Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um apelo à consciência

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O mundo parece acometido de evidente falta de juízo. Os paradoxos demonstram que a racionalidade foi embora. Às vezes não faz falta. O que falta é sentimento. Se o amor fosse mais estimulado, substituir por sua prática a razão não faria mal à sociedade.

Há debates infinitos sobre os mesmos assuntos que longe estão de merecer resposta clara, objetiva e eficaz. Prega-se o aborto, agora com a afirmação de que as vedações do Código Penal não teriam sido recepcionadas pela Constituição de 1988. Mas por que não se confere idêntico entusiasmo ao planejamento familiar, à adoção de crianças que permanecem na fila de espera e que não encontram um lar para se desenvolverem?

Critica-se o tratamento compulsório do dependente. Justifica-se o uso da droga como fuga à carência afetiva. O que se faz para impedir que esse mergulho definitivo ocorra? Prevalece um discurso de falência da educação, cujos índices nos aproximam da parte mais miserável do planeta. Mas o que se faz, no âmbito pessoal, para estimular a criança a aprender, para mostrar que sem escola tudo se tornará mais difícil e que a vida real não é a fantasia propagada pela mídia consumista, mas impõe sacrifício, esforço, empenho e responsabilidade?

Dispensa-se ao animal de estimação um carinho desproporcional àquele reservado à criança desprovida de lar. Nada contra o animal, tão mais carinhoso do que muitos humanos. Mas a vida merece cuidados e os semelhantes precisam de uma dose multiplicada de amor. Onde está a coerência com o discurso de quem apregoa fazer parte de uma civilização cristã e, para o agnosticismo ou ateísmo, integrar uma sociedade alicerçada sobre o princípio da dignidade da pessoa humana?

Não há quem não possa deixar o mundo melhor, mesmo que seja aquele mundinho que o destino ou nossa escolha pessoal nos reservou. Ter compaixão, compreensão, carinho, semear entendimento e estar aberto ao diálogo já representaria lenitivo a um convívio que ostenta ferimentos graves, pois propenso a explosões de ira e violência. Tudo aquilo que sugere um quadro patológico distante de se converter na sonhada higidez de uma verdadeira fraternidade.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 15/06/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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