Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.


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Chance de se reinventar

A reforma do Ensino Médio pode ser a chance de reinvenção da escola. Todos concordam que ela não anda bem. Os alunos que chegam a essa fase intermediária foram os primeiros a detectar que o sistema atual já não funciona. Por sinal, ele perdura há séculos e nunca mereceu a unanimidade em termos de aprovação.

As aulas prelecionais já deram o que tinham de oferecer. O alunado é hoje plugado às redes sociais, não vive sem o seu celular, smartphone, tablet e o que mais vier. Obtém informações online e confia mais no seu equipamento do que no seu mestre. Aqueles que perceberam a profunda mutação cultural ocorrida nas últimas décadas não têm problema com suas classes. A maioria, infelizmente, enfrenta desinteresse, não consegue motivar o educando e assiste, impotente, a uma crescente evasão.

Permitir que o próprio aluno elabore sua trilha formativa é um passo ousado. Necessitará de um rearranjo na cabeça dos educadores. Como passar a um ensino praticamente individualizado, quando a receita é proferir a mesma aula para um coletivo que não interfere no conteúdo ministrado?

Essa é a grande barreira a ser transposta, para que o novo Ensino Médio atenda às expectativas. Mas não é impossível. Tanto que várias escolas já antecipam o eixo da reforma, oferecendo itinerários de estudo, aulas optativas e projetos de aproximação do aluno com o mercado de trabalho.

É preciso enorme esforço, dose imensa de vontade e até sacrifício para ofertar a um alunado em de­sânimo com sua Escola, novas opções de interesse. Visitas e estágios em outros lugares, que não a sala de aula, é muito atraente. Indústrias, empresas de servi­ço, jornais, televisões, hospitais, aeroporto, estações ferroviárias e rodoviárias, toda espécie de comércio, serviços, organizações não governamentais. É o mo­mento de mostrar à juventude como é a vida fora da escola.

Um desafio que poucos enfrentam é contar ao moço que as profissões com as quais hoje acenamos, não existirão mais quando ele for adulto. O ensino tem a obrigação de formar pessoas polivalentes, aptas a mudar de ramo, habilitadas a vencer obstáculos, pron­tas para a reinvenção que será um convite permanente para as gerações do amanhã.

O presente já necessita de um estudo criativo, proativo e inovador. Temos urgência em criar empre­endedores, e não será com as disciplinas hoje cons­tantes do cardápio, que teremos o resultado desse empenho.

Já sugeri e já pleiteei aos especialistas, que se sirvam dos próprios alunos youtubers, hoje em núme­ro mais do que suficiente para auxiliar a formatação de um Ensino Médio que saiba se servir de outros espa­ços e equipamentos de formação, dinâmicos, atraentes e significativos. Ensinar como uma forma de ter pra­zer, não como sacrifício, imposição, obrigação para a qual os pais têm de estar sempre atentos e vigilantes.

O professor, peça relevantíssima no processo de ensino e aprendizado, terá de assumir novo per­fil. Já não é o detentor exclusivo do conhecimento, com a chave do ensino para fazer com que o educando aprenda. Será mais um companheiro de jornada, um facilitador das descobertas que o aluno mesmo fará no decorrer do processo. O conhecimento precisará ser integrador e inovador, sem olvidar o desenvolvimento da autoestima e do autoconhecimento. Além do aluno empreendedor e proativo em busca de novas fórmulas de sobrevivência digna, ele terá de ser alertado para a urgência da construção de uma cidadania responsável e protagonista de seu próprio destino.

Essa missão conclama não apenas as escolas, mas as famílias e toda a sociedade. Não se espere uma congregação para fazer aquilo que você, como indi­víduo, pode fazer de imediato. Interessar-se pela edu­cação, aproximar-se da escola e fazer parte dessa ver­dadeira Revolução que mudará o Brasil para melhor.

Fonte: Correio Popular de Campinas | Data: 24/02/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Fonte: Marcelo S. Camargo /A2img

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Cara & Cara

O CEE – Conselho Estadual de Educação de São Paulo realizou um evento para celebrar os 20 anos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira. O expositor foi o Professor Doutor Carlos Roberto Jamil Cury, reconhecida autoridade no tema.

Dentre as várias ponderações tecidas durante o encontro, uma delas foi bem instigante. A educação infantil impregnou o universo do pensamento pedagógico. Tem-se noção bem sedimentada de que a creche não é o lugar onde as crianças permanecem para que as mães trabalhem. É o início de um longo e infinito processo de aprendizagem. Não é por acaso que ela se chama hoje “creche-escola”.

Ninguém tergiversa a respeito dos cuidados que a criança merece nos anos iniciais. É a faixa etária da assimilação das sensações, das primeiras impressões, do contato com o outro, dos traumatismos e das marcas indeléveis, que permanecerão vida afora.

Daí o crescimento da demanda por creches, em todos os municípios brasileiros. São Paulo tem 645 cidades e todas elas têm procura por esse equipamento educacional que se inseriu na realidade cotidiana. Por esse motivo, o projeto de edificação de creche-escola que o Governo do Estado implementou, oferece à municipalidade um modelo pedagógico exaustivamente estudado por pedagogos, arquitetos, educadores, psicólogos e especialistas na área.

Acomodações amplas, coloridas, com transparência que permite acompanhar de ambiente externo tudo o que acontece nas salas de atividades, nos berçários, nas dependências especialmente desenhadas para propiciar à criança tratamento condigno com a mais apurada qualidade de ensino/aprendizado inicial.

Esse investimento é muito dispendioso. Por isso a expressão “cara & cara” utilizada pelo conferencista do CEE. Cara como sinal de seu elevado custo, mas cara como adjetivo a exprimir o apreço que a comunidade destina a esse espaço do qual sairão crianças com expectativas muito ampliadas em relação às fases ulteriores de sua aprendizagem.

Vale a pena conhecer o projeto-padrão dessas creches-escola, principalmente quando elas já estão repletas de crianças de até 4 anos, vivazes e felizes, risonhas e peraltas, esperança nítida de que o Brasil tem tudo para dar certo.

Fonte: Diário de São Paulo | Data: 23/02/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Teu celular te condena

É muito comum que em todos os lugares peçam o número do celular. Lojas, questionários, pesquisas, tudo alega não poder prescindir dessa informação. Mas, ao fornecer esses nove números, estamos entre­gando nossa cabeça a prêmio. Pois eles não são apenas uma combinação de dígitos. Pode ser usado para obter informações pessoais, inclusive aquelas de posse das instituições financeiras e das redes sociais.

O celular monitora e prevê tudo o que você compra, o que vê na TV e permite o traçado exa­to do seu perfil de consumidor. O celular hoje é a chave para que se penetre em sua intimidade, tantas as informações que ele fornece. A advertência é de Edward M.Stroz, ex-agente de crimes de alta tecno­logia do FBI.

A questão é séria quando aos poucos todos vão deixando os telefones fixos para só se servirem dos móveis. Estes se converteram num portal a todo e qualquer tipo de informação pessoal.

Nos Estados Unidos, já se vivenciou a experiên­cia de um número único hoje utilizado como o maior veículo para a atual epidemia de roubo de identidade. É o número da Seguridade Social, criado em 1936, cujo objetivo era permitir que o sistema nacional de seguro mantivesse registros dos trabalhadores. Não deveria servir como número de identificação. Mas como foi disseminado e sua localização bastante sim­ples, tornou-se um identificador rápido e fácil. As in­vasões de identidade causaram prejuízo de 15 bilhões de dólares em 2015, afetados 11% dos americanos.

Se a técnica propicia a disseminação de ilicitu­des, ela também consegue debelá-las. Ou ao menos atenuá-las. Daí um aplicativo chamado Affirm, da startup homônima que oferece alternativa ao cartão de crédito em compras on-line. Dispõe de software que detecta as fontes de dados e aprova ou rejeita financia­mentos em alguns segundos.

Esse aplicativo fornece ao comprador na inter­net uma senha transitória, válida por 30 ou até 180 se­gundos. É uma espécie de comprovação da identida­de. Atenua, mas não elimina a possibilidade de fraude.

O celular, que qualquer criança hoje manuseia, se tornou algo perigoso para a segurança dos usuários. Dá a criminosos informações preciosas sobre rotina e dados pessoais. Por isso os americanos já se servem de outro aplicativo, o Sideline, que fornece um núme­ro fictício ao celular. É uma segunda identidade mó­vel. Logo pode ser também hackeada.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 23/02/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

 

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O passado tem futuro

Na ânsia de antecipar o amanhã, é comum reneguemos o passado. Tudo tem de ser “up to date”, ou seja, antenado com o que há de mais recente e pioneiro. Despreza-se o ontem e prestigia-se o que não se conhece e que ainda não aconteceu. Não aprendemos com o surgimento do inesperado. Nunca se errou tanto ao tentar prever o que nos reserva o futuro.

Num artigo recente, (“Quem detém o futuro”, OESP-27.11.16), o engenheiro Demi Tetschko, que tenho ouvido em vários ambientes e que é uma pes­soa muito lúcida, observou que a geração do milênio o importante é a rede, a conectividade e a interação vir­tual. Mas ele não consegue detectar o que certa parte da juventude estabelece como objetivo para a sua fase adulta. Aparentemente, ela prefere permanecer para sempre na adolescência. A tradução de seu pensamento poderia ser: “Se hoje o poder está em nossas mãos, porque o abandonaríamos decaindo a uma categoria de status inferior, como a dos adultos? ”

Mas os que acreditam no futuro sempre melhor, em detrimento do passado, do qual não se deve ter saudades, precisam se lembrar de G.K.Chesterton, em sua obra “O que há de errado com o mundo? ”, de 1910. Ele profetizou: “O futuro é um refúgio onde nos escondemos da competição feroz de nossos antepas­sados. São as gerações passadas, não as futuras, que vêm bater à nossa porta. O futuro é uma parede branca na qual cada homem pode escrever seu próprio nome tão grande quanto queira. O passado já está abarrota­do de rabiscos ilegíveis de nomes como Platão, Isaías, Shakespeare, Michelangelo, Napoleão. Posso mode­lar o futuro tão estreito quanto eu mesmo. Já o passado tem por obrigação ser tão amplo e turbulento quanto a humanidade. E o resultado dessa atitude moderna é este: os homens inventam novos ideais porque não se atrevem a buscar os antigos. Olham com entusiasmo para a frente porque têm medo de olhar para trás”.

Não é diferente o Marx do “18 Brumário de Luis Bonaparte”: “Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade, e sim segundo as escolhas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos”.

Quem é que está certo? Hegel, que tanto influenciou Marx, vaticinou: “A história nos ensina que a história não nos ensina nada”.

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Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 19/02/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.


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Orgulho paulista

Uma escola pública estadual de São Paulo, mais exatamente de Taquarituba, leva o nome do Brasil num evento de elevado prestígio internacional. É a Escola Estadual Prof. Dimas Mozart e Silva, região de Avaré, cujos alunos Letícia Cristina de Oliveira Castro e Vinicius da Silva Ferrari representaram a equipe sob a coordenação da Professora Viviane Cristina Silva Ramos em Abu Dhabi, por ocasião do encontro com os finalistas do Prêmio Zayed de Energia do Futuro, categoria “Global High School”, promovido pelo governo dos Emirados Árabes.

Desde 2013, os alunos da Escola Dimas desenvolvem projetos relacionados à sustentabilidade, como a participação na fase estadual da IV Conferência Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, com o tema “Vamos Cuidar do Brasil com Escolas Sustentáveis”. Em 2015, os alunos do Ensino Médio representaram a escola com o projeto “Lixo não…Adubo!”, na Feira de Ciências das Escolas Estaduais Paulistas.

A participação no Prêmio Zayed teve início nas aulas de Biologia e Ciências, com o debate sobre ideias, necessidades e sonhos dos alunos, no sentido de tornar sustentável a sua escola. Houve intensa participação de todos os estudantes e a elaboração do projeto levou em consideração a redução do desperdício, a melhoria da eficiência energética e a obtenção de menor consumo, a otimização do uso consciente da água, tudo com vistas a converter a escola num espaço propiciador da construção do conhecimento. Nesse sentido, propôs-se a confecção de tapetes que captam energia quando pisados (piezoelétricos), uso de placas fotovoltaicas no teto, cisterna para captação de água da chuva, construção de composteiras e ampliação da horta orgânica, revitalização dos jardins, criação da sala sustent-ação de Oficinas Sustentáveis, aquisição de balcões térmicos para o refeitório, substituição das lâmpadas incandescentes por LED, troca de torneiras e descargas, pintura e texturização da escola com tinta ecológica.

Todos se envolveram: os alunos, o Grêmio Estudantil, os professores, os gestores, os funcionários e as famílias. E São Paulo inteira deve se orgulhar do êxito dos alunos da Rede Pública que representam o Brasil como finalistas do Prêmio Sheikh Zayed, considerado o “Pai da Nação”, cuja vida e obra continua a inspirar o povo dos Emirados Árabes e serve de exemplo para todas as pessoas que se preocupam com o futuro do Planeta. Foi ele o transformador do território em que se estabeleceram os Emirados Árabes Unidos em 1971, numa das mais ricas e poderosas nações da Terra. Nascido em 1918, em uma das mais ilustres famílias do mundo Árabe, o caçula de quatro filhos de um dirigente de Abu Dhabi de 1922 a 1926 e neto do Sheikh Zayed bin Khalifa, que governou o Emirado de 1855 a 1909, o mais longo reinado em mais de três séculos em que a família Al Nahyan conserva o poder.

Embora possuindo enormes reservas de petróleo e gás natural, os Emirados Árabes Unidos se preocupam com a diversificação da matriz energética e propiciam estudos em todos os continentes, incentivando a juventude a elaborar projetos de sustentabilidade. Do Sheikh Zayed nasceu essa diretriz que ainda hoje perdura, doze anos após seu falecimento.

Horas antes do embarque para Abu Dhabi, a professora Viviane Cristina Silva Ramos e seus alunos Letícia Cristina de Oliveira Castro e Vinícius da Silva Ferrari foram recebidos pelo Governador Geraldo Alckmin, que se congratulou com eles e com a Escola Estadual “Professor Dimas Mozart e Silva”, de Taquarituba. Também estavam presentes o Secretário de Energia e Mineração, João Carlos de Souza Meirelles, que é um dos conferencistas no grande Encontro em Abu Dhabi e o Cônsul Mohame Al Dhanheri, dos Emirados Árabes, que acompanha os alunos brasileiros nesse memorável evento.

A esperança é de que São Paulo continue a produzir cada vez mais ciência e seus alunos sejam criativos e levem a sério a advertência de José Graziano, Diretor Geral da ONU para a Agricultura e Alimentação-FAO: “O planeta já esgotou a cota de irracionalidade no uso de recursos finitos; a tarefa compulsória do Século XXI será viabilizar o Acordo de Paris sobre o clima, reinventar formas de viver e de produzir para além do impasse”.

Fonte: Correio Popular de Campinas | Data: 17/02/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Foto: A2img / Daniel Guimarães


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Poesia não vende

É o nome original do livro de poesias de minha amiga, companheira na Academia Paulista de Letras, a renomada Renata Pallottini. Poeta e dramaturga pres­tigiada no Brasil e fora dele, oferece esta obra com 130 poemas de instigante inspiração.

Poesia é essencial para este mundo consumista, cuja rotina rouba os raros instantes de sensibilidade e nos faz escravos da burocracia e do politicamente corre­to. O poeta está numa outra dimensão. Sofre mais, é ób­vio, mas consegue enxergar dimensões imperscrutáveis para os autômatos, zumbis robotizados que respiram, caminham, trabalham, mas não têm tempo de amar.

Devorei o livro de uma só vez. A cada verso, impulsionava-me a vontade de prosseguir. E mencio­naria muitos, não fora o espaço que me é reservado para refletir e partilhar sensações com aqueles que têm a paciência de me ouvir. Mas me impressionei com “O passado”: “O passado é um cesto cheio de frutas secas. É preciso trincá-las, as doces e as salgadas. É preciso mordê-las, as amargas e as outras”.

Quem é que não encontra amarguras em sua história? Mas também garimpamos instantes mági­cos. Como os vivenciados com a linda e querida Lupe Cotrim Garaude, a quem Renata dedica outra poesia: “Todo poeta é uma flor que permanece/Espada aérea e franca/Contra a morte. Todo poeta é uma cor que per­manece/No olhar sobrevivente/E na luz das manhãs que voltam sempre/Lupe/Lume de azul/Longe beleza/ Antena sobre o espaço/E carne quente/Sílaba proferida, pesadelos/A transitoriedade que se esquece/Na luta pela vida/Passageira/Todo poeta é uma dor que permanece”.

Também me tocou o texto “A mãe”, que me trouxe recordações de minha permanência de 43 anos no sistema Justiça: “Meu filho está na sarjeta/Alguém matou o meu filho/Tinha poucos anos e/Poucas culpas o meu filho. Era drogado e vencido/O meu filho; e era moço. Igual aos ou­tros, meu filho/Era carne, pele e osso. Ninguém me disse por que/Alguém matou o meu filho. Acho que a alguém molestou/Acho que alguém o marcou. Para morrer, meu menino. Eu o pari, como sempre/Soem parir as mulhe­res; Com dor e com esperança/Como nascem as crianças. Alguém o ensinou a usar/Isso que usam os malditos. Di­nheiro sempre; dinheiro. Dinheiro e gozo da vida. Muita festa e muito ruído/E um amor mal resolvido; Não sei di­zer mais do que isso. Não sei dizer. Está dito”.

Sedutor o livro de Renata Pallottini. Há uma sequência chamada “Vida de cachorro”, que merece resenha à parte. A palavra está com os mais doutos. Quanto a mim, só posso dizer que recomendo a leitu­ra. Faz enorme bem para a alma.

 

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 16/02/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.


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Geração conectada

Um dos analfabetismos que está sendo aceleradamente erradicado é o digital. Vejo pessoas de todas as idades navegando bem pela internet, desenvoltos com seus smartphones e se deliciando com a possibilidade de comunicação on line com pessoas em todas as partes do mundo.

A Revolução das TICs – Tecnologias de Informação e Comunicação vieram para ficar. O Brasil hoje está conectado. A parcela dos excluídos digitais passa a ser inexpressiva. Somos líderes em navegação e redes sociais. A cada dia melhoram os índices do acesso à rede. Em 2015, tínhamos metade do Brasil conectado. O Sudeste vencia esse campeonato, com 60% de conectividade. Hoje tais percentagens já melhoraram.

Somos o segundo no uso do Twitter, o terceiro no Facebook, também no Instagram estamos entre os primeiros. Tudo se tornará a cada dia mais veloz, porque a internet das coisas está aí e já produz frutos, principalmente no setor segurança. Mas isso é apenas o primeiro passo. Há muitos caminhos a serem percorridos e a cada dia teremos uma surpresa.

Daí a urgência de se fazer as concessionárias de telecomunicações cumprirem de maneira satisfatória a obrigação de oferecer acesso de qualidade a cada escola pública. Esse dever consta dos primeiros contratos e a previsão era que a cada seis meses, a concessionária faria uma revisão para requalificar a oferta, sempre no sentido de aprimorá-la. Ou seja: o compromisso é oferecer à escola pública serviços de idêntica qualidade aos oferecidos comercialmente.

Importante que isso seja levado a sério, porque de nada adianta prover as escolas de lousa digital, permitir que alunado e professores usem pedagogicamente o celular, se não houver possibilidade de acessar a internet.

Nossos jovens mostram uma desenvoltura singular ao se servirem desse cardápio digital. Têm familiaridade com os aplicativos, sabem procurar e encontrar respostas para tudo, fazem pequenos filmes, se divertem e estão continuamente conectados.

Que isso sirva para construir uma cidadania mais unida e mais pronta a colaborar com ideias, controle, fiscalização e acompanhamento de todas as políticas públicas. E que a mentira, a “pós-verdade”, o preconceito e a agressão venham a ser banidas desse uso virtual, pois não é disso que o Brasil precisa para se tornar a grande Nação de nossos sonhos.

Fonte: Diário de São Paulo | Data: 16/02/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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