Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Por que reformar o Ensino Médio

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O ensino médio é a prioridade estabelecida pela Constituição da República para os Estados-membros. O ensino fundamental é atribuição dos Municípios e a Universidade corre por conta da União.

Entre 2008 e 2015, houve 8.074.881 matrículas no Ensino Médio brasileiro e, no mesmo período, os concluintes não alcançaram um quarto disso: foram apenas 1.913.013 formandos. Muitos começam o ensino que já se chamou clássico, científico ou mesmo normal – preparação ao Magistério – mas poucos o terminam. O que esses números significam?

Várias as possibilidades de resposta. Uma delas: a escola não seduz a juventude de 14 a 17 anos, que deveria cursar o ensino médio. São treze disciplinas, aulas prelecionais, distribuição física das carteiras desestimulante. A mocidade está antenada nas redes sociais e o uso do celular é proibido em sala de aula.

Na verdade, o Ensino Médio vai mal. Tem IDEB – índice de desenvolvimento do ensino brasileiro – estagnado desde 2011. O desempenho em Português e Matemática é hoje menor do que era em 1997. 1,7 milhão de jovens de 15 a 24 anos forma a geração “nem-nem”: nem estuda, nem trabalha.

Enquanto isso, 82% dos jovens de 18 a 24 estão fora do ensino superior. Algo grave, considerando que a população jovem do Brasil entrará em declínio a partir de 2022. Tudo indica – e os educadores não discordam muito sobre isso – que o atual sistema não produziu os efeitos desejados. Ao contrário, gerou mais desigualdade e estimulou a evasão. O Ensino Médio se converteu em preparação para o ENEM, de igual maneira pela qual as Faculdades de Direito se transformaram em cursos de preparação para os Exames da OAB.

Somente o Brasil possui uma base comum de três anos, em trilha única. Treze disciplinas, todas elas obrigatórias. Os demais países considerados muito acima da média, têm uma base comum de um ano e adota trilhas acadêmicas e vocacionais. Dentre eles, Austrália, Coréia do Sul, Finlândia, Portugal e Inglaterra. A França nem possui base comum. Todo o seu Curso Médio é mesclado de disciplinas acadêmicas e vocacionais.

Os diagnósticos a respeito da necessidade de alteração existem de há muito. Basta examinar a tonelagem de artigos, ensaios, propostas e teses de transformação. E o Plano Nacional da Educação, em sua meta 3.1, propõe “institucionalizar programa nacional de renovação do ensino médio, a fim de incentivar práticas pedagógicas com abordagens interdisciplinares estruturadas pela relação entre teoria e prática, por meio de currículos escolares que organizem, de maneira flexível e diversificada, conteúdos obrigatórios e eletivos articulados”.

A proposta do MEC é prestigiar o protagonismo do jovem, pois tem seu foco no projeto de vida do aluno. Essa iniciativa já existe no ensino integral paulista e é entusiasticamente aceita pelo alunado. Concede-se ao jovem autonomia para escolher a área de seu maior interesse para aprofundamento de estudos ou já optar por uma área de ensino técnico. Este pode ser incluído na carga horária do ensino médio. Será possível escolher itinerários formativos diversificados do ponto de vista acadêmico ou profissionalizante, de maneira a tornar a escola mais atraente e conectada com a vida real.

O melhor de tudo é que não haverá blindagem do projeto, nem padronização alguma. Preserva-se a Federação. Cada Estado poderá oferecer cursos na vertente acadêmica ou na vertente técnico-profissional ou em ambas. E São Paulo já anunciou que discutirá a reforma durante todo o ano de 2017, com possibilidades de todos opinarem e se manifestarem. O que se quer é oferecer ao jovem uma educação consistente, sedutora, objetiva e divertida. Com isso, estimulá-lo a terminar o ciclo e a decidir com propriedade e completa autonomia, se fará a Universidade ou se preferirá mergulhar no mercado de trabalho, com profissão adquirida em pleno Ensino Médio. Todos estão convidados a participar dessa discussão e debates.

 Fonte: Correio Popular de Campinas | Data: 28/10/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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