Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Fratura do material

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Aquilo que está acontecendo no mundo e o Bra­sil nele incluído é objeto de reflexão de pensadores que merecem atenção. O estudioso Philippe Schmit­ter, professor emérito do Departamento de Ciência Política e Social do Instituto Universitário Europeu e autor da obra “Transições de Regimes Autoritários – Conclusões Preliminares sobre Democracias Incer­tas”, esteve no Brasil na semana pós-Trump.

Sua leitura é a mesma de outros pensadores que analisam a situação e pode trazer luz sobre fenôme­nos que outros estranham, sofrem as consequências e não conseguem explicar. É que estamos numa fase em que os novos conceitos “torpedeiam os antigos e, nesse processo, as pessoas perdem a noção de per­tencimento a um grupo estabelecido”. As pessoas se sentem isoladas e manipuladas. É uma combinação de isolamento com ressentimento.

Quem é que não percebeu uma desconfiança generalizada nas instituições políticas? Não é apenas a corrupção endêmica. É um cansaço evidente, uma “fratura do material” político-partidária. O remédio era a comunicação direta com as categorias profissio­nais, com as associações de bairros, com a chamada “sociedade civil”. Mas ela hoje, segundo Schmitter, “está em declínio”. Tanto que as manifestações coleti­vas são o produto da sensação de anomia. São difusas e fluidas. Não têm organização, o que inviabiliza di­álogo ou negociação. Não deixam traço, a não ser as depredações, destruição de patrimônio público e pri­vado e sensação de desordem.

Os partidos políticos, para Philippe Schmitter, não conseguirão reverter o quadro: “acho que eles estão mortos. São um instrumento de representação ineficaz. Há uma pulverização de candidatos em mais partidos ou então os políticos fingem que não são de partido nenhum”.

O remédio seria enfatizar a participação dos ci­dadãos. Estes precisam se articular e lembrar que a promessa do constituinte foi a Democracia Participa­tiva. E também fortalecer as instituições guardiãs. Fa­mília, escola e igreja, principalmente, são chamadas a um protagonismo salvífico. Sem isso, o risco de um populismo de consequências nefastas não está longe do horizonte no Brasil e no restante do mundo.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 12/01/2017


JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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