Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A internet piorou a sociedade?

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Quem sustenta isso é o historiador Andrew Keen, no livro “A internet não é a resposta”. Ele já havia lançado a “Vertigem Digital” e é um crítico da web. O autor conta como foi criada e se desenvolveu a rede. Foram cientistas do MIT – Instituto de Tecnolo­gia de Massachusetts, nos anos 1940, que faziam tra­balhos para o governo americano e são considerados os trisavôs da internet.

O questionamento de Andrew Keen vem na linha das perguntas polêmicas: A internet tornou o mundo mais transparente? Fortaleceu as democracias ocidentais? Desenvolveu uma cidadania global conec­tada? Há mais diversidade por causa da rede? Ela deu voz a quem não tinha?

Segundo o autor, nada disso aconteceu. Ocorreu que o mundo ficou mais mensurável, porque a internet conta os passos das pessoas, seus batimentos cardía­cos, a sua pressão arterial. Tornou visível o que antes parecia invisível.

Na disseminação do ideal democrático ainda é pior o quadro. A desenvoltura com que os Estados Is­lâmicos se utiliza das mídias sociais é um prejuízo à causa do governo de todos para todos, mas reforça o fundamentalismo.

No âmbito doméstico, as redes sociais apenas proliferam a maledicência, o bullying e a divulgação da mentira. As “fake news” são muito mais críveis do que a verdade. Tanto que a palavra do ano em 2016 foi pós-verdade.

Porém, criticar é fácil. O fato é que a internet se converteu num fenômeno universal. Se propaga o mal, também propaga o bem. Foi ela que permitiu a chamada “Primavera Árabe” e consegue juntar milha­res ou milhões de pessoas a um chamado. Conectou a todos, inclusive os sem caráter, os sem princípio, os sem compromisso com o bem.

Mas permite o acesso ao conhecimento e à in­formação. Alguém que tiver curiosidade intelectual está apto a desvendar a sabedoria acumulada pela ci­vilização de maneira a sobrepujar os pensadores da antiguidade. Apropriar-se desse tesouro resultante da criatividade do ser humano é um privilégio para quem quiser se tornar melhor, à proporção que vier a desvendar os segredos da ciência e os mistérios do mundo.

A internet veio para ficar. Perguntem a qualquer criança ou jovem desta geração. Até sua circuitaria neuronal é digital. Façamos bom uso dessa dádiva.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 03/04/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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