Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Duas coisas enchem a alma

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É célebre a frase final da “Crítica da razão prá­tica” de Kant: “Duas coisas enchem a alma de uma admiração e de uma veneração sempre novas e sempre crescentes, à medida que a reflexão se aplica com mais frequência e constância: o céu estrelado acima de mim e a lei moral em mim”.

Emmanuel Kant é o mais citado filósofo ale­mão. Pode-se amá-lo ou detestá-lo. Só não se pode ignorá-lo. Nada obstante sua importância para o mun­do da filosofia, a “lei moral em mim” ficou muito es­maecida. Talvez até mais do que o céu estrelado, que a poluição impede enxergar nas grandes cidades.

Há uma similitude evidente entre a consciência moral e o espetáculo do mundo. Sêneca, em “Cartas a Lucílio”, já a detectara muito antes das lições kan­tianas: “Olho a sabedoria com a mesma estupefação com a qual, em outros momentos, enxergo o mundo, esse mundo que muitas vezes me acontece contemplar como se o visse pela primeira vez”.

Nós, contemporâneos, imersos numa vida ex­cessivamente requisitada, sem tempo para o essencial, mas com os minutos e as horas envolvidas em com­promissos, burocracia e futilidades, necessitaríamos de exercícios espirituais que nos devolvessem a capa­cidade de olhar o mundo e olhar para dentro de nós.

Se nos compenetrarmos de nossa insignificância perante o universo, do qual somos muito menos do que uma partícula de água cotejada com os oceanos, poderemos chegar à verdadeira humildade. E humil­dade conduz à tolerância, à ausência do preconceito, à vontade de redimir o mais fraco de sua fraqueza, de fazê-lo integrado nesta grande família humana, que se estranha, se agride e se mata.

Nossa fragilidade só não é maior do que nossa ignorância. Ignorância sobre o que vale realmente a pena, para transitar com dignidade por este curto per­curso de algumas décadas, não mais do que isso, por um caminho prenhe de incertezas e de inesperados.

Depende de cada um de nós fazer algo, por míni­mo que seja, para que as noites voltem a ser estreladas. Os compromissos para redução da emissão de carbono já foram firmados. É o cidadão que deve obrigar o go­verno a cumpri-los. Talvez, nessa tarefa, consigamos ressuscitar a lei moral dentro de nossos corações.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 23/01/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

 

estrelada

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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