Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Cada geração com seus mitos

2 Comentários

Uma geração é o lapso temporal de 25 anos. A omenos é isso o que costuma ser aceito pela generali­dade dos que se encarregam de estudar a sucessiva re­posição de seres humanos, cuja aventura pelo Planeta dura algumas décadas e não mais.

A geração atual é chamada “Y” ou seus inte­grantes são os “Millennials”. Depois da quebra dos paradigmas, da revolução sexual, da liberação dos costumes, da disseminação da droga, da subversão dos valores, surpreendem-se os que detectam uma espécie de retorno. O Relatório Sage’s Walk With Me, elaborado a partir de uma pesquisa conduzida pela SAGE – líder mundial no setor de softwares para pequenas e médias empresas, com 7.400 empreendedores, de 18 a 34 anos, em 16 países, em junho de 2016, desmistifica algumas “verdades” sobre essa geração. Assim é que a maioria pretende “fazer a di­ferença”. Promover o “bem social”, como se posi­cionaram 871% dos empreendedores do Brasil. 66% valorizam mais o lazer que o trabalho e 71% conside­ram relevante reduzir a jornada de horas de trabalho e antecipar a aposentadoria.

O resultado da pesquisa chega a definir cinco perfis dos jovens líderes empresariais da geração do milênio. Há os planejadores, que são extremamente metódicos na forma de trabalhar, dedicam se a plane­jar cuidadosamente todos os passos para obter êxito. São ambiciosos, questionadores e meticulosos. Sabem cobrar as metas aos subordinados.

Os técnicos são aficionados ao trabalho e não convivem com a ideia de ficar sem nada para fazer. Procuram eficiência e recorrem à tecnologia para per­manecerem sempre adiante da concorrência. Acredi­tam em sua capacidade de inovar e de atrair novos clientes.

O perfil dos exploradores instintivos é o dos que amam o desconhecido e exploram novos territórios. Confiam em seus instintos e nos instrumentos de que se utilizam. Valorizam a imagem de contemporaneidade que transmitem e investem no legado que querem deixar.

Os realistas são engenhosos, embora costumem atrelar o êxito dos negócios à tecnologia e não a si mesmos. Alternam a tomada de decisões entre as intuições e as impostas pela racionalidade e pela técnica.

Por fim, os caçadores de emoção completam o quinteto. São aqueles que, se não tiverem um novo desafio, se entediam facilmente e não se importam com as aparências. São gregários, rendem mais quando trabalham em conjunto e acreditam que a ideia de causar um impacto social é superestimada.

O importante é considerar que esta geração já nasceu sob o impacto das TICs – Tecnologias de In­formação e Comunicação. Um desafio permanente, pois os avanços incessantes fazem com que a obsolescência seja a companhia inafastável de todos os atores.

Já está acessível um acervo de informações que a cada minuto se multiplica, além das descobertas que transformam profundamente a forma de viver e de conviver. A inteligência artificial ainda não produ­ziu todas as modificações potencialmente factíveis. A internet 3D ou “das coisas” vai trazer mutações inimagináveis.

Aqueles que hoje têm a responsabilidade de for­mar quadros profissionais para o futuro estão imersos numa dificuldade quase intransponível: mais de 70% das profissões atuais não existirão nos próximos anos. Como educar para o imprevisível? O futuro não está disponível como certeza e o que surgirá será o inesperado. A missão da lucidez é alertar a juventude sobre os riscos decorrentes de uma quarta ou quinta Revolução Industrial, em pleno e acelerado curso. É urgente que todos se conscien­tizem de que devemos nos preparar para o ignorado. Lembrar de que “o homem planeja e Deus sorri”. Os fatos recentes constituem o melhor atestado de que a previsão humana é cada vez mais frágil, falível e des­provida de veracidade.

Fonte: Correio Popular – Campinas | Data: 06/01/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com

millenials

Foto: A2img / Daniel Guimarães

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Cada geração com seus mitos

  1. Como sempre excelente.

  2. Estimado Prof.Nalini:

    A classificação é, induvidosamente, aristotélica.e por esse motivo despertou-me certa preocupação,vale dizer:

    “Será possível que os “classificados” suprimirão a criatividade do homem,vale dizer:; a “visão dos artistas e cientistas”que são aqueles que percebem o mundo de forma diferenciada mas não falsa; por vezes: mais,agradável, maravilhosa tanto nos sentidos positivos como negativos. E com isso,não venham nos impor uma hegemonia ou plutocracia?

    Pensei,então, em um filósofo que asseverou que “O Instinto,ainda é,a forma mais aprimorada de raciocínio”,litteris:

    “Se o laço dos instintos, esse laço protetor, não fosse tão mais poderoso do que a consciência; se não desempenhasse, no conjunto, um papel de regulador, a humanidade sucumbiria fatalmente sob o peso de seus juízos absurdos…de suas frivolidades, sua credulidade, isto é, seu consciente” (Nietzsche: “A Gaia Ciência”)

    Esse é o risco da “4ª Revolução Industrial”, onde não teremos as soluções de Hermann Kahn e do Dr.Strangelove de S.Kubrick.

    Com meus respeitos,
    angelo poci

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