Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Vamos para os games

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A educação precisa de um choque. Montaigne, em seus “Ensaios”, já advertia que aulas prelecio­nais não conseguiam o milagre de ensinar a aprender. Como é que o mesmo conteúdo, transmitido a dezenas de seres heterogêneos, cada qual com sua história, sua etnia, sua origem, suas ambições e aspirações, suas angústias e idiossincrasias, pode produzir o mesmo resultado?

Ensinar, está comprovado, é um projeto indivi­dual. Quem se apercebeu disso e consegue contemplar cada aluno como um ser especial, consegue façanhas. Quem não se apercebeu fica desanimado, perde o en­tusiasmo e não vê como poderia mudar a situação.

É urgente assenhorear-se das novas tecnolo­gias, todas disponíveis e acessíveis, para mudar ra­dicalmente o ensino. O professor de hoje tem de ser um facilitador, um orientador que estimule o aluno a construir sua própria senda de aprendizado. E nisso, encontrará farto material já produzido pelos especia­listas em jogos eletrônicos.

A informática entrou na vida real das crianças com os seus “games”. Os modelos singelos das déca­das passadas foram substituídos por propostas sofis­ticadas, em ritmo paralelo ao progresso tecnológico. Hoje, os jovens cada vez mais cedo adentram ao mun­do virtual e se tornam desenvoltos navegadores das redes sociais.

Os jogos excitam e atraem. Constituem diversão, mas instrumento de treino das habilidades mentais. Fornecem um acervo de habilidades ao ser educando. Aprende-se de forma divertida, sem a conotação de castigo, obrigação ou dever que não deixa espaço para o protagonismo do ser educando.

Há inúmeras boas obras que podem ser consul­tadas pelos professores interessados em propiciar esse novo instrumento ao seu alunado. O livro “Eu jogo, tu jogas, nós aprendemos – experiências culturais eletro­lúdicas no contexto do ciberespaço”, de Gilson Cruz

Júnior, vê os games como poderosos aliados na educa­ção. Além de preparar o estudante para a cultura digi­tal, converte a diversão em alegrias culturais.

Vale também consultar “Jogos eletrônicos e Educação: Construindo um roteiro para sua análise pedagógica”, de Victor de Abreu Azevedo. Procede a uma análise pedagógica dos “games”. O jogo impõe tudo aquilo que a escola também reclama: atenção, concentração e aprendizagem.

Já Thiago Godolphim Mendes escreveu “Games e Educação: Diretrizes de projeto para jogos digitais voltados à aprendizagem” e fornece diretrizes para produção de games, o que deveria ser estimulado nas Escolas em que o jovem já não encontra alegria em estudar e prefere a evasão.

Outro livro interessante é “Games e Educação: Potência de aprendizagem em nativos digitais”, de Pedro Henrique Benevides Abreu. Após consistente pesquisa, concluiu que aprender games desenvolve a concentração, atenção, memória e raciocínio lógico.

É preciso assumir a incontrolável realidade con­temporânea: a circuitaria neuronal da infância e juven­tude em nossos dias é inteiramente digital. A de minha geração é analógica. Por isso o estranhamento muitas vezes. Mas a receita é clara e factível. Permitir que se democratize o jogo-saber entre os alunos e, principal­mente, entre os educadores. O alunado já navega com eficiência e muita habilidade pelo universo digital. Quanto mais cedo os educadores se apropriarem da­quilo que não constitui mais novidade para os nossos alunos, melhor para o aprimoramento da educação.

Vale também consultar o trabalho final do curso de especialização da Universidade Federal de Itajubá, da professora Laís Akemi Nishiyama, de cuja síntese me servi para aderir à tese da urgência de adoção da cultura digital na educação pública brasileira.

Fonte: Correio Popular de Campinas | Data: 03/03/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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FOTO: Diogo Moreira/A2IMG

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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