Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Qual a chance de dar certo?

1 comentário

A pior recessão da História do Brasil longe está de terminar. Além dos doze milhões de desempregados, há mais de dez milhões subempregados. Há milhões que deixaram de procurar emprego. Há outros milhões vivendo na miséria, abaixo da linha da pobreza.

Enquanto isso, os empresários são chicoteados pelo sistema. Pelo governo, que impõe carga tributária que inviabiliza a iniciativa privada. Pelo sistema de Justiça, que, por deformação ideológica, nutre ojeriza pelo lucro. Por aqueles mais afetados pela crise, que são os alucinados em busca de emprego, mas que sempre têm ressalva contra os patrões.

O governo precisaria ser mais ousado em suas propostas. Para começar, acabando com o carnaval dos quase quarenta partidos políticos, os quais têm de ser “cativados” para propiciar a governança de coalisão. Acabar com o fundo partidário, que sustenta o supérfluo e nada faz para incluir a população no conceito consistente de cidadania. Os fundos partidários deveriam cuidar da educação cidadã, propiciar principalmente ao jovem um letramento consistente, uma formação apropriada a que ele se qualificasse para exercer liderança comunitária.

É óbvio que o governo não tem condições de se autolimitar, de reduzir a máquina perdulária, de impor uma economia de guerra, de acabar com tudo o que é desnecessário. Como repete à exaustão o Ives Gandra, o Brasil não cabe no seu PIB. É preciso acabar com a ilusão.

A comunidade jurídica, no seu crescimento ao infinito, precisa adquirir o juízo de ajudar o Brasil da utopia a se aproximar do Brasil da verdade. E na verdade não há como atender a todas as demandas, pois tudo nesta República é direito fundamental e é judicializável. O discurso dos direitos fundamentais infinitos encontra um Estado impotente, praticamente falido, sem forças para fazer as reformas necessárias. Que são duras, geram sacrifícios, mas só elas poderiam recambiar o Brasil para o rumo em que se encontrava há algumas décadas.

Diante das ocorrências diárias, das surpresas e dos sustos, da imobilização daquilo que deveria estar em continência e pronto a agir, parece não existir muita chance de dar certo. Embora tenhamos de torcer ao contrário do panorama que se vislumbra aqui da planície, onde o que resta é rezar.

Fonte: Diário de São Paulo | Data: 30/03/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Qual a chance de dar certo?

  1. Há quase exatos um mês atrás, o Dr. José Renato Nalini, atual Secretário de Educação da Federação Paulista, teceu comentários sobre a situação calamitosa que se encontra a nossa “querida” economia brasileira. O título da matéria publicada no tabloide “Diário de São Paulo” era “Qual a Chance de Dar Certo”.
    Entre tantos comentários desalentadores, ao menos o Secretário termina: “Embora tenhamos de torcer ao contrário do panorama que se vislumbra aqui da planície, o que resta é rezar”.

    Costumo fundamentar meus argumentos com números e estatísticas. Desta vez não o farei e digo o porque: Os fatos estão tão cristalinos à nossa frente, que dispensa lupa, números e etc.
    A verdade é que desde que saímos do horrendo “desgoverno” do caos, nas mãos de uma sigla partidária de nome extremamente contraditória: Partido dos Trabalhadores, que nunca teve nada de Partido e muito menos de Trabalhadores, ao contrário eram disseminadores da discórdia e da indolência, o país começou a voltar a normalidade.

    Aonde estão os mais de 70 milhões de brasileiros indo às ruas pedindo o impeachman de uma Presidente? Aonde estão os inúmeros mercadores da lei que nas alcovas em troca de propina de valores imensuráveis, desviavam dinheiro da educação, da saúde, da segurança pública, do próprio judiciário para encher seus cofres deletérios escondidos em sorrateiras contas em paraísos fiscais? Estão a caminho da cadeia, onde nunca deveriam ter saído, pois já nasceram, como dizia um juiz, com a personalidade voltada para o crime.

    Há boas notícias para o nosso sistema carcerário, ele se fará presente com bons perfumes, boas camareiras, televisores plasma, colchões ortopédicos, afinal lá, dentro, presumimos, a lei igual para todos, e se assim ainda não for, seus muito bem pagos advogados farão o ser, a cumprir direitos fundamentais.
    Não queria me estender mais quanto aos bons agouros que iluminam nosso horizonte econômico, ficaria somente na seguinte frase de Thomas Jefferson: “quando a liberdade se faz ameaçada devemos permanecer em eterna vigilância”.

    Por que encerro com essa frase? Porque ainda que eu acredite em tudo que disse acima, tudo que disse acima é uma tendência.
    Os criminosos ainda não foram presos, de fato, a economia ainda não deu sinais de reação permanente, mas a frase cabe muito bem porque eles soltos, os causadores de tudo isso, com advogados muito bem pagos, pagos, inclusive, com proventos que poderão ser devolvidos, por isso cuidado senhores membros da OAB sobre a presunção lícita da origem dos pagamentos! É só uma advertência. Em fim como esta imensa genética para o crime ainda não se esgotaram todos os seus recursos e instâncias de defesa, eles podem ser inocentados, ainda que culpados!

    Por isso a nossa liberdade, a daqueles que querem trabalhar para o país, que não são mercadores da lei, que não tem nada com a destruição perpetrada nesses mais de uma década e meia de poder, devem manter cautelosos e vigilantes, pois se tudo começar a voltar atrás, ai sim, eu fico com a frase do nossa Secretário da Educação: Não nos restará outra coisa a não ser rezar.

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