Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Escola: vetor de inovação

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O avanço das tecnologias da informação e da comunicação veio para ficar. A desenvoltura com que as novas gerações se servem dos equipamentos eletrônicos é notável. Descobrem de imediato aplicativos. Comunicam-se com rapidez e instantaneamente fazem circular as informações de seu interesse.

Há experiências interessantes em curso. Uma delas é o “aluno tutor”. Um jovem afeiçoado à tecnologia pode ser multiplicador da facilitação de seu uso não só para colegas, mas também para professores e outros profissionais da educação.

Essa contaminação para o bem é mais importante até do que a automação. As salas de aula ainda não mudaram. Continuam fisicamente como há séculos. Fileiras de carteiras, dificuldade de interação. Aulas prelecionais e técnicas pedagógicas distanciadas do interesse do alunado.

O bom uso de tudo aquilo que a tecnologia obteve nos últimos anos permitirá verdadeira revolução na escola. A tecnologia da comunicação e da informação permite melhor comunicação, eficiente armazenamento de dados, implementação de uma estratégia de colaboração que fará de corpos autônomos uma equipe coesa e direcionada à obtenção do melhor resultado, além de um gerenciamento eficaz.

Tudo se torna mais fácil quando o aluno é chamado a colaborar com a escola, propondo, sugerindo, assumindo responsabilidades e atuando como protagonista, não como objeto-destinatário de um projeto educacional a cuja elaboração não foi admitido a participar.

Tudo indica estarmos numa encruzilhada importante e desafiadora. Adota-se uma nova Base Nacional Comum, rumo à adoção de currículos adaptados à realidade local. O ensino médio merecerá as reformas tão esperadas e necessárias. Se há um consenso na educação brasileira é a de que depois da fase fundamental, quando o aluno já adquiriu discernimento e capacidade de escolha, ele se desencanta com o anacronismo da escola.

Todos são chamados a contribuir para que a escola seja um vetor de inovação e abrigue todas as vocações, vontades e talentos. É disso que o Brasil está a necessitar e com nítida urgência.

Fonte: Diário de São Paulo | Data: 27/04/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: Daniel Guimarães / A2img

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Escola: vetor de inovação

  1. Escrever exige pensar, exige coragem, exige responsabilidade.
    Estas exigências podem não existir para muitos, mas eu exijo isto de mim, porque preocupo-me muito com a repercussão sobre os que os outros pensam sobre o que eu penso.
    Mas o medo pode estar atrás da responsabilidade, a timidez, uma formação incompleta. Abrir-se a este medo. Ter a coragem de expressá-lo é um ato de coragem. É uma luta.

    Tenho procurado expressar aqui a diferença da minha geração com a geração de hoje. O passado pode contribuir para comparações oportunas e inoportunas. É um risco. mas prefiro correr este risco à ficar fora de participar deste espaço de reflexão, de opinião.

    A minha ideia inicial era generalizar uma teoria que tenho, como disse, é um “achismo”.
    A teoria é que muitos jovens não escrevem, ou deixam de se expressar pela escrita, e preferem muito mais expressarem-se por um áudio, por ser mais fácil, ou pela minha teoria da repercussão, da timidez, do medo da crítica. Ainda não cheguei a conclusão nenhuma. Posso falar do meu tempo, e no meu tempo de escola tinha dificuldade de escrever como tremia para fazer uma apresentação oral. Estar de frente para o público, para a classe.

    Será que isso diminuiu hoje? Porque não era somente eu, conheço muitos amigos meus que sempre confessaram a mim essa mesma dificuldade, a capacidade de ler sobre um tema, refletir sobre ele, depois escrever sobre ele, e, depois. o momento mais magnânimo, levantar-se da sua carteira e fazer a apresentação oral, não é lendo não, é falando olho a olho com meus colegas de classe. Mais uma vez o meu “achismo”, acho que ninguém supera isso, mesmo depois de velho se não tornar isso um desafio para superar o medo de se expor.

    Bom, vou terminar por aqui desejando que os mais jovens, no processo educacional, superem o medo de se expor, porque eu tenho certeza que o mundo não é dos mais espertos, nem sempre os mais espertos são os mais inteligentes, acho que os mais inteligentes, são, na verdade, os que sabem combinar o momento de falar com o momento de silenciar, o momento de aparecer com o momento de se reservar, o momento de refletir e de escrever, com o momento de confraternizar.

    Os mais inteligentes não seguem uma regra linear, tampouco é atemporal, tempestivo e imprevisível. Os mais inteligentes, amanhã descobriremos, foi o que soube fazer do seu tempo, do tempo que dispunha a melhor combinação entre a impulsão e a capacidade de se controlar, na verdade eu resumiria tudo isso com uma única palavra; Disciplina, que somado ao esforço e determinação alcançamos algum sucesso.

    Desejo que os alunos deste tempo escrevam mais, reflitam mais, acho que a boa oralidade nasce naturalmente como consequência de tudo isso.

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