Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Duas coisas em falta

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A mais célebre citação de Immanuel Kant, o filósofo com quem se pode concordar ou discordar, mas não se pode ignorar, é muito repetida em inúmeros ambientes. Ele escreveu: “Duas coisas preenchem a alma de uma admiração e de uma veneração sempre novas e crescentes, à medida que a reflexão a isso se aplica com mais frequência e constância: o céu estrelado acima de mim e a lei morar em mim… Associo-as imediatamente à consciência de minha existência”. Está no livro “Crítica da Razão Prática” e todo estudante razoável de filosofia a conhece.

São duas coisas destinadas a preencher a alma de admiração e veneração sempre novas e sempre crescentes, mas que estão em falta hoje em dia. A primeira, o céus estrelado. Raríssimo detectar alguma estrela no céu nublado ou envolto na densa camada de poluição das metrópoles. Evidência de escolhas erradas: o consumo de combustível fóssil levado ao paroxismo. Envenenamos o planeta e, aparentemente, não nos damos conta disso. De quando em vez surgem as estatísticas das enfermidades respiratórias derivadas do abuso na utilização de gasolina – de qualidade discutível – e do óleo diesel, que ainda é mais nefasto. O mundo todo fala em diversificação de matrizes energéticas, investe em carros elétricos, no uso da força eólica, das marés, do oxigênio, de outras energias produzidas a partir de substâncias neutras e continuamos a preservar cidades para carros. Será que já prescreveu o crime de acabar com as ferrovias para produzir a indústria do automóvel que, dentre outras características, é geradora de egoísmo e mortes a granel?

Mas é ainda mais grave a perda do sentido de “lei moral em mim”. O que é moral hoje para a maioria das pessoas? O que se ensina em termos morais para a infância e a juventude? Quais os ouvidos atentos para quem vier a perorar sobre comportamento irresponsável, boa conduta, ética e respeito à dignidade do semelhante? Entretanto a lição de Kant continua como advertência a uma civilização que parece ter perdido o rumo e tem dificuldades em retomá-lo.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 27/10/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

 

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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