Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A mãe das reformas

1 comentário

Concordo com os observadores que reclamam a reforma política no Brasil e a consideram a mais importante e urgente de todas as reformas. Não é possível que cerca de quarenta divisões pretendam ostentar uma diretriz autônoma, distinta e original, quanto ao que se concebe como Nação e como projeto de governá-la.

O excesso de partidos políticos no Brasil é nefasto. Comece-se pelo Fundo Partidário, que cresce a cada dia – acena-se com quase R$ 4 bilhões este ano! – e que sustenta minorias cada vez menos representativas. Não é possível que o povo tenha de manter opiniões que não logram convencer ninguém e que só existem para atender a interesses menores do que a paróquia. Interesses domésticos e nem sempre condizentes com a melhor concepção do que deva ser a política.

“Os partidos se multiplicaram, desde que se possa ainda chamar de partidos agrupamentos ocasionais, nascidos de um dia para o outro, sem história e sem futuro e, além do mais, sem sentido”. A afirmação é do notável Norberto Bobbio, no livro “Contra os novos despotismos – Escritos sobre o berlusconismo”, obra da qual se pode extrair muita utilidade para o Brasil.

Depois, a multiplicidade de partidos impõe o chamado governo de coalizão. Reunião de diferenças nem sempre compatíveis, forçando convívio artificial e mantendo a tensão da desconfiança.

Quando a confiabilidade é o cimento que entrelaça as relações entre políticos que levam a sério a sua missão de oferecer tempo, energia, força de trabalho e infinita paciência para perseguir o bem comum.

É urgente se faça uma reforma política profunda e estrutural. Que reabilite a política partidária, hoje tão ferida em virtude da descrença da população em lideranças que frustraram as expectativas e produziram imenso e duradouro mal à Nação. Que haja sensibilidade nos que ainda têm coragem de permanecer no front e que são os responsáveis pela devolução da esperança a um povo sofrido e descrente.

Fonte: Diário de São Paulo | Data: 06/04/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

congresso

Anúncios

Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “A mãe das reformas

  1. Ontem, Sábado, 29.04.17 – A entrevista com Pedro Simon, na TV Senado – A Entrevista com Luiz Ignácio Lula da Silva, no SBT – (hoje a televisão dita a Moral. Antes era a Família, a Igreja e a Escola, palavras de Pedro Simon, Senador pelo PMDB do RS). Paulo Brossard e Almino Afonso.

    Os Sonhos de um homem que nasceu em Caxias do Sul, de um gaúcho de fazer um Brasil melhor.
    Pedro Simon dá um depoimento no canal Senado, revelador, não somente sobre a trajetória de sua vida, mas um depoimento de um homem que viveu o século XX em momentos da vida nacional que marcaram a nossa história.

    Ele revela com Lucidez que esteve presente na morte de um Presidente, na Revolução de 1964, na Redemocratização de 1985. É um depoimento histórico sobre o olhar particular de um homem que participou de todas essas fases marcantes onde sua experiência é transmitida de quem conheceu muito bem não só o seu país, mas o Estado em que nasceu, Rio Grande do Sul.

    Umas das afirmações de Pedro Simon que mais me surpreendeu foi sobre o engano de que Getúlio Vargas fez muito pelo Rio Grande do Sul. Diz Pedro Simon: “(…)Getúlio fez muito pelo país, em especial pelo Estado de São Paulo.(…)”.

    Pedro Simon revela também uma preocupação com a integração da América do Sul. Ele diz do medo constante da Argentina ameaçar com uma guerra contra o Brasil, desde o Império e República em diante. Tanto que ele diz que até hoje a região de Uruguaiana é fortemente militarizada o que a levou a um atraso industrial, agrícola e comercial.

    Se houvesse uma verdadeira integração na America do Sul, Argentina, Chile, Paraguai e Brasil seriam quatro nações de grande desenvolvimento econômico a décadas. Ele afirma da importância do Rio Grande do Sul nesta geopolítica, integrando o Pacífico aos Estados do centro-oeste e sudeste, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo.

    Pedro Simon governou seu Estado, foi Senador por várias legislaturas e, talvez, o seu maior legado seja esse justamente, fazer política com dignidade, patriotismo e amor. A maior mensagem que ele deu é de que valeu a pena e que ele se sente com o seu dever cumprido. Almino Affonso, Pedro Simon, e Paulo Brossard são grandes lembranças que eu tenho de grandes políticos construtores do Brasil.

    Parabéns Pedro Simon, sua mensagem será sempre lembrada por todos aqueles que acreditam que o Brasil tem jeito sim, que o brasileiro precisa retomar a sua confiança própria, que o Estado brasileiro pode ter referências boas, e, finalmente, que basta buscar na nossa memória exemplos como esses que nos revigora a sermos protagonistas de que a política ou o ser político não é uma espécie em extinção, ao contrário, pode ser reinventado, com os bons exemplos que a história esta aí aberta para a nossa ação no presente e esperança no futuro

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s