Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

O que ainda se verá

1 comentário

Somos herdeiros de múltiplas gerações. Asse­melhamo-nos àquelas árvores com as camadas super­postas que permitem aferir sua longevidade. Convi­vemos com uma cultura anciã, com hábitos de vários séculos e estamos conectados à era digital. Mas ainda não vimos tudo. A internet das coisas mal começou. E para quem pensou que ela tardaria, o susto será maior. Ela nos alcançou e mudará nossa vida.

A sigla mundial para a internet das coisas é IoT. Dis­positivos dotados de sensores serão conectados em rede. As máquinas trocarão informações e vão ajustar sua ação sem interferência humana. Estamos preparados para isso?

Não. Continuamos a ministrar uma educação anti­quada, anacrônica e com olhos e ouvidos fechados a essa realidade. Só que a vida já mudou. Já é disponível para uma escassa faixa da população, o fato de a geladeira di­zer ao supermercado quais alimentos estão acabando. O GPS do celular avisa ao ar condicionado residencial que o dono já saiu do trabalho e em quanto tempo chegará em casa. O próprio carro avisará que ele precisará trocar filtro, óleo ou qualquer outro incremento a que funcione.

É a chamada Quarta Revolução Industrial, mui­to mais impactante do que as anteriores. A indústria 4.0 combina inúmeras tecnologias. No produto vendi­do já com sensores, as empresas obterão informações de como o objeto foi utilizado, quais as soluções que precisam ser encontradas, inclusive a logística rever­sa. Ou seja: quem fabrica algo tem de ser responsável por esse bem até seu fim de ciclo utilizável. Uma so­ciedade civilizada não tem desmanche. Não há des­carte de resíduo sólido, algo que atormenta o ambiente e onera o bolso já sacrificado do cidadão.

É importante que todos tenhamos presente a ne­cessidade de estar atentos e de disponibilizar paciên­cia, interesse, curiosidade para conhecer o que virá e também fazer o possível para propiciar aos jovens o contato saudável com essa realidade que tem seus pe­rigos, é claro. Seremos governados pelas máquinas? O medo disso é maior do que o de ser governado pelo humano desprovido de ética?

Essa a reflexão que cabe a cada um de nós, os sobreviventes a essa interessante camada de épocas.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 04/05/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Autor: Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e Conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

Um pensamento sobre “O que ainda se verá

  1. Gerações Futuras

    Eu não estou preocupado com as revoluções industriais, seja a 1ª a 2ª, a 3ª ou a 4ª , o que mais me preocupa também não é saber se nós estamos ou não preparados para alguma revolução industrial, mas sim se a revolução industrial que vier tratará qual consequência para nossas gerações futuras? Por que para mim essa deve ser a nossa indagação principal? Porque as revoluções anteriores, se elas trouxeram o avanço da ciência no infinito, trouxe junto o efeito colateral, a perda de nossa identidade como família, como educação, como união de sentimentos de fraternidade, de solidariedade, de caridade, de sinceridade, de seriedade, de respeito ao próximo e de respeito a si mesmo, porque um não existe sem o outro. o que calha bem com sua última indagação: Há ética ou falta de ética nas máquinas, nos computadores, no pensamento digital? Não tenho uma resposta pronta para isso, mas de uma coisa eu sei e todos nós sabemos: por trás de cada chip, de cada inovação há uma senha, e por trás de cada uma destas senhas haverá a primeira delas, a matriz da qual todas as outras derivam e ela pode ter sido criada para o bem ou para mal. Acho que respondi sobre a imparcialidade das máquinas.

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