Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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Queira-se ou não, saber matemática é essencial. A grande discussão a respeito da modificação do Ensino Médio pode questionar muitos aspectos da iniciativa. Mas não contesta a inclusão obrigatória da Matemática em todo o período. Mas aprender Matemática não é fácil, segundo a maioria dos alunos.

E o professor carioca Marcelo Viana, que ganhou o Grande Prêmio Científico Louis D, principal premiação científica da França, oferecida pelo Institut de France, concorda com os que alegam dificuldades. “Nossa escola é terrível. Todo o sistema conspira para acabar com o gosto pela Matemática. O professor é um herói. Estamos envolvidos em um projeto ambicioso de expansão do IMPA (Marcelo Viana é Diretor-Geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada-IMPA), porque há muito a ser feito pela Matemática no País.

A gente faz a olimpíada com crianças do 6º ano ao fim do ensino médio. Mas o nosso diagnóstico é de que ‘o bicho-papão’ começa antes. Queremos incluir alunos de 4º e 5º anos, momento em que estão sendo massacrados para perder o gosto pela Matemática. Há muita rejeição, porque a Olimpíada promove competição. Mas é fantástica: a garotada se organiza em grupos de estudo; os professores, motivados, ensinam melhor”.

A questão do Magistério em Matemática é também grave. Nem todos os professores têm condições de ensinar com especial sedução, de maneira a tornar a disciplina algo mais do que interessante: alguma coisa de fato apaixonante. Para Marcelo Viana, “a universidade pública presencial forma menos de 5% dos professores. O controle do MEC para particulares é muito deficiente.

O exame de ingresso no mestrado profissional da Sociedade Brasileira de Matemática é um balizador. Tem mais de 20 mil candidatos ao ano. Há instituições de formação em que praticamente 100% dos seus egressos zeram a prova. Deveriam ser fechadas. Tem mais uma agravante: essa minoria que vem das universidades públicas não vai para a sala de aula. É desperdício o País investir em formação de professores e irem para trás do balcão do banco. Isso basta para dizer que a formação de professores é catastrófica”.

Mas há muita gente inventando estratégias de tornar a matemática algo que efetivamente conquiste a meninada. É disso que precisamos para que a sua obrigatoriedade seja também prazerosa. Vamos chegar lá!

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 06/10/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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