Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Dois erros brutais

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A reforçar a percepção de que a Humanida­de está seriamente enferma, dois graves erros foram cometidos há pouco por duas importantes Nações. O Executivo norteamericano retrocedendo no combate aos efeitos do aquecimento global e a Inglaterra com o “Brexit”, sua saída inglória da União Europeia.

Que são erros crassos concorda a maioria dos observadores do cenário internacional. O paradoxo é que a China, considerada grande poluidora, elogiou os esforços de todo o Planeta para coibir a nefasta atua­ção da espécie racional que ameaça qualquer espécie de vida na Terra. E no momento em que está patente a fragilidade do mundo, a urgência na coesão, na dis­seminação da solidariedade e de uma utópica frater­nidade, a Grã-Bretanha fecha as portas ao continente.

Parece, à distância, o declínio da consciência de duas ex-potências. Os Estados Unidos já não repre­sentam o monopólio do poderio, nem a Inglaterra é aquele “Império onde o sol nunca se põe”.

De qualquer forma, ninguém ganha com isso. Não podemos nos alegrar no Brasil, onde a torcida contra o am­bientalismo leva a melhor, a se considerar os índices de desmatamento, a “pós-verdade” no sentido de que temos as maiores reservas florestais do mundo, a troca do imediato – a melhora na balança comercial – pelo futuro lon­gínquo: o depauperamento de nosso patrimônio ecológico.

Os otimistas afirmam que os Estados Unidos têm um sistema de autonomia dos Estados-membros que pode atenuar a insensatez da União. Os pessimis­tas dizem que todos sofrerão consequências, mesmo aqueles que prometem tratar bem a natureza, embora na prática nem sempre o façam. Caso emblemático: o Brasil. O País que foi saudado como pioneiro na defe­sa do ambiente, que recebeu todos os outros na Rio 92 e que dez anos depois retrocedia até mesmo nos prin­cípios, debilitados em 2002 em Johanesburgo e muito mais frágeis na Rio + 20 em 2012.

Resta às novas gerações fazer cessar os contí­nuos atentados contra aquilo de que nos orgulhamos e que proclamamos sem cessar: biodiversidade, flores­tas, água doce. Tudo o que desprezamos e desperdi­çamos no dia-a-dia. E se os ingleses querem distância dos demais europeus, tentemos nos aproximar de nos­sos irmãos, de nossos vizinhos, de nosso quarteirão, de nossa rua, nossa cidade e assim por diante. O que resta é resistir à insensatez.

 

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 06/04/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

Floresta

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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