Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A vez das cidades

1 comentário

Tempos de crise não têm de ser necessariamente desesperadores. Se o desalento parece tomar conta da população e todos têm ao menos um motivo para alimentá-lo, nem por isso precisamos permanecer inertes, à espera que milagres ocorram ou que surja um salvador da Pátria.

Há situações que não podemos alterar. Não depende de nós transformar a realidade em relação a coisas que não estão ao nosso alcance. Mas existem outras perfeitamente factíveis.

Penso nas cidades menores, naquelas em que todos se conhecem e nas quais andar pelas ruas é um exercício de amizade. Abraça-se alguém, há uma parada para uma conversa rápida ou comprida, mas cumprimenta-se todo o mundo. Sabe-se o nome das pessoas, conhece-se sua família, sua história.

Tais microcosmos são inúmeros. São Paulo tem 645 municípios e mais de um terço deles inclui-se na categoria de pequenas dimensões. Aqui está a vantagem evidente em cotejo com as metrópoles e as macrópoles – conturbações imensas que emendam Campinas e São José dos Campos a São Paulo.

O Prefeito dessas cidades conhece todos os cidadãos e pode atuar junto a eles para que se estabeleça uma coesão de propósitos, adote-se uma linha de trabalho, escolha-se uma estratégia para sobreviver à crise.

É nas pequenas comunidades que se pode subsistir com dignidade, a despeito das carências, das insuficiências do Erário e da queda permanente e, infelizmente, crescente de arrecadação.

Mostrar às crianças nas Escolas que o Brasil é maior do que os seus problemas e que todos podemos fazer alguma coisa que permita nutrir a esperança em dias melhores, é algo perfeitamente factível. Estimular alunado e Magistério a cerrar fileiras em torno ao ensino/ aprendizado é a melhor lição que se pode, nestes momentos trágicos, ministrar a uma cidadania sequiosa por enxergar perspectivas que as altas esferas não conseguem exibir.

Há prefeitos que já se imbuíram dessa missão redentora. Estabeleceram como que uma blindagem que protege seus municípios da ação devastadora dos que não têm nada a temer. Imbuíram seus munícipes da responsabilidade que lhes cabe em relação a temas cruciais, quais a educação e a segurança pública.

É a vez das cidades mostrarem ao Brasil que esta República Federativa tem futuro e este só depende de cada um de nós.

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 22/05/2016
JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo.

E-mail: imprensanalini@gmail.com.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “A vez das cidades

  1. Dr. Renato Nalini. Da mesma forma que vemos os problemas saltarem a nossa frente, todos temos que pensar em fazer algo para minimizar cada um dos efeitos nefastos que nos afetarão. Cidades como a que conhecemos sofre com os impactos negativos das más gestões. Muitas cidades crescem desordenadamente, sem infra estrutura e sem cidadania. Os núcleos irregulares se multiplicam, muita por conta do ganho fácil e muito por conta da inércia fiscalizadora do poder executivo. Espero que isso mude, a esperança tem que continuar.

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