Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Pais, acordai!

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A Organização para Cooperação e Desenvolvi­mento Econômico (OCDE) avalia trienalmente estu­dantes entre 15 anos e 3 meses completos e 16 anos e 2 meses, que estejam matriculados em instituições educacionais do país participante e cursem no mínimo a 7ª série. Além de 35 países que integram a OCDE, outros 35 países parceiros também se submetem à avaliação, inclusive o Brasil.

Os testes levam em consideração a área cogni­tiva de ciências, sendo avaliadas também a leitura e a matemática. Os resultados indicam o perfil básico de conhecimentos e habilidades dos estudantes, como tais habilidades são relacionadas a variáveis demográ­ficas, sociais, econômicas e educacionais e as tendên­cias que acompanham o desempenho dos estudantes e monitoram os sistemas educacionais ao longo do tempo.

Parte-se de uma indagação: “O que é importante os cidadãos saberem e serem capazes de fazer? ”. É isso o que a OCDE se propôs a responder e, para isso, lançou em 2000 o Programa Internacional de Avalia­ção de Estudantes-PISA, a sigla pela qual se tornou conhecido no mundo.

Em 2015, participaram desse teste 23.141 estu­dantes de 841 escolas do Brasil e pela primeira vez, a aplicação foi totalmente computadorizada. Os resulta­dos não são os mais gratificantes. Em ciências, o per­centual de acertos não ultrapassou 41,6% na melhor performance. Somente 3 em cada 20 itens apresen­taram proporção de acertos igual ou superior a 50%. Quanto à competência “interpretar dados e evidências cientificamente”, apenas 33,7% obtiveram respostas corretas.

Não é melhor o quadro da leitura. O letramento é de extrema relevância, pois mostra a compreensão e utilização dos textos escritos, bem como a capacidade de o contato com estes suscitar reflexão e envolvimen­to, a fim de alcançar um objetivo, desenvolver conhe­cimento e potencial e poder participar ativamente da sociedade.

A média de respostas corretas não ultrapassou 41,4%, muito inferior à média obtida pela Finlândia (65,5%), Canadá (64,9%), Coréia do Sul (64,4%), Es­tados Unidos (60,0%), Portugal (59,9%), Espanha (59,8%) e Chile (51,9%). O pior é que 51,0% dos estu­dantes brasileiros estão abaixo do nível 2 de leitura, pa­tamar que a OCDE estabelece como necessário para que o estudante possa exercer plenamente sua cidadania.

Na aferição do conhecimento em matemática, apenas um em cada nove itens apresentou proporção de acerto igual ou superior a 50%. O nível de difi­culdade dos itens de matemática para os jovens bra­sileiros foi maior que o de outros países da América Latina. 70,3% dos estudantes estão abaixo do nível 2 de Matemática, patamar estabelecido como necessá­rio para que o jovem possa exercer plenamente sua cidadania. Esse percentual atinge 90,5% na República Dominicana.

As lições extraíveis do Pisa devem ser assimi­ladas por todos. Algo que se impõe é assumir o com­promisso de fazer a criança ler e escrever como hábito regular, normal e prazeroso. A escola não desenvol­ve um trabalho sistemático de leitura/escrita de todos os gêneros didáticos. Todas as áreas de conhecimen­to são chamadas a esse contínuo, permanente e sério exercício de leitura. Para conhecer bem as ciências, é preciso que o estudante saiba vocabulário científico, se aproprie dos gêneros e tipos textuais, explore múl­tiplas linguagens e adquira proficiência verbal.

Isso é tarefa só da escola? Não. É também da família, titular do dever de educar, segundo a Consti­tuição Federal de 1988. O artigo 205 da Carta Cidadã é muito clara: educação, direito de todos, dever do Es­tado e da família, em colaboração com a sociedade.

Todos somos chamados a reagir a essa avaliação que representa uma advertência: se quisermos futuro digno para o Brasil, cada um tem de fazer sua parte. E os pais, ou quem ocupe seu lugar, são fundamen­tais, essenciais e imprescindíveis. Atentai, pois, para o aprendizado de seus filhos!

Fonte: Correio Popular de Campinas | Data: 31/03/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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