Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Se ele nascesse hoje…

1 comentário

Aquele cujo aniversário hoje se celebra nasceu há mais de dois mil anos. Em condições bem conhecidas: durante uma viagem forçada de seus pais, com a finalidade de atenderem a uma ordem oficial. Desprovidos de recursos, não encontraram espaço em estalagens. Abrigaram-se num estábulo. A criança nasceu entre palhas e sua mãe o aqueceu com o hálito morno de uma vaca e de um burro.

O que escolheria Ele se viesse a novamente adquirir forma humana e voltasse a este Planeta? Um lar cujo provedor está desempregado? Ou a casa de um encarcerado? Ou uma favela? Qual dos excluídos mereceria a glória de receber o Salvador?

O Cristianismo transformou a face da Terra. Tão importante que o calendário passou a adotar o nascimento de Jesus para o reinício da marca do tempo. Aceitou-se o Evangelho como a promessa de reconciliação com o Criador, até então ofendido pela arrogância humana. A esperança tomou o lugar do desalento. Houve o compromisso de honrar o Deus feito homem.

Promessa aos poucos lentamente descumprida. A civilização que não se envergonha de seu autodominar ‘cristã’, a cada dia desmente a sua opção. Ganância, cupidez, egoísmo, crueldade, insensibilidade, menosprezo, exclusão. Um séquito de más práticas obscurece a opção pela boa nova.

A cada ano, o 25 de dezembro teima recordar aos empedernidos de que Natal não é troca de presentes, não é data comercial, não é o ocasião para bebedeira e comilança. Natal deveria ser a imersão no clima de fraternidade, o reconhecimento de que todos são identicamente herdeiros do verdadeiro Reino, que esta passagem pelo mundo é rápida, frágil e cujo termo final reserva a morte para todos. Ninguém escapará dela.

Esquecemo-nos todos desta miserável condição humana? Aparentemente, são poucos os que se recordam de que nada se leva desta aventura, senão aquilo que se fez de bem ao outro.

Quem foi capaz de perdoar e de se desculpar? Quem procurou se desapegar da matéria? Quem se propôs a tornar menos aflitiva a existência do próximo?

Só estes, verdadeiramente, vivenciam o Natal. Os demais, lamentavelmente, se desviaram do trajeto e desmerecerão o abraço que está destinado às pessoas generosas quando ingressarem na eternidade.

Natal de reflexão profunda para todos!

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 25/12/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com

fraternidade

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Um pensamento sobre “Se ele nascesse hoje…

  1. Quem se propôs a tornar menos aflitiva a existência do próximo?

    Quando nosso olhar é de empatia, e não de simpatia, já estamos permitindo isso.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s