Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Pedagogia da emergência

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Quem se acostumou a reclamar do Governo, o onipotente e onisciente provedor de todas as neces­sidades, pretensões e idiossincrasias, precisa de um choque de realidade. A crise brasileira é insignifican­te, se comparada com o que ocorre em outros países. A Síria é um exemplo. Nada como olhar para outro cenário e concluir que ainda estamos numa situação privilegiada. Guerras e catástrofes naturais causam consequências trágicas em milhões de pessoas, das quais as mais prejudicadas são as crianças.

O professor alemão Bernd Ruf criou a chama­da “pedagogia da emergência”, utilizada para socorrer pessoas vulneráveis como aqueles que estavam na Fai­xa de Gaza, no Haiti pós-terremoto, no Japão pós-tsu­nami e no Iraque atual.

O trabalho com crianças traumatizadas mostrou a Bernd Ruf que é preciso trabalhar com quatro fases: a primeira é a do choque. Surgem reações fisiológi­cas: dor de cabeça, taquicardia. A segunda é a reação pós-traumática, na qual aparecem os sintomas de en­rijecimento da musculatura da face, palidez da pele, onde os olhos se arregalam. Se os sintomas não forem tratados, a enfermidade se torna crônica e mais gra­ve. Já a quarta, mais rara, é a mudança permanente de personalidade. A pessoa pode se tornar antissocial, delinquente, depressiva ou agressiva, adquire vícios e precisa de drogas para sentir alívio.

Nem sempre – ou quase nunca – a criança con­segue verbalizar seus sentimentos. Por isso a metodologia Waldorf, seguida pelo mestre, usa formas artís­ticas: pintura, desenho, composição de música. Jogos lúdicos, como pular corda, formar uma roda, que sig­nifica harmonia, enfim, trabalha-se a alegria. “A alegria cura, fortalece o sistema imunológico, enquanto o estresse nos deixa doentes”.

Se isso é vital para as crianças refugiadas, o método serve também para outras hipóteses, não necessariamente só para guerras ou cataclismos. O trauma pode ocorrer por acidentes, criminalidade, roubo, intervenções médicas, abuso sexual. O importante é que a criança se sinta incluída, amparada e amada. Sem isso, não há se falar em recuperação. É missão gratificante resgatar a autoestima desses infantes privados de suas famílias, de seus lugares de origem, da despreocupação própria à faixa etária para que cresçam em alegria e equilíbrio, aptos a renderem homenagem à vida.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 12/02/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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