Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Racismo Ambiental

1 comentário

Sou ecologista de carteirinha. Sunita ambiental. Fundamentalista verde. Sofro quando vejo a barbárie a devastar florestas, a conspurcar a água, a matar o solo e a juntar resíduo que transforma o planeta num grande lixão. Talvez por ser neto de um imigrante italiano que não tinha terra e que passou a vida a plantar, hábito que transmitiu a pelo menos um dos 14 filhos, o meu pai, sou também plantador. Coleto sementes, faço-as germinar, tento fazer compostagem, esverdearia o mundo se pudesse.

Todavia, não posso deixar de ouvir o lado contrário. Acostumei-me com o contraditório nos 40 anos de Judiciário. Assim, ouço com interesse o sociólogo Kenneth Gould, que afirma: “A ironia é que a indústria ecológica cria espaços urbanos sustentáveis e é socialmente insustentável”. Ele é diretor do programa de sustentabilidade urbana do Brooklyn College, da Universidade da Cidade de Nova York. Ele quer dizer que a recuperação de áreas deterioradas torna o ambiente mais agradável, só que expulsa o pobre. Até escreveu um livro, “Gentrificação Verde”, juntamente com Tammy Lewis, também da mesma Universidade. Foram eles que criaram a expressão “Racismo Ambiental”.

Sempre que se resgata uma área vulnerável da insuficiência de verde, o mercado imobiliário se apropria dela e expulsa o pobre. A receita seria obrigar as incorporadoras a produzirem, ao lado de um grande empreendimento, um conjunto de moradias para baixa renda. É o investimento em moradias mistas. Nos próprio conjunto de luxo, o empreendedor poderia reservar algumas unidades para baixa renda e fazer sorteios entre os sem moradias.

Não é tarefa viável diante das leis inflexíveis do mercado. Mas o empresariado haverá de concluir que o sistema de segregar estamento é potencialmente perigoso. Até para sobrevivência desta espécie de civilização, é urgente adotar práticas menos anacrônicas e hoje superadas. Construir uma sociedade harmônica, embora desigual, é uma alternativa.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 13/10/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Um pensamento sobre “Racismo Ambiental

  1. Ilustre Secretário Dr. José Renato Nalini,

    Gostei muito do seu artigo e da proposta de construção de uma sociedade mais harmônica.

    Cordial abraço,

    Tales Castelo Branco.

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