo estrangeiro disfarçado em “república democrática”. Precisamos de um guru que seja profeta, poeta, e santo guerreiro como David, um verdadeiro estadista iluminado por Deus. Talvez a solução seja tão simples que não a percebemos. Que o nosso Deus Pai pelo amor do seu amado Filho nos ajude a encontrá-la!

  5. Alguém já disse antes que a nossa solução está “num olhar para o passado”, não me lembro quem foi. O passado mais imediato e plausível que encontro é o felicíssimo Império do Brasil de D. Pedro II. A monarquia obedece a ordem natural das coisas, pois foi instituída pelo próprio Deus Criador, quem elegeu seu amado Filho como Rei e não como “presidente” descartável. Mas para um retorno feliz será necessário encontrar a fórmula pir-lim-pim-pim de se derrubar a barreira da impostura vigente, como fez Gandhi, que conseguiu derrubar o diabólico imperialismo britânico. Ela existe, com certeza! http://alancamargo.com.br

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