Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

De perda em perda

1 comentário

Lamentável que o Brasil registre contínuos retrocessos na tutela ambiental, mostrando que a opção ecológica do artigo 225 da Constituição da República foi retórica marqueteira e não opção consciente.

Passa praticamente na surdina o fato de se reduzir área em uma floresta e em dois Parques Nacionais, com destinação incompatível com a preservação.

A Floresta Nacional Jamanxim perde 486 mil hectares, ou seja, 37% de seu total. O Parque Nacional de Jamanxim, também no Pará, perde 11,7% de sua área, ou 101 mil hectares e o Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina, perde 10,4 mil hectares, ou 21,5% de sua destinação. É óbvio que se fala em “recategorização”, mas o interesse é proteger a mineração, que avança contra a floresta e que vai produzindo a sequência de resultados nefastos, como tem acontecido desde a exploração setecentista/oitocentista nas Minas Gerais.

A mídia apurou que a Medida Provisória 756 incluiu na Área de Proteção Ambiental Jamanxim glebas reivindicadas por inúmeros infratores ambientais. 4.500 hectares foram transformados em pasto só no ano de 2015, por pessoas cuja identidade se esconde e que atuam com o que se convencionou chamar “laranja”. Se no Pará e em Santa Catarina medidas provisórias são editadas contra a natureza e atingem esse patrimônio da Nação de maneira explícita, continua no universo micro a destruição velada, perpetrada em todo o território nacional, que vê perder o seu verde e continua a produzir resíduo sólido em abundância.

Árvore derrubada, solo contaminado, água conspurcada, lixo amontoado. Triste destino de uma República que havia dado exemplo ao mundo quando erigiu em “titular de direitos”, aquele que ainda não nasceu.

O artigo 225 da Constituição da República foi considerado um dos mais belos dispositivos jurídicos editados no planeta. Só que a promessa não seria cumprida. Era um mero “faz de conta”, com a conivência de todos os que silenciam diante dos atentados inclementes perpetrados contra a natureza.

Fonte: Diário de São Paulo| Data: 22/06/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “De perda em perda

  1. E agora, recebemos a noticia de que recursos a menos chegarao da Noruega, justamente em face da distancia entre a pratica e a lei.
    Hoje, 22.06.17, e o Brasil continua patinando em proteger a mata nativa e proteger o crescimento economico como situaçoes que se excluem. Na pratica ainda tem prevalecido o poder economico. Infelizmente o que aponta acima, o Secretario de Educaçao, nao se trata de uma ficçao, mas a realidade de um pais de bonitos discursos, de leis avançadas, mas que para por ai, nada mais alem disso. Parece que houve alguns avanços no primeiro e segundo mandato do governo Lula, mas a partir de 2008 e durante o governo Dilma houve retrocessos. Parece que todas as vezes que entramos em uma crise economica a primeira area que sofre com ela, e fica no abandono porque exige forte fiscalizaçao, conscientizaçao, a proteçao de nossas reservas nativas, nossas florestas, as constataçoes do Secretario sao muito verdadeiras e muito bem fundamentadas.

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