Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Foco no micro

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Brasil tem razão para estar desalentado. A no­tícia de que o envolvimento de lideranças políticas no promíscuo universo das propinas é tudo o que não precisaríamos enfrentar. Mas se o cenário se afigura trágico, é preciso nele encontrar motivos para reagir.

Primeiro: satanizar a política, demonizar os po­líticos, a nada leva, senão a estimular arrivistas, popu­listas e “salvadores da Pátria”. Por enquanto, ainda não se inventou algo que substitua a Política decente para coordenar o convívio entre as pessoas. Não atingimos os níveis ideais de civilização que nos autorizasse pres­cindir de ordem, política, Justiça, disciplina, autoridade e outros parâmetros que o ordenamento oferece.

Por isso, é preciso deixar decantar no tempo da in­vestigação, da apuração, das denúncias, da instrução e dos julgamentos, aquilo que deverá desaparecer do am­biente político e aquilo em que se vale a pena investir.

Outro ponto favorável dessa aparente catástrofe: as instituições estão funcionando. A Justiça não sofreu empecilhos. A Nação a prestigiou e ela pode – todo o sistema: polícia, Ministério Público e Judiciário – dar transparência a práticas que sempre permaneceram na bruma e na nebulosidade dos palcos ambíguos.

Terceiro: o Parlamento, de tão fragilizado, ha­verá de mostrar que não fugirá às reformas estruturais sem as quais o Brasil não se arribará. Reforma previ­denciária, trabalhista, tributária e política têm de sair todas elas. Sem elas será o caos.

Mais ainda: há Prefeitos eleitos no ano passado e que iniciaram seus mandatos em janeiro, já cons­cientes de que são outros tempos. É no município que as coisas funcionam. Se o microcosmos enfrentar a crise moral e econômica, as forças locais forem esti­muladas, o Prefeito fizer o jogo da verdade e não es­conder a gravidade da situação, a cidade sairá da crise com velocidade maior do que se permanecer à espera de que o Governo Central resolva de cima para baixo.

O bom prefeito sabe que deve cuidar da educa­ção, administrar com eficiência, abrir o jogo com a população, ser transparente e honesto. Mostrar que em seu território não há propina, nem corrupção. Se ele se compenetrar disso, o Brasil sairá do lamaçal muito mais cedo do que se poderia esperar. Foco no micro. No macro, STF terá de dar conta do recado.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 30/04/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo. E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

3 pensamentos sobre “Foco no micro

  1. Li o artigo. E mantendo o foco na educação creio que conscientes de que são outros tempos, estamos todos. Principalmente nós educadores em nosso “microcosmo” chamado escola. É nela que o maior jogo da verdade ocorre,  transparecendo a gravidade da situação, levando-nos a enfrentar e discutir sobre a crise moral e econômica e não sendo indiferentes ou  dando “jeitinho”.  Buscamos, todos os dias enfrentar os problemas em suas raízes e nunca combatê-los em suas conseqüências, ou de forma burocrática,  simbólica ou o que é pior, tardia. Estimulamos e necessitamos sim do apoio das forças locais pois, entendemos que a corrupção política traduz a nossa própria hipocrisia quando existe a falha no servir de exemplo e no educar. Quem sabe o Programa Gestão Democrática seja um bom começo para o saber ouvir, participar, transformar ao invés do Governo Central resolver os problemas de cima para baixo, muitas vezes através de Resoluções que atrapalham esse bom caminhar das escolas.

  2. Economista, Analista de Finanças e Controle da Secretaria do Tesouro Nacional, José Henrique de Saules Noguerira, assim inicia a sua análise sobre Previdência Social, em uma publicação de junho de 2005, ano 2, nº 20, da revista Nossa História, Editora Vera Cruz e pelo Conselho de Pesquisa da Biblioteca Nacional, à pagina 44 à 48: (Uma Longa História de Equívocos – A Previdência Social no Brasil percorreu muitos descaminhos desde a sua origem, em 1923, até virar manchete constante de jornais, por seu legado de desequilíbrio e ineficácia).

    Alguém poderia discordar do Economista? Isso demandaria uma retórica um tanto maledicente, para não dizer ludibriadora do povo. Pois muito além da má-gestão que acompanhou o nascimento da estrutura, houve outros fatos que no decorrer da trajetória dela vão além da questão administrativa em si e avança para mutações de um mundo demográfico que somente especialistas a estas medições podem dar luz.

    Basta lembrar que a Constituição de 1988 que ampliou em muito os benefícios sem prever da onde seriam financiados, vamos dizer a fundo perdido, de lá pra cá a Previdência que já vinha sofrendo da má-gestão, das mutações demográficas recebeu mais esse presente de grego, como abarcar em suas contas os benefícios dados aos trabalhadores rurais. Consequência: em 2004 o rombo já batia em 64 bilhões de reais.

    Se os debates já existiam antes sobre tal tema, a partir de 1988 ele entra na pauta do legislativo nacional como uma prioridade a ser enfrentada, e essa pauta de 1992 prá cá, está em 2017, com um rombo nas contas que prefiro nem citar.
    Mas o que me chama mais a atenção é a ausência do sistema financeiro nacional, representado pelo Tesouro Nacional, pelo Banco Central, pelos Bancos Públicos, Banco do Brasil e Caixa Econômica e os Bancos Privados: Bradesco, Itaú, Santander, neste debate.

    Alguém duvida que a previdência social, na verdade não é previdência social é seguridade social? Isso parece pouco, mas é muito, pois seguridade social não admite imprevisão, recursos a fundo perdido, interferências políticas ou ideológicas. A Seguridade Social só admite um princípio: EQUILÍBRIO ATUARIAL! Se não tem equilíbrio atuarial não existe Seguridade, independente se ela é um fundo de pensão administrado 100% pelo Estado ou 100% por alguma Instituição privada.

    Mas então onde entra as Instituições Financeiras nisso tudo? Ora, somente elas possuem profissionais na área que entendem como gerar, administrar, e preservar recursos para fazer EQUILÍBRIO ATUARIAL consistente. Mas ao ouvi-los notamos divisões contra e favor, ora se nem os especialistas se entendem como vamos sair dessa?

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