Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Não ouse prever

1 comentário

O homem planeja e Deus sorri! Ou seja: vãs todas as pretensões humanas de prever o futuro. Voltemos a cinco anos atrás e imaginemos quais teriam sido as nossas previsões para 2016. Alguém teria pensado naquilo que aconteceu em nossa cidade, nosso País, nos Estados Unidos?

A eleição de Donald Trump não foi algo crível por uma considerável parcela da população mundial. Mas aconteceu. E um grande aprendizado pode ser extraído a partir do inesperado. Primeiro, venceu o “outsider”, um empreendedor, um comunicador, um milionário. Tudo, menos um político profissional, desses que são há muito tempo filiados a um partido e disputam todas as eleições.

Há um natural cansaço da política, embora ela seja tão importante. Ainda não se descobriu uma fórmula de coordenar o convívio, senão mediante delegação de poderes a um representante que passa a agir em nome dos representados.

Estes parecem não estar contentes com a espécie de representação que o sistema oferece. Daí a urgência de uma reforma política. Não só nos Estados Unidos, mas muito mais perto de nós.

Outra lição que resulta dessa eleição é que o “politicamente correto”, quando excessivo, causa fratura do material. Daí ter vencido quem prometeu cuidar primeiro de casa, para depois se interessar pelo quintal alheio.

Quem prometeu emprego. Quem prometeu infraestrutura, hospital, escola, mais soldados para garantir a segurança pública. Lembra o provérbio chinês : “quando você quiser reformar o mundo, dê primeiro três voltas dentro de sua própria casa”. A vocação de tutor da Democracia Universal, assumida por inúmeros governos, deixou os americanos à deriva, com os dolorosos vestígios da violenta crise de 2008, cujas cicatrizes não foram sanadas.

O que aconteceu em grande escala nos States pode ser interpretado como tendência mundial, até para o microcosmos do pequeno município.

Um prefeito, por exemplo, deve ser um bom síndico. Síndico atento do condomínio ampliado que é a comunidade citadina. O povo quer seriedade, trabalho, administração eficiente. Não é necessário grandes novidades. Os discursos grandiloquentes já não convencem. O arroz e feijão bem temperado já satisfaz quem está desgostoso com promessas irrealizáveis.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 13/11/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Não ouse prever

  1. Bom estar aqui neste quadrante, comentando um belo, verdadeiro e entusiasta artigo de José Renato Nalini.
    Ouso dizer que o mal do século foi dar ao Administrador de uma cidade, devidamente eleito por sua população, o “título de político”, oriundo de um Partido Político.
    O cancro está nos Partidos, onde já não temos ideais de outrora, conjunção de anseios para um único fim, zelar pela qualidade de vida dos habitantes daquele espaço físico.
    Partido Político se igualou à Sindicatos, onde digladiam para ter o poder maior, o fim sempre justificará o meio…
    E, chega DÓRIA, como um divisor de águas claras, anunciando não ser um político, pq assim não se vê.
    Uma metrópole, tal qual São Paulo, carece de cuidador, daquele que, por já atuar no empresariado, não perde tempo com patéticos debates acerca da filosofia do Partidarismo que o elegeu.
    Vai “in loco”, conhece os reais e prioritários problemas e, reunido com técnicos formados e conhecedor de cada mazela, para traçar o Plano Urbanístico, iniciar a faxina que São Paulo precisa.
    Paroles, paroles não tem mais espaço neste início de uma nova visão.

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