Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Os jogos educam

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A educação contemporânea não pode ignorar o valor dos jogos. Disserta-se com frequência sobre atividades lúdicas. Mas nem sempre se pratica o que se prega. É preciso ter coragem e aprender com quem ousou. O Minecraft, já utilizado por muita gente, é eficaz ferramenta de aprendizado. Estimula a criatividade dos jogadores, que podem construir qualquer coisa com ele. Os blocos virtuais excitam o senso de empreendedorismo. A Microsoft adquiriu uma versão do Minecraft especialmente para ser usada em sala de aula. Mais de 40 países aderiram.

É possível que os alunos entrem no jogo durante as aulas de estudos sociais e recriem as características de lugares históricos de sua região. Não seria interessante que as crianças de hoje tivessem uma visão do que foi o começo da colonização? Ou de como eram nossas cidades quando a densidade demográfica não tivesse ainda chegado ao ponto de acabar com a mata, fazendo das povoações manchas cinzentas com o verde deficiente? Ou mostrar como eram os rios, sinuosos e limpos, em lugar dos esgotos canalizados de nossos dias?

Nas aulas de ciências, o aluno pode aprender a montagem de circuitos elétricos. E assim, uma série de coisas novas pode ser mais facilmente aprendida, mesmo porque o jovem é interessado em novidades dinâmicas, não em ficar a decorar informações que podem ser facilmente obtidas na consulta ao Google.

Outra boa notícia a respeito do Minecraft é que ele permite a interação entre adulto e jovem, entre velho e criança. Os jovens têm contato com pessoas mais experientes e tais conexões indicam à criança um caminho profissional que ainda não faz parte de suas cogitações. O tutor adulto multiplica as oportunidades do moço.

Há também um aplicativo do Minecraft chamado redstone, mediante o qual os jogadores podem usar uma fiação virtual e dar vida às suas criações. O “New York Times” noticiou a invenção de um aluno de catorze anos, com uso do redstone: um gigantesco posto de comércio que permite a jogadores em dois lados de um paredão, trocarem mercadorias por uma rampa automática. Houve necessidade de criar um grande número de conexões e isso desenvolve a agilidade mental dos alunos.

Louve-se o envolvimento pessoal da Juíza da Suprema Corte Sandra Day O’Connor, que criou em 2009 a ONG educacional iCivics e que já lançou dezenove jogos on-line gratuitos, para familiarizar o alunado com o funcionamento da Suprema Corte e de outros organismos estatais,  propiciando a mais de 3,2 milhões de estudantes a participação nesses games.

A mesma iniciativa produziu um game que estimula o envolvimento da cidadania com a política e isso está sendo usado nas eleições presidenciais norte-americanas. Nada impede que o Brasil se aproprie dessa tecnologia e produza algo análogo. Nós precisamos, tanto como os norte-americanos ou até mais do que eles, fazer com que a política seja regenerada e não generalizada por suas práticas pouco ortodoxas.

O jogo “Win the White House” (Ganhe a Casa Branca) foi verdadeira coqueluche entre estudantes e se espalhou pelos Estados Unidos. Funciona como se os alunos fossem presidenciáveis fictícios que têm urgência em aprender a competir polidamente contra adversários nem sempre amistosos. Todas as grandes questões que motivam o chefe do Executivo da mais poderosa Nação do Planeta podem ser abordadas nesse jogo: migração, guerra externa em prol da Democracia, controle de armas, defesa do meio ambiente, etc.

Temos de devolver à criança noções de civilidade, patriotismo, polidez, respeito ao outro e tantos outros valores dos quais fomos nos esquecendo no decorrer do tempo. E se tais noções puderem ser apresentadas de forma lúdica, no uso de instrumentos acessíveis do mundo digital, o aprendizado se consolidará de maneira muito mais exitosa. O que queremos é uma criança e um jovem mais empenhado em assumir protagonismo e em tornar o Brasil a Pátria melhor com que temos direito de sonhar.

Fonte: Correio Popular de Campinas | Data: 07/10/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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