Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Cansaço da vida

2 Comentários

Música de Maysa muito ouvida nos anos sessenta parece adequada para os dias que o Brasil atravessa. “Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor. A vida passa, e eu com ninguém, e quem me abraça não me quer bem”. Em seguida a música fala de fracasso: “de fracasso em fracasso, e hoje, deserte de tudo, o que resta é o cansaço, cansaço da vida, cansaço de mim, velhice chegando e eu chegando ao fim”.

A sensação de cansaço é um componente bastante próximo daqueles que já não acreditam nas instituições humanas. O que aconteceu com o Brasil que chegamos, como dizia Claude Lévy-Strauss, ao declínio sem passar pelo apogeu?

Para quem duvida de saída honrosa para a crise brasileira, é bom verificar o que acontece em outras partes do mundo. Para Dominique Wolton, especialista francês em ciência da comunicação, a chegada do poder de Emmanuel Macron derivou do colapso eleitoral dos antagonismos.

É portadora de mensagem de inovação, renovação e juventude. “É, antes de tudo, um lição de otimismo”. Para o sociólogo Wolton, a grandeza da política é que as cartas são sempre redistribuídas. Essa é a esperança que se deve transmitir à juventude brasileira.

As instituições, em regra, estão sendo preservadas. A Justiça está respondendo às urgência de uma faxina geral. É preciso renovar a certeza de que todos somos maiores que a crise e que o Brasil quer gente séria e comprometida com o próximo para reger seus destinos.

A democracia reclama protagonismos sério de cada um. Muita gente se acostumou a reivindicar sem contrapartida. É necessário assumir deveres, obrigações e responsabilidades. Não é preciso interagir diariamente como o eleitorado para que o político seja respeitado. Ele tem de trabalhar em benefício do povo.

O interessante é que Dominique Wolton não fã ardoroso das redes sociais, tão incensadas ultimamente. Para ele, elas ampliam o presente e esmagam o futuro.

Elas impedem o debate sobre questões verdadeiramente fundamentais, pois são muito fundamentais. As redes sociais criam a ilusão de um tempo que para no presente, o que nos leva a confundir expressão com ação que o Brasil clama.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 02/07/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo.

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

2 pensamentos sobre “Cansaço da vida

  1. Moralidade #moddestocarvalhosa

  2. O que falta é o sentimento de gratidão entre as pessoas, o sentimento de gratidão que forma vínculos com seu próximo, vínculos de moralidade, generosidade e fraternidade.
    Esse é o sentimento que falta em todo o mundo, esse é o sentimento que deveria ser posto em prática todos os dias.

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