Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Não é impossível

1 comentário

Um dos problemas aparentemente insolúveis do Brasil é a avassaladora produção de lixo. Somos campeões mundiais no desperdício. Em todas as áreas, em todos os lugares. Em tempos de orçamento contingenciado, porque a arrecadação só faz permanecer em queda, mercê da trágica recessão em que o País se viu mergulhado, milhões são gastos na coleta de resíduos sólidos e na limpeza de logradouros públicos.

Na verdade, o que falta é educação. Aquela boa educação de berço que era transmitida em casa, primeiro e principalmente pelas mães. É melancólico verificar que, independentemente da escolaridade, a inconsciência ambiental prepondera. Joga-se em qualquer espaço aquilo que poderia ser aproveitado e que não deveria onerar o Erário, tão necessitado de melhor destino, pois imensas as carências da população.

Essa ausência de responsabilidade se estende em escala preocupante. Não se justifica numa Nação que se diz civilizada, existir desmanches, lixões e mesmo aterros sanitários. Estes são fonte de contaminação do solo e do lençol freático. Disseminam pestes, causam epidemia, além da agressão estética e higiênica.

Entretanto, quando se quer, é possível enfrentar de outro modo esse problema. Há empresas que, ao surgir da ética ambiental de alguns poucos, se encarregam de recolher toda a alimentação que se desperdiça e de transformá-la em material para insumo da agricultura. Aquilo que seria misturado a outros elementos e que demoraria para dissolução na terra, é rapidamente convertido em fertilizante orgânico.

Até mesmo o esgoto doméstico pode ser utilizado para voltar à natureza sob a forma de água limpa e de nutriente para o solo. Isso já se faz no Rio de Janeiro, em duas empresas, ambas situadas no município fluminense de Cachoeira do Macacu. Foram objeto de interessante reportagem de André Trigueiro, ambientalista militante que é um propagador das boas práticas e atua na área há várias décadas.

Quando se quer, é possível conferir à Terra um tratamento condigno com sua importância, já que ainda é o único planeta onde ainda podemos viver. Enquanto os bons exemplos não são seguidos por todos os Municípios, em cada lar a conversão pode começar, mediante sadia formação dos filhos, para que sejam amigos da natureza, não seus destruidores.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 15/05/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Não é impossível

  1. Brasileiros e brasileiras acordai-vos para a realidade!

    Eu estava aqui a pensar comigo, que desde que me formei em Direito, em 2004, de lá pra cá as questões ambientalistas começaram a me incomodar, no sentido de forçar-me a uma maior conscientização sobre o tema. De lá pra cá comecei a ler livros, revistas, assistir vídeos, dos mais diversos autores, das mais diversas fontes. Ao mesmo tempo que passei a ter essa formação e informação, uma “onda” de dúvidas aumentava a cada passo que avançava na direção de minha conscientização. Chacotas, provocações…

    Estamos já na segunda década do 3º milênio e já ouvi de tudo sobre este tema. Parece que as pessoas brincam com coisa séria, ou brincam porque ela é séria de mais para ser levada a sério. Eu muitas vezes e ainda hoje vejo pessoas fazerem graça da finitude das coisas, nossa alma, nosso espírito é infinito, é eterno, mas não estou aqui para falar de religião, estou aqui para falar do tema ambientalista. Aqui no Brasil, o primeiro presidente, depois de Fernando Henrique Cardoso parece que pôs ao lado esta finitude das coisas, parece ter ressuscitado “O Petróleo é Nosso”, slogan da campanha de um candidato a Presidente do Brasil de 1950! Veio o Pré-sal.

    O Governo deste presidente que assumiu em 2003 cumpriu uma promessa que foi reduzir a pobreza, mas criou uma cisão dentro de seu partido político, aliás duas importantes cisões, uma de ordem ética em face dos meios de se fazer política com o escândalo do mensalão, foi neste momento que nasceu sob a liderança do político Plínio Sampaio, o PSOL, e a outra cisão o partido Rede Sustentabilidade, comandado pela Ministra Marina da Silva. De lá pra cá o Brasil e os brasileiros vêm acompanhando, perplexos, as nossas evoluções no campo ambiental. Parece que estamos atolados desde a governança que começou em 2003.

    Será que não dá para conciliar combate a pobreza e crescimento sustentável? Esse desafio não foi enfrentado e a resposta ainda não foi bem esclarecida. Vejam o susto que passamos aqui no sudeste com a seca de 2014. E o que está acontecendo hoje no nordeste. A Capital da Bahia está ficando sem água. Até quando, ou quando nossos agentes públicos se conscientizarão que pobreza e descaso com as causas ambientalistas andam de mão juntas? Uma depende da outra. Isso talvez não fosse verdade quando os economistas formulavam suas equações de crescimento econômico levando como principal variável o emprego pelo emprego, a riqueza pela riqueza, e a variável da escassez ainda não estava na primeira lista das prioridades quando se falava em desenvolvimento econômico, onde nacionalismo e disputas ideológicas eram a pauta, até o fim da guerra fria.

    A questão ambientalista entra na pauta com sujeira, os rios, a poluição, a constatação que a qualidade de vida está caindo ainda que a riqueza acumulada esteja aumentando, não dando mais para colocar a sujeira para dentro do enorme aparente infinito tapete persa. A partir deste momento a ONU coloca a reunião Brasil 1992, no governo Collor, os protocolos seguidos e de lá pra cá muitas iniciativas tem sido tomadas, mas olhando aqui para dentro do Brasil, o país que primeiro recebeu uma reunião mundial de compromisso planetário, o mal exemplo não nos credencia mais a dizer com orgulho, com segurança, com otimismo que fizemos muito de lá pra cá. Fizemos tão pouco que a cada enchente vemos o quanto continuamos sujos e jogamos sujo com nós mesmos e com o planeta e a natureza a cada chuva torrencial arrastam carros, pessoas, uma imagem dantesca.

    Quantos ainda morrerão quantas vezes ainda morreremos, para aprendermos que é a um só tempo uma ação individual e coletiva. Vocês viram aquela imagem dos japoneses limpando a sujeira que eles deixaram no estádio? A pouco fomos pegos pelo evento Mariana, que mal exemplo para o Brasil, signatário, líder pretensioso de uma equação que ele mesmo não fecha. Até quando o Brasil e os brasileiros vão entender ou demorar para entender que não cuidar de seu próprio território significa abandonar e se abandonar? Ninguém irá estender a mão preventivamente para o Brasil, para os brasileiros, será que daqui alguns anos estarão importando água da Alemanha?

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