Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

O senhor das moscas

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Assisti à pré-estreia de “O Senhor das Moscas”, peça de William Golding (1911-1993), nascido em Newquay, região da Cornualha, Grã-Bretanha e prêmio Nobel de literatura. O livro que deu origem à peça foi publicado em 1954, depois de 21 recusas de editores. Nele se expõe a falência do racionalismo e a fragilidade do verniz da polidez, quando o ser humano é confrontado com situações difíceis.

Um avião com crianças inglesas de um colégio interno caiu numa ilha deserta. Elas tinham sido encaminhadas por seus pais para lugar seguro, em fuga da próxima guerra. Ensaia-se uma organização, com duas lideranças em cotejo. Jack é o superativo, tipo valentão, quer se impor pela força. Sua preocupação é caçar, matar os porcos selvagens e agrupa sua equipe de caçadores. Ralph tem esperanças de voltar à civilização e propõe que uma fogueira permaneça acesa, a fim de despertar a atenção de eventuais salvadores.

Aos poucos, toda a capacidade de convívio harmônico vai se mostrando a cada momento mais frágil. Crianças de famílias abastadas, fruto de educação formal sofisticada, vão se tornando selvagens. Instala-se a barbárie. Temem o “bicho” real ou imaginário e se transformam em seres irracionais.

O “bicho” está na alma dos que perdem parâmetros e já não conseguem respeitar o semelhante. “Eu vi o bicho nos olhos das pessoas. O bicho está em mim”, diz Ralph num solo que faz pensar.

A peça é muito atual. A temporada no teatro do SESI, à Avenida Paulista, 1313, permanecerá em cartaz até 3 de dezembro. Todas as quintas e sextas-feiras são reservadas para agendamento escolar. Vale a pena levar os alunos para assistir e depois fazer debates porque estamos todos sujeitos a passar por situações análogas.

Somos o misto ambíguo de convenções e instintos. Como nos comportaremos diante de adversidades? Qual a nossa resistência ao infortúnio? Somos coerentes quanto ao que declaramos crer e a nossa resposta na concretude da vida?

O “Senhor das Moscas” é uma cabeça de porco espetada numa estaca, invocada como poder místico diante do desespero e da falta de perspectivas. Vale a pena assistir e refletir sobre a mensagem de William Golding, adaptada para o palco por Nigel William e dirigida por Zé Henrique de Paula.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 11/06/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo.

O-Senhor-das-Moscas-William-Golding

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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