Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Quem escapará da surdez?

1 comentário

Em boa hora se deliberou multar quem produz som excessivo em seu veículo, fenômeno quase corriqueiro nesta era de incivilidade crescente. O som subiu de tom nos últimos tempos. Em todos os lugares. Até em casamentos requintados, chega a hora do “bate-estaca” e que eu chamo de “despedida dos idosos”. Ninguém consegue conversar e aquela percussão que reverbera no tórax deixa um desconforto atroz.

E o que dizer dos “pancadões”, em que o ruído seja a revolta da moral pelo que ali se pratica? O fato é que formaremos gerações de surdos diante da imprudência de se elevar o volume de tudo, como se os tímpanos fossem de metal ou qualquer outro material resistente.

A infância também sofre as consequências desse descaso. Em São Paulo, o programa “Psiu” praticamente sumiu. E é comum nas famílias e na escola, verificar que mais pessoas têm dificuldade de escutar direito. Essa dificuldade pode ser a de saber de onde vem um som, em decorar uma sequência de sons, em diferenciar sons parecidos, em lembrar instruções, em apreciar música, aprender outra língua e dificuldade em concentrar-se. Há quem demore para entender o que é dito e o que está escrito, compreender o que uma pessoa fala quando há outros sons simultâneos, ou a pessoa fala muito depressa ou existem outros falando por perto. Isso é sintoma de dificuldade de processamento auditivo. Precisa de tratamento.

Há dicas para pais e professores. Quando houver crianças com essas dificuldades, o correto é falar devagar e de forma clara, lendo e conversando com a criança, falando com o olhar nos seus olhos, acompanhando a fala com gestos, repetindo tantas vezes quantas for necessário, utilizar frases curtas, sempre que possível, escrever o que foi dito. Também é bom procurar falar com a criança em lugares com pouco ruído. Verificar se ela entendeu, pedindo para ela repetir. Realizar pausas para evitar o cansaço.

Há muita gente que precisa de fonoaudiólogo ou médico especialista. Mas para todas as pessoas, o bom mesmo é ficar livre de carros particulares que parecem carros de som e fugir dos “pancadões”, que além de deixar as pessoas surdas, fazem-nas descrer do estágio civilizatório.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 17/11/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Quem escapará da surdez?

  1. Estimado Secretário José Renato Nalini, parabéns. Era muito necessária essa advertência.

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