Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.


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Não com um estrondo

 

Mas com um gemido. É o livro de Theodore Dalrymple, traduzido por Hugo Langone, para “É Re­alizações”. Deveria ser lido por quem não entende o que está acontecendo com o mundo.

Veja-se o que a mídia apregoou em 2015. A elei­ta nos Estados Unidos seria Hillary Clinton. Trump era uma piada. A Inglaterra não teria coragem de dei­xar a União Europeia.

O acordo/anistia/armistício com as FARC era o que os colombianos queriam. A candidatura de João Dória não teria condições de prosperar. Enfim, deu no que deu. Todas as previsões falharam. Quem pode ex­plicar o motivo?

O psiquiatra inglês Anthony Daniels se serve do pseudônimo Theodore Dalrymple para tentar explicar. E sua visão é singela: os intelectuais e os políticos já não sabem detectar o que o povo quer. Há um evidente divór­cio entre os desejos da população e os rumos da política.

Basta verificar o que as redes sociais propalam de piadas e de chistes, de ofensas ou agressões con­tra os parlamentares. Principalmente os integrantes do Parlamento, embora todos os que pertencem à admi­nistração pública em regra são arremessados à mesma lata de lixo.

Um dos ensaios desse livro que é perfeitamente adequado ao Brasil foi escrito a respeito das consequ­ências morais do Estado de Bem-Estar Social.

O Estado prometeu tudo, encarregou-se de aten­der a todas as demandas, tornou-se o provedor onipo­tente e, de repente, não tem como satisfazer os desejos cada vez mais vorazes das “crianças crescidas”, que berram e choram querendo mamadeira. O ressenti­mento habita esses tutelados que, segundo Theodore, são “crianças” mantidas, alimentadas e tratadas pelo Estado como se fossem animais em cativeiro.

Só que a crise chegou e, com ela, a verdade ina­fastável: o Brasil não cabe no PIB. Este é cada vez menor, a arrecadação só faz cair e frustrar as expec­tativas e as pretensões recrudescem, elevam o tom da discussão e deságuam na Justiça, que tem ordenado comandos inviáveis, pois não há recurso financeiro para supri-los.

O recado é para quem alimenta fantasias. Como diz o autor, “quem prefere falsificar a realidade com suas teorias não pode reclamar quando a realidade aparece em toda a sua brutalidade”.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 30/01/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Foto: Divulgação


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Algo é absoluto?

Não é necessário invocar Einstein e sua teoria da relatividade para chegar, empiricamente, à con­clusão de que pouca coisa merece o qualificativo de absoluto. Penso na polêmica da utilização de celular, smartphone, tablet e outras bugigangas eletrônicas em sala de aula. Hoje é proibido esse uso. Para deso­lação do alunado, todo plugado, acessado, antenado e mostrando que já nasce com “chip”, antes mesmo da internet das coisas generalizar tal uso.

Para o bem e para o mal, a virtualização veio para ficar. Quem é que hoje dispensa a comunicação móvel? Somos um dos países nos quais essa onda avassaladora mais avançou. Fácil verificar nas ruas, nos espaços fechados, em qualquer lugar, a dissemi­nação da cultura digital.

A Escola Particular não só já descobriu que o ensino se torna mais eficiente se contar com a cumplicidade do aluno – sua geração tem circuitaria neuronal digital, enquanto a nossa ainda é analógica — e se ele for chamado a participar de fato do seu processo de aprendizado.

Por isso é que os colégios, além de permi­tirem o uso do celular, criam games a serviço da melhor aprendizagem. A elaboração de jogos já in­tegra as grades curriculares, cativa a nova geração, ansiosa por ganhar autonomia e trabalhar de forma cooperativa.

Fazer “games” já é parte das atividades de Português, História, Geografia e Matemática. As es­colas já disponibilizam plataformas específicas com linguagem de programação e se servem de jogos que os alunos já conhecem, como o Minecraft. O aluna­do fica mais motivado, se engaja e mesmo se não receber a incumbência de criar um jogo, uma equipe desenvolve raciocínio lógico, aprende a se organi­zar, fica mais engajada e leva a sério o conhecimento gerado durante a concretização do projeto.

Algo que precisa ser ponderado é que estamos ensinando os jovens com a linha clássica e tradicio­nal das disciplinas compartimentadas, muitas das quais não interessam ao futuro do educando. Ele será chamado a exercer profissões que ainda não têm nome. Enquanto que o cardápio hoje oferecido como opção é destinado a desaparecer em poucos anos, assim como outras profissões já deixaram de ser necessárias.

É exatamente nas ciências exatas que precisa­mos formar uma geração interessada em pesquisa, em criatividade e em empreendedorismo. O desapareci­mento do emprego formal e a virtualização da vida precisará de programadores, analistas, engenheiros e técnicos, tecnólogos e profissionais de áreas em que o Brasil nunca foi exatamente um campeão.

A internet das coisas impõe a busca de ca­minhos nunca dantes percorridos. É o mundo das impressoras 3D, que o município de São Paulo já implementou num ambicioso projeto de laborató­rios públicos, chamados Fab Lab. É uma invenção do MIT, o famoso Instituto de Tecnologia de Mas­sachusetts, um dos mais respeitados centros de ino­vação em todo o planeta. Com a certeza de que má­quinas controladas por computadores serão capazes de produzir “quase tudo”, centenas de Fab Labs se disseminaram pelo mundo e impulsionaram a cha­mada “cultura maker”, ou seja, o espaço ideal dos “fazedores”.

O futuro já chegou e tem urgência de progra­madores, designers, marceneiros, modeladores, para fabricar produtos novos. Mais bonitos, mais durá­veis e mais baratos. É o momento de congregar to­dos os cérebros, estejam onde estiverem, e contem­plar a juventude sedenta por participar da educação e da edificação do mundo novo, que deixou perplexo o homem velho, nem sempre apto a responder com a urgência requerida pelos jovens, ao repto que a His­tória nos lançou.

Fonte: Correio Popular de Campinas | Data: 27/01/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Foto: A2img / Daniel Guimarães


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Minha tia Lucy

Levamos sábado, 21, ao cemitério da Saudade, minha tia Lucy Barbosa Falha. Era a última remanes­cente dos filhos de Anna e João Barbosa, cuja primo­gênita era minha mãe, Benedicta. Não se estranhe um septuagenário ainda ter uma tia: ela era apenas dez anos mais velha do que eu.

Ajudou a me criar, pois fui o primeiro neto e a garota de dez anos brincava com o sobrinho como se fora boneca.

Sempre muito presente, muito próxima, era a “mãezona” de todos. Dos seus três filhos, Ivan, Fernan­do Marcel e Gustavo. Das noras, das netas e netos, dos sobrinhos e de todos quantos frequentassem o lar que formou com Miguel e que geriu por quase sessenta anos.

Quem chegasse à rua Bela Vista era recebido com alegria, carinho e generosidade. Repartia tudo o que possuía e o que ganhava. Ninguém saía de lá sem algo. Além do tratamento mais do que amistoso: verdadeiramente fraterno. Com os de casa, insistia em que repetissem o prato. Sempre havia um bolo, um café novo e inventava outras coisas para reter a visita. Tricotava enxovais para todas as crianças do clã e de fora. Produzia incessantemente, apenas para agradar e proporcionar um carinho a quem se avizinhava.

Vibrava assim que recebia a notícia de uma gra­videz na família ou no círculo ampliado que conquis­tava com sua bondade.

Comandava a sua família. E comandava bem. Conseguiu fazê-la unida e solidária. Vibrava com as vitórias, preocupava-se com os infortúnios. Gregária, herdou as tradições parentais e insistia em aproximar os distanciados e em refazer laços que se fragmentassem.

Dir-se-á: uma vida comum, de uma mulher que trabalhou, se aposentou e se devotou ao lar, do qual nunca se afastara. Mas quantas mulheres ainda exis­tem que tenham conseguido manter a prole tão soli­dária, tão amorosa, tão reconhecida e tão consciente das qualidades da matriarca? Assistir à triste cena do viúvo, filhos, noras e netos tão compungidos e abraça­dos em torno ao caixão, é prova de que sua existência valeu a pena! Inoculou de amor e ternura a vida de uma legião. O mundo foi melhor porque Lucy exis­tiu! E seria ainda melhor se outras Lucys nascessem! Testemunhou subsistir magnanimidade sem interesse. Pura doação de alma! Nem tudo está perdido. Saiba­mos aprender com isso.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 26/01/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Qual o melhor governo?

Todos são especialistas em governar. Há diagnósticos e receitas para todos os problemas do convívio. Nesse campo, estou com Goethe: “O melhor governo é aquele que nos ensina a governarmo-nos a nós mesmos”. Ou seja: a base de tudo é a educação. Não se confunda “educação” com “escolarização”. O Brasil conseguiu a universalidade do acesso à escola. Pode haver alguma deficiência localizada, mas sempre corrigível. Ninguém fica sem vaga, se realmente quiser estudar. Já o “querer estudar” esbarra numa série de fatores. Sob argumento de que a escola é desinteressante, há muita evasão. Também não se conta com a autoridade familiar, para a qual a frequência às aulas era uma obrigação insuscetível de questionamento.

Os valores sofreram profunda mutação. Alguns desapareceram. Outros agonizam. Vasta parcela da juventude é atraída para uma vida que a verdadeira educação abomina. Menos mal é a geração “nem-nem”, nem estuda, nem trabalha, se cotejada com o recrutamento para a delinquência. A droga vence batalhas seguidas e não se chega a um acordo se é mais eficiente liberá-la ou continuar a perseguição cujo foco é o infinito exército de pequenos usuários e traficantes desprovidos de significância. Quem controla esse comércio tão lucrativo? Quem é que dele aufere os inimagináveis frutos financeiros, a sustentar uma cadeia nefasta de destruição da juventude brasileira?

Como provar à criança e ao jovem que estudar, trabalhar e enfrentar dificuldades é mais proveitoso do que se entregar ao lucro fácil do comércio de entorpecentes? Missão quase impossível no momento em que mal predomina e compensa, desdizendo o brocardo de que o crime não compensa.

O aprendizado é árduo e tem-se a impressão de vários retrocessos em lugar de avanço. Resta à lucidez que ainda não perdeu a esperança, mostras às novas gerações que o Brasil pode ser melhor do que tem sido. E isso depende de nós, não do governo. Aprendamos a saber o que nos interessa e a lutar por isso.

Fonte: Diário de São Paulo | Data: 26/01/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Foto: Daniel Guimarães/A2IMG


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Duas coisas enchem a alma

É célebre a frase final da “Crítica da razão prá­tica” de Kant: “Duas coisas enchem a alma de uma admiração e de uma veneração sempre novas e sempre crescentes, à medida que a reflexão se aplica com mais frequência e constância: o céu estrelado acima de mim e a lei moral em mim”.

Emmanuel Kant é o mais citado filósofo ale­mão. Pode-se amá-lo ou detestá-lo. Só não se pode ignorá-lo. Nada obstante sua importância para o mun­do da filosofia, a “lei moral em mim” ficou muito es­maecida. Talvez até mais do que o céu estrelado, que a poluição impede enxergar nas grandes cidades.

Há uma similitude evidente entre a consciência moral e o espetáculo do mundo. Sêneca, em “Cartas a Lucílio”, já a detectara muito antes das lições kan­tianas: “Olho a sabedoria com a mesma estupefação com a qual, em outros momentos, enxergo o mundo, esse mundo que muitas vezes me acontece contemplar como se o visse pela primeira vez”.

Nós, contemporâneos, imersos numa vida ex­cessivamente requisitada, sem tempo para o essencial, mas com os minutos e as horas envolvidas em com­promissos, burocracia e futilidades, necessitaríamos de exercícios espirituais que nos devolvessem a capa­cidade de olhar o mundo e olhar para dentro de nós.

Se nos compenetrarmos de nossa insignificância perante o universo, do qual somos muito menos do que uma partícula de água cotejada com os oceanos, poderemos chegar à verdadeira humildade. E humil­dade conduz à tolerância, à ausência do preconceito, à vontade de redimir o mais fraco de sua fraqueza, de fazê-lo integrado nesta grande família humana, que se estranha, se agride e se mata.

Nossa fragilidade só não é maior do que nossa ignorância. Ignorância sobre o que vale realmente a pena, para transitar com dignidade por este curto per­curso de algumas décadas, não mais do que isso, por um caminho prenhe de incertezas e de inesperados.

Depende de cada um de nós fazer algo, por míni­mo que seja, para que as noites voltem a ser estreladas. Os compromissos para redução da emissão de carbono já foram firmados. É o cidadão que deve obrigar o go­verno a cumpri-los. Talvez, nessa tarefa, consigamos ressuscitar a lei moral dentro de nossos corações.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 23/01/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

 

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O Brasil precisa de paz

As pessoas sensatas – ainda existem, felizmente! – são concordes em que o Brasil precisa de serenida­de para enfrentar a violenta crise política, econômi­ca e financeira. Não é possível que o País sinalize ao capital internacional que este é um solo seguro para investimento, se continuarem as manifestações, as violências, os ressentimentos e esta ira difusa que vai desaguar em vandalismo.

Até espectadores externos detectam o clima desfavorável para a retomada do desenvolvimento.

Não só os observadores encarregados de trans­mitir um diagnóstico sério e confiável da situação, mas pensadores de outras áreas, como a literatura, por exemplo.

No livro “Homens Imprudentemente Poéticos”, o português Valter Hugo Mãe, que se baseou na “Flo­resta dos Suicidas” do Japão, procura mostrar que a lição japonesa da tolerância e do convívio entre desi­guais precisa servir de mensagem para nós todos.

“Queria que fôssemos capazes desse antagonis­mo cordial, de uma inimizade educada. Isso sempre existiu, especialmente em comunidades pequenas, no Japão ou em outras partes do mundo.

O que me choca hoje é que estamos entrando num período de um súbito extremismo, em que as pes­soas votam porque têm raiva de outro ou de uma ideia diferente da sua. ”

Não é isso o que se nota quando sem tomar co­nhecimento do que se pretende, já se começa a con­testar? Quando pessoas ditas escolarizadas incitam outras, facilmente manipuláveis, a atitudes insensatas e até ilícitas?

O que explica o gesto aparentemente insano de um pai que mata o filho por não querer que ele par­ticipe da invasão de sua faculdade? Ou de um ame­ricano que mata três filhos brasileiros? E o que falar de cunhado que mata a irmã da mulher, ex-marido ciumento a assassinar ex-esposa que já fugira dele e tantos outros gestos que evidenciam angústia, dese­quilíbrio e completa perda de uma serenidade sem a qual não se consegue aturar a crueldade da vida?

Todo aquele que não perdeu ainda a razão preci­sa se compenetrar de que gestos simples podem tran­quilizar aquele que estiver prestes a cometer um ato do qual, se sobreviver, muito se arrependerá.

Paz para o Brasil, a urgência mais urgente deste ano.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 19/01/2017
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.


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A natureza precisa de nós

A Humanidade tem sido cruel com a nature­za. Por inúmeras causas, destacando-se a cupidez e a ignorância, dela temos nos servido como se fora um enorme shopping center gratuito. Apoderamo-nos de tudo o que pode ser convertido em cifrão e não nos preocupamos com repor o tesouro que não fomos nós que produzimos.

Um dos países mais providos de água doce em todo o planeta, não soubemos preservar esse patrimônio. A ocupação desenfreada do solo, o desmatamento, a destinação das cidades para o automóvel, não para as pessoas, tudo contribuiu para redução drástica da quantidade de água disponível.

A conurbação paulistana é um exemplo emblemático. Centenas de riachos e córregos afluíam aos três grandes rios – Tietê, Pinheiros e Tamanduateí – mas o ser humano os enterrou. Cobriu o espaço com asfalto. Os grandes cursos d’água foram poluídos e passaram a ser meio de transporte para dejetos, resí­duos sólidos e tudo aquilo que a sociedade consumista costuma descartar.

Não é fácil refazer o caminho de volta. Impossível recompor o ambiente, fazendo-o retornar à fase anterior à devastação. Mesmo assim, é importante que se tente atenuar a situação de carência extrema de água potável. Um dos projetos importantes no setor é o Programa “Nascentes”, que envolve parceiros de diversos setores, capitaneados pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Dentre as iniciativas levadas a efeito nesse pro­grama, destacam-se a atuação da Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais – CBRN, encarregada de realizar pesquisa em silvicultura de espé­cies nativas e hidrologia florestal desenvolvidas pela Esalq, na Estação Experimental de Itatinga. O Insti­tuto de Botânica realiza estudos de quantificação de carbono assimilado em florestas em restauração no Parque Estadual Aguapeí. A Fundação para a Conser­vação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo procedeu a restauração ecológica em 140 hectares por meio da técnica de plantio em área total no Parque Estadual Aguapeí, para compensação das emissões de CO2 da operação dos Jogos Olímpicos em São Paulo.

Por sua vez, a Sabesp cuida do repovoamento vegetal e recuperação da faixa de área de preservação permanente, na área da Represa Taiaçupeba e proje­ta a restauração de áreas às margens do Reservatório Cachoeira. O Itesp, Instituto de Terras de São Pau­lo recupera ambientalmente as áreas de preservação permanente em assentamentos estaduais, enquanto a Secretaria de Agricultura e Abastecimento recupera estradas e áreas com degradação do solo nas propriedades rurais da bacia hidrográfica do Rio Pardo. Me­diante utilização do FID – Fundo de Interesses Difu­sos, executa-se a implementação do Parque Ambiental Ecológico de Lazer das Nascentes do Panaro. Dentro do Parque Itaberaba, a Dersa restaura ecologicamente, mediante plantio adensado e manejo de espécies exó­ticas, o interior do Parque Itaberaba, em Santa Isabel. Procede a operação análoga no Núcleo Santa Virgínia, em São Luiz do Paraitinga.

O Departamento Hidroviário projeta plantio compensatório das obras do Canal de Anhembi e o DER concretiza o Programa de Recuperação Ambien­tal com vistas a promover maior ganho ambiental com a formação de corredores de conectividade e interliga­ção de fragmentos florestais.

A Artesp desenvolve projetos de restauração ecológica mediante cumprimento de Termos de Com­promisso de Recuperação Ambiental firmados no âmbito dos processos de licenciamento dos empreendi­mentos de concessões de rodovias e faz o mesmo em relação à concessão de saneamento e energia.

À Secretaria da Educação incumbe explorar o eixo Comunicação e Formação Continuada, para que primeiramente a comunidade escolar e, em seguida, toda a sociedade, possa conhecer a abrangente expe­riência e, melhor do que isso, participar desse impor­tantíssimo Programa.

Quatro milhões de alunos da Rede Pública Es­colar do Estado podem fazer a diferença ao se inte­ressarem pelo Programa Nascentes. Não há quem não possa colher sementes, fazer mudas, plantá-las – de preferência em locais que já hospedaram vegetação, sobretudo nas margens dos cursos d’água que resis­tiram à sanha assassina da única espécie racional que vive sobre a Terra. Uma conscientização de seus pais e demais familiares também seria importante para refazer o que destruímos e continuamos a destruir, de forma contínua e inclemente.

Fonte: Correio Popular de Campinas | Data: 20/01/2017
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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