Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Inclusão ética

2 Comentários

 A palavra “inclusão” está inserta no discurso contemporâneo. O ideal de uma sociedade inclusiva é acalentado por todas as pessoas lúcidas, que acreditam na edificação de uma Pátria fraterna e solidária, resultante do pacto federativo de 1988.

A Lei da Inclusão adota sistemática bem elaborada e, como todo o arsenal normativo de que o Brasil dispõe, atende à ordem do dever ser. Nem sempre encontra eco na realidade, tamanhas as dificuldades postas por uma série de fatores, numa sociedade heterogênea, complexa e em autêntica policrise.

Consistentes barreiras precisam ser superadas para que a inclusão se converta em realidade. Há preconceitos e pré-compreensões a serem vencidas. Ainda recentemente, ouvi de uma batalhadora nessa área, que a inclusão no trabalho é deficitária, porque em regra as empresas querem “um cego que enxergue, um surdo que ouça e um cadeirante que corra”.

A norma exige que a escola acolha o aluno portador de alguma deficiência e propicie a ele convívio no curso regular. Às vezes, sua família entende que é melhor uma assistência prestada por entidade especializada. Outras vezes, é a família do aluno considerado “normal” em sala que conta com outro incluído, que oferece resistência a esse compartilhamento.

Nem sempre existe o preparo adequado do profissional para lidar com alguém que precisa de cuidados especiais. Tem razão quem adverte que a criança especial, desde a mais tenra idade, precisa ser alertada de que encontrará mais dificuldades do que as outras e isso permanece durante toda a sua existência.

A todos é recomendável uma urgente e profunda imersão na ética. Ciência do comportamento moral do homem na sociedade. A procura contínua do bem. Nossa vocação é nos humanizar a cada dia mais. Nem haveria a necessidade de lei se nos compenetrássemos de nossa pequenez, de nossa fragilidade e, principalmente, do quão efêmera é nossa passagem por este Planeta.

Todavia, animais pretensiosos, somos egoístas, não conseguimos sequer respeitar o próximo, quanto mais amá-lo! Procedemos como se fôssemos infinitos, quando – na verdade – a inevitável, incontornável e tão democrática morte está continuamente à nossa espreita.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 25/09/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Inclusão ética

  1. Caríssimo Secretário José Renato Nalini, parabéns pelas reflexões duramente realistas. Grande abraço.

  2. Caro amigo , nós que temos uma formação sólida e somos de uma geraçào que sempre sonhou e acreditava poder melhorar o mundo ,nos chocamos com o quadro atual. A ética não precisava ser ensinada nas escolas pois a tinhamos de berço. Hoje,considero indispensável que tenhamos ética e filosofia nas salas de aula e com professores bem treinados para motivar a garotada e ensinar nossos valores morais ! Você ,com sua importante função na sociedade pode nos dar esperança lutando por esta nobre causa. Nós da velha Jundiaí sentimos muito orgulho por termos um filho tão ilustre. Forte abraço .
    Oro

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