Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Educação resolve tudo

1 comentário

Este 2017 começou tumultuado com rebeliões e mortes em presídios. Não é surpresa, diante da crônica superlotação nas penitenciárias brasileiras. Há muitas lições a se extrair das tragédias. Se a política pública persistir na cultura do encarceramento geral e irrestrito, então é urgente multiplicar o número de estabelecimentos prisionais. Não é a solução mais singela, nem a menos dispendiosa. Há opções. Priorizar segregação apenas para quem deve ficar segregado. Não são todos os crimes que implicam em privação de liberdade. Privar de outras coisas pode doer mais. De dinheiro, de patrimônio, de frequentar certos lugares. Impor o trabalho como escarmento é muito mais doloroso do que trancafiar uma pessoa e deixa-la desocupada e dispensada de produzir.

Também é bom retomar projetos como estimulados pelo Ministro Gilmar Mendes, quando presidente do STF e do CNJ. Começar de novo, formação profissional, reinserção efetiva e viável, pois a pena cumpriria essa função imprescindível de resgatar o indivíduo para a licitude e o convívio social. A Igreja Católica tem uma Pastoral Carcerária importante. Assim como sistemas que foram banidos mas funcionam em Minas Gerais, como a APAC- Associação de Proteção e Assistência Carcerária. Iniciativas tópicas também existem. Mas é preciso que a sociedade inteira se engaje nessa missão que é dela. Sim. É dela, a mesma sociedade que não está sabendo prevenir a criminalidade, fenômeno precoce. Se tivéssemos uma rede protetiva da juventude entre 15 e 24 anos, eliminaríamos 90% dos problemas.

E é responsabilidade também da sociedade, sim. Não se diga que apenas do governo. Este é um coordenador de políticas públicas escolhidas pelo povo quando elege seus representantes. O que não dispensa o eleitor de fiscalizar, de opinar, de corrigir e de reclamar atitudes mais compatíveis com aquilo que ela espera de seu representante. O representado não tem o direito de permanecer inerte se o representante não atende às suas expectativas. Essa a características da democracia, sistema que escolhemos e ao qual precisamos ser fiéis.

Fonte: Diário de S. Paulo | Data: 12/01/2017
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Educação resolve tudo

  1. Estimado Prof. Nalini:

    Tivemos “Um Começo de Ano Escarlate”,que me parece um bom título literário para as obras de D.Hammet, Raymond Chandler ou Sir Conan Doyle; onde, via de regra os atores principais nessas estórias ficam sempre confusos,na metade do enredo, sobre quem seria o verdadeiro criminoso,isso após descartarem os improváveis e impossibilitados de cometerem o tipo penal.Assim, também o é na vida real; notemos nessa sede o maniqueísmo, qualificado apenas em 02 suspeitos. O mesmo acontece no “hic et nunc”,vale dizer: ”

    “Os dois maiores suspeitos ou acusados são o “Estado e a Sociedade”.

    De outra latitude, a sociedade,com muita razão, desacreditou-se de seu governo,vale dizer:

    “Ela é infensa aos Políticos,a Sociedade quer e precisa de Estadistas”

    Os trabalhos das pastorais da Igreja Católica atendem fielmente a vontade de D’Eus, por isso contam com sua perene proteção,a mesma benesse não se estende ao Estado,vale dizer; impeachement, corrupção, prisões de pessoas dos mais altos escalões do país e etc.

    Infelizmente,foi do modo acima ditado,é que se fizeram valer : O Princípio da Igualdade de todos perante a Lei” e que o Brasil ainda é uma Democracia.

    As facções criminosas se organizaram e adquiriram ‘status” de governo paralelo,a prova e selo de verdade é a mobilização da “Força Nacional” em alguns estados.

    Como sabido,um dos efeitos acessórios da condenação estatal é a suspensão de direito de voto do condenado”,mas esse fato não é um óbice para verdadeira democracia,no sentido de que a população carcerária seja ouvida pelo Estado e pela Sociedade,através de suas lideranças.

    A alvitrada audiência poderá ser realizada através de teleconferência com a presença do CNJ,STF e representantes da facções em disputa,e smj transmitida para a televisão aberta.

    À moda de Voltaire me despeço;

    “Mesmo que Vsª não tenha direito algum,garantirei até minha última gota de sangue,o seu Direito de ser ouvido”(livre tradução)

    Angelo Poci- advº

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