Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Dá para espalhar

3 Comentários

O derrotismo e a falta de alen­to não constituem a regra quando se cuida de verificar o que se faz no Brasil para alavancar o gosto pela leitura. Se as livrarias estão regis­trando natural queda de receita, pois as vendas se retraem no mo­mento de crise, há sinais de vitali­dade que não podem ser ignorados. Assim os “Clubes de Leitura”, que já foram populares há algumas dé­cadas, voltam e são impulsionados por jovens antenados, bem pluga­dos às redes sociais e que, mesmo assim, não dispensam o achego ao livro de papel.

Quem não se lembra do “Cír­culo de Leitura”, que propiciava ao assinante um livro por mês, de lite­ratura essencialmente brasileira e que conseguiu disseminar o gosto por autores que não chegariam aos olhos do leitor não fosse adotada essa inte­ligente estratégia?

Agora os “Clubes” são temáti­cos, editam obras esteticamente atra­entes, com gravuras especiais, com embalagem que já encanta a visão, mesmo antes de ser aberta.

O público infantil também é lembrado. Sabe-se que o amor ao li­vro nasce em casa. O lar é a primeira biblioteca. Ninguém substitui a mãe ou o pai, ou melhor ainda, ambos, a contar estórias e a entusiasmar a criança no mergulho irreversível pela fantasia e pela aventura que um bom livro oferece.

Outro aspecto interessante des­se fenômeno é a multiplicidade das fórmulas de se editar um livro. Era muito difícil publicar. Hoje, até em casa se consegue imprimir uma obra, ainda que não ostente a qualidade técnica e o esmero de uma produção profissional.

O hábito de se distribuir livros por lugares de grande fluxo de pes­soas é também saudável e simbóli­co. Mais bonito ainda seria a proli­feração desse costume saudável e leitores oferecerem os livros já lidos a espaços que necessitam da colabo­ração de doadores. Principalmente as salas de leitura das escolas, as bi­bliotecas dos abrigos, dos asilos, das casas de repouso, das prisões, dos hospitais.

Motivar uma criança à leitura é fornecer-lhe diretriz segura para um futuro digno. Quem é seduzido pelo amor às letras saberá encontrar des­tino compatível com a excelência da espécie humana, vocacionada à per­fectibilidade, embora nem sempre pareça convencida disso.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 24/04/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

livros

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Dá para espalhar

  1. Secretário, José Renato Nalini, segue abaixo algumas considerações sobre o tema “leitura”.

    Quero deixar uma mensagem pessoal, uma experiência minha, pessoal, sobre o ato de ler, a leitura, e não vou me limitar a dizer que seja somente minha, trarei a baila, com certa cautela, um pouco de generalização.
    Tudo que o Secretário disse acima é verdadeiro, mas será mais verdadeiro ainda se cada um de nós, independente da idade, se está na fase escolar ou não, será que isso faz diferença mesmo?

    Ler não é uma dádiva, um ato de saúde mental. É a prova de que sua mente está aberta à formação e à informação, independente se eu estou lendo em um livro digitalizado ou em papel. O que quero eu dizer?
    Refiro-me a mim pessoalmente. Gostaria de ter lido o dobro de livros que penso que já li até hoje. E por que afirmo isso? Porque sempre vi meu pai, meus avós lento. Convivi com os livros desde criança. Lembro-me que meu primeiro contato com o livro, ou ao menos aquele que mais me marcou primeiro, foi “Coração de Vidro”, cujo o autor, tinha o sobrenome Vasconcelos, não me recordo seu primeiro nome. Mas basicamente a história é a conversa entre os pássaros, os cavalos, sobre a crueldade da humanidade com eles.

    Depois desse vieram muitos outros livros, lembro-me bem “Viagem ao Redor da Lua”, de Julio Verne; a maioria da coleção de Artur Conan Doyle, o autor inglês das façanhas de Sherlok Homes e Watson; li muitos contos de Edgar Alan Poe, incríveis! Lembrei agora um que lí à luz de velas: “Em Busca do Tesouro Perdido”, de Robert Loise Stevenson, bom, não poderia deixar de dizer da obra de Machade de Assis, aliás todas, mas a que eu mais me detive foram “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “O Alienista”.
    Já, mais adolescente, “As veias Abertas da América Latina”, Eduardo Galeano; li, também, quase que de uma vez só, 600 páginas, “A Identidade de Burn”, de Robert Ludlun. Tive contato com as obras clássicas brasileiras, mas na escola, dos poetas e escritores barrocos, como Gregório de Mattos e Padre Antonio Vieira, parnasianos, como Olavo Bilac, simbolistas como Cruz e Souza e Augusto dos Anjos, os românticos, como Casimiro de Abreu e Aloizio de Azevedo, os poetas portugueses, como Fernando Pessoa e Luiz Vaz de Camões.

    E a leitura técnica, ligada a minha formação pós ensino médio, como cursei, incompleto, a Faculdade de Economia da Pontifícia Universidade Católica, lá tive contato com os pensadores das ciência econômica, talvez os três principais, Adams Smith, David Ricardo e Karl Marx. Mas antes mesmo, lia muito de Celso Furtado, Formação Econômica do Brasil. Agora, no Direito, que é a minha formação completa, é André Franco Montoro, em Introdução à Ciência do Direito que sempre está do meu lado, atualizado.
    Bom, fiz uma breve resumo de minha leitura pessoal, faço minha autocrítica de não ter lido “Macunaíma”, de Mario de Andrade, nenhuma obra de Lima Barreto, como “Policarpo Quaresma” e “O Atheneu”, em fim, deixei de ler, mais que ler. Quanto desafio que não superei até hoje, ao tentar ler “Os Sertões” de Euclides da Cunha e todas as obras de Guimarães Rosa, como “Grande Sertão e Veredas”, e Graciliano Ramos, “Memórias do Cárcere.

    Como se vê, é um pouco da minha experiência, e sei que há muitos outros desafios pela frente. Até a vida eterna, com certeza, estarei lendo. Quando meu pai estava próximo disso, fui visitá-lo em seu apartamento e encontrei sua bíblia aberta, logo fique em alerta: qual seria a parte ali aberta da palavra Cristã? Passei a vista rápida, pois fui lá para abraçá-lo e nos confraternizarmos e a leitura, ela é intimista, ela indica uma janela de dentro da gente. Só consegui decifrar a palavra “transitoriedade”. Depois de um ano que meu pai já havia partido daqui, eu encontrei onde estava ela, em que parte da Bíblia tratava com bastante força sobre a transitoriedade, e lá estava, mas não vou dizer onde estava.

    Deixarei como uma tarefa para a curiosidade, a nossa vontade do saber, a busca pela sabedoria. Na verdade acho que a “transitoriedade” está implícita em todas as passagens bíblicas, mas confesso que não sou um doutrinador, não sou um pastor, nem um padre, somente que quando li aquele Salmo, fui tocado com mais fervor sobre o significado da transitoriedade.
    Já descei a pista. Agora os que almejam ser sábios poderão dar início à busca, não sei se terão a mesma experiência, porque até isto a leitura nos invoca, depois de anos, quando lemos a mesma obra ela já não é a mesma e nós já não somos os mesmos, como aquele filósofo grego que diz: “ninguém mergulha no mesmo rio duas vezes”. Acho que isso serve para todos nós.

  2. POEMA TRISTE II
    (Para declama lo ouvindo ao fundo Preludio e MI menor Opus 28, n.4, de Frederic Chopin)

    LEVO COMIGO,
    OS ABRACOS NAO DADOS
    AS PALAVRAS NAO DITAS
    SENTIMENTOS DE AMOR
    NAO CORRESPONDIDOS.
    LEVO COMIGO,
    A LEMBRANCA DAQUELE
    PRIMEIRO BEIJO,
    A ESPERANCA DAQUELE
    PRIMEIRO NAMORO,
    O TOCAR DAS MAOS
    DAQUELE PRIMEIRO OLHAR.
    LEVO COMIGO,
    O MUITO DO AMOR
    QUE ME DEDICASTES,
    OS CARINHOS CONTIDOS E
    OS GESTOS DE COMPREENSAO
    DE QUEM AMOU E SEMPRE FOI
    AMADO.
    LEVO COMIGO,
    LAGRIMAS DE AMOR NAO CONTIDOS,
    O CALOR DE CORACOES APAIXONADOS,
    O CONVIVIO, A TROCA, A SOLIDARIEDADE,
    A CUMPLICIDADE.
    LEVO COMIGO,
    OS MOMENTOS MAIS TRISTES E MAIS ALEGRES DA MINHA VIDA,
    NOSSAS CONQUISTAS E DERROTAS,
    NOSSAS VITORIAS E NOSSAS FALHAS.
    LEVO COMIGO,
    NESTE TUMULO, NESTE ULTIMO
    SUSPIRO, NOSSA ETERNIDADE,
    SONHOS, ESQUECIMENTOS, E DEIXO A TI PEQUENAS PALAVRAS…PALAVRAS PARA DIZER, POR FIM, ONDE QUER QUE EU ESTEJA LEVO COMIGO O AMOR INCONDICIONAL…E NO SEU CORACAO O CONFORTO DE QUEM SEMPRE TE AMOU…LEVO COMIGO A ESPERANCA DE ESTAR SEMPRE AO SEU LADO, OUVINDO A SUA VOZ, O SEU CORACAO, E ACOMPANHANDO A CADA SEGUNDO…A CADA SEGUNDO,
    AMOR ETERNO.

  3. Eu estava existindo a Novela Mundo Novo, e ja começo a notar que a midia começa a mostrar o outro lado da historia, onde o periodo Imperio nada tem a ver com o periodo Colonia. A doutrina Republicana, a Republica em baixa, esta mostrando a verdade e deixando sua doutrina de lado de que somente eles sao a forma de governo ideal.

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