Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Algo é absoluto?

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Não é necessário invocar Einstein e sua teoria da relatividade para chegar, empiricamente, à con­clusão de que pouca coisa merece o qualificativo de absoluto. Penso na polêmica da utilização de celular, smartphone, tablet e outras bugigangas eletrônicas em sala de aula. Hoje é proibido esse uso. Para deso­lação do alunado, todo plugado, acessado, antenado e mostrando que já nasce com “chip”, antes mesmo da internet das coisas generalizar tal uso.

Para o bem e para o mal, a virtualização veio para ficar. Quem é que hoje dispensa a comunicação móvel? Somos um dos países nos quais essa onda avassaladora mais avançou. Fácil verificar nas ruas, nos espaços fechados, em qualquer lugar, a dissemi­nação da cultura digital.

A Escola Particular não só já descobriu que o ensino se torna mais eficiente se contar com a cumplicidade do aluno – sua geração tem circuitaria neuronal digital, enquanto a nossa ainda é analógica — e se ele for chamado a participar de fato do seu processo de aprendizado.

Por isso é que os colégios, além de permi­tirem o uso do celular, criam games a serviço da melhor aprendizagem. A elaboração de jogos já in­tegra as grades curriculares, cativa a nova geração, ansiosa por ganhar autonomia e trabalhar de forma cooperativa.

Fazer “games” já é parte das atividades de Português, História, Geografia e Matemática. As es­colas já disponibilizam plataformas específicas com linguagem de programação e se servem de jogos que os alunos já conhecem, como o Minecraft. O aluna­do fica mais motivado, se engaja e mesmo se não receber a incumbência de criar um jogo, uma equipe desenvolve raciocínio lógico, aprende a se organi­zar, fica mais engajada e leva a sério o conhecimento gerado durante a concretização do projeto.

Algo que precisa ser ponderado é que estamos ensinando os jovens com a linha clássica e tradicio­nal das disciplinas compartimentadas, muitas das quais não interessam ao futuro do educando. Ele será chamado a exercer profissões que ainda não têm nome. Enquanto que o cardápio hoje oferecido como opção é destinado a desaparecer em poucos anos, assim como outras profissões já deixaram de ser necessárias.

É exatamente nas ciências exatas que precisa­mos formar uma geração interessada em pesquisa, em criatividade e em empreendedorismo. O desapareci­mento do emprego formal e a virtualização da vida precisará de programadores, analistas, engenheiros e técnicos, tecnólogos e profissionais de áreas em que o Brasil nunca foi exatamente um campeão.

A internet das coisas impõe a busca de ca­minhos nunca dantes percorridos. É o mundo das impressoras 3D, que o município de São Paulo já implementou num ambicioso projeto de laborató­rios públicos, chamados Fab Lab. É uma invenção do MIT, o famoso Instituto de Tecnologia de Mas­sachusetts, um dos mais respeitados centros de ino­vação em todo o planeta. Com a certeza de que má­quinas controladas por computadores serão capazes de produzir “quase tudo”, centenas de Fab Labs se disseminaram pelo mundo e impulsionaram a cha­mada “cultura maker”, ou seja, o espaço ideal dos “fazedores”.

O futuro já chegou e tem urgência de progra­madores, designers, marceneiros, modeladores, para fabricar produtos novos. Mais bonitos, mais durá­veis e mais baratos. É o momento de congregar to­dos os cérebros, estejam onde estiverem, e contem­plar a juventude sedenta por participar da educação e da edificação do mundo novo, que deixou perplexo o homem velho, nem sempre apto a responder com a urgência requerida pelos jovens, ao repto que a His­tória nos lançou.

Fonte: Correio Popular de Campinas | Data: 27/01/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Foto: A2img / Daniel Guimarães

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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