Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Sagrado egoísmo

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A “era das incertezas” precipitada pela eleição de Donald Trump está preocupando a lucidez, enquanto anestesia quem não pensa. Para estes, o mundo vai melhorar.

Um discurso que ignora o resto do mundo, con­centra-se nos Estados Unidos e promete devolver em­prego, fortalecer a economia e banir os que incomodam, é sedutor para quem sofreu os efeitos da globalização.

Há quem pressinta o risco de conflito mundial, se a promessa de não tomar conhecimento do que acontece no resto do planeta vier a ser cumprida. To­das aquelas nações ávidas de protagonismo e de hege­monia sobre suas áreas de influência haverão de testar esse alheamento do Grande Império do Norte. Pode­rão invadir territórios alheios, fazer uso de força, na certeza de que ninguém as tolherá.

Para os otimistas, isso é bom para o Brasil, que poderá se aproximar dos demais países em condições análogas e fazer bons negócios com a China, a Rússia, a Índia e mesmo com a Comunidade Europeia.

Houve quem comparasse Trump a Jânio Qua­dros, que teria feito 100 anos em 25 de janeiro de 2017. Folclórico, inteligentíssimo, à falta de twitter usava os famosos bilhetinhos. Não considerava parti­dos e só obedecia a seus instintos. Não chegou a uma gestação. Renunciou em agosto de 1961.

O discurso de posse do 45º Presidente norte­-americano, o mais idoso e o mais rico, foi populista, xenófobo e protecionista. Lembra o argumento de Vi­torio Emanuele Orlando, diplomata italiano, a justi­ficar a pretensão da Itália de crescer territorialmente, quando do término da 2ª Guerra Mundial: o influxo de um “egoísmo sagrado”, natural em terra provida de verdadeiros patriotas.

Sem comparar e sem transplantar realidades di­ferentes, uma gota, um grama, outra qualquer minús­cula quantidade desse “egoísmo sagrado” são extre­mamente necessários neste momento histórico. Talvez servisse a motivar os brasileiros a uma reação histó­rica: falta consciência, vontade e coragem para que todos assumamos nossas responsabilidades em rela­ção a esta Pátria tão necessitada de carinho, cuidado e trabalho. Será que o orgulho ianque pela sua nova fase trará algum reforço ao nosso combalido patriotismo?

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 05/02/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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