Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Liberta ou aprisiona?

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Queira-se ou não, aceite-se ou não, mergulhamos irreversivelmente no universo digital. Estamos plugados, ligados, acessamos redes sociais, nos comunicamos, somos informados e conduzidos pelo som permanente das novas mensagens ou por sinais quase imperceptíveis de que informações continuam a chegar.

O lado bom é que nunca se obteve tanto conhecimento. Afirma-se que o acervo de dados dobra a cada dezoito meses. Tudo o que acontece no mundo chega imediatamente até nós. O lado ruim é que muitos se tornaram escravos do sistema. Vivem sob seu comando, alienam-se do mundo real. Já nem conseguem conversar pessoalmente. Só por whatsapp.

Um dos mais respeitados estudiosos do tema é Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro – ITSrio.org. Ele fala da reação a essa dependência que, insitamente, não é diferente de qualquer outra, como aquela que subordina a vontade humana ao álcool, ao fumo e a outras drogas, dentre as quais o sexo pervertido.

A reação viria mediante movimentos como o “slow media”, baseado no “slow food”. A tentativa seria fazer com que os ingredientes da informação venham a ser escolhidos conscientemente e preparados de forma concentrada. Começaria por abolir o hábito de realizar múltiplas tarefas ao mesmo tempo, o “multitasking”. O uso mais saudável da internet é também o objetivo do jovem designer americano Tristan Harris, que deixou seu emprego no Google para criar uma ONG chamada “Time Well Spent” (Tempo Bem Empregado). Para ele, as pessoas tiveram sua mente sequestrada pela tecnologia. Ele é considerado o que mais se aproxima a “uma consciência ética no Vale do Silício”.

Não é fácil a missão de Tristan Harris. Ele gostaria de convencer as empresas de tecnologia a criar produtos que respeitem o livre-arbítrio dos usuários. Não é o que ocorre. O smartphone, por exemplo, nos mantém prisioneiros. Seu dono, quando não está olhando para a tela, tem a sensação angustiante de que está perdendo alguma coisa muito importante. Haveria alguma condição para se criar um smartphone que, depois de algumas horas de uso, nos mandasse descansar ou dissesse que era hora de dormir? Por enquanto não se vislumbra tal vereda. A tecnologia das informações nos liberta ou nos mantém prisioneiros?

Fonte: Jornal de Jundiaí | Data: 23/07/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

Um pensamento sobre “Liberta ou aprisiona?

  1. O sistema de informação personificado, a saber, é a ideia de que perseguimos um objetivo existencial ao mesmo tempo em que somos absolutamente cegos a este. O objetivo existencial seria uma experiência de horizonte incontornável a todo aquele que procura cultivar uma livre vivencia dos padrões de vínculos comuns a todas as pessoas – afetivos, territoriais, culturais, sociais. No mundo da virtualidade tudo se faz possível num passe de mágica, quando o individuo mergulha neste horizonte se perde na fantasia e o torna “viciado”, então se percebe que há um grande vazio entre a prisão e a liberdade, a questão é descobrir como iremos construir uma ponte entre os dois extremos, o fato que se estabelece mais uma batalha.

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