Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

A vocação das cidades

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Esse o título de um livro de Waldemar Fontes, publicado pela Barra Livros, que merece atenção. O especialista em Organização e Métodos e em Análise de Sistemas se propôs endereçar às escolas e aos alunos um desafio. Descobrir a vocação de sua cidade, para favorecer o empreendedorismo e fomentar a descoberta de talentos que poderão ser explorados com resultado benéfico para todos.

A partir da constatação de que as aulas teóricas são desinteressantes, principalmente para o jovem que já tem discernimento e sabe escolher, o propósito é oferecer vivência, participação de forma prática do conhecimento. “A participação real fornece mais estímulo e mais satisfação, além de ser um forte apoio à aprendizagem, fazendo com que se retenha, de forma mais dinâmica, aquilo que é vivenciado. E o fato de trabalharem no contexto da sua própria cidade ou bairro, torna o conhecimento aprendido mais próximo da realidade do aluno”.

O repto lançado aos alunos é a formação de grupos para descobrir o que a cidade ou bairro oferecem como opções de uma exploração útil, proveitosa e rentável. Toda cidade tem algo peculiar, singular e que pode ser incrementado com o olhar carinhoso e criativo da mocidade. Detectar essa vocação nem sempre explícita permitirá a criação de novos postos de trabalho, não necessariamente emprego, alavancar veios artísticos ou artesanais, aflorar dons que ficariam ocultos não fora esse empenho coletivo.

Onde está o segredo? Pode estar na agricultura, no campo pastoril, industrial, de serviços, turístico, esportivo, automotivo, cultural, alimentício ou gastronômico, no artesanato e no folclore. Tudo é suscetível de despertar o interesse daqueles que se devotarem a essa causa e, se forem de fato entusiasmados, poderão entusiasmar públicos crescentes.

O convite é oportuno em momento crítico da economia brasileira. Não há perspectivas de rápido saneamento das finanças públicas. Seria necessária uma profunda reforma política, tributária, previdenciária, bancária e mesmo do sistema Justiça. Isso não está no horizonte. E os municípios não podem permanecer à espera de que as coisas caiam do céu. Hoje, o que costuma cair do céu é chuva ácida e tempestades que inundam e causam enorme estrago.

A formação dos grupos nas escolas haverá de contemplar a criação de ambientes de pesquisa. Em lugar do aluno ouvinte, a copiar lições e a memorizá-las, ele deverá ser provocado a pensar como será sua cidade daqui a 20 anos e como ele se imagina nela ou fora dela.

O que poderia servir para divulgar sua cidade no Estado, no País ou mesmo no Exterior? De que ele se orgulha em sua terra natal? Como é que isso pode ser disseminado e gerar lucro?

A pesquisa haverá de partir de uma análise geral do município. O que ele já possui? Está na área agrícola, pastoril, de mineração e extrativismo? Está na sustentabilidade? Ou no Artesanato? Há viés de interesse pela Astronomia? Automobilismo, motociclismo, modelismo, uso de drones? Cultura? Folclore? Energias alternativas, como a solar, eólica, fotovoltaica, biogás ou biomassa? Como é que sua cidade se destaca nos esportes? Quais as principais modalidades? Fotografia, Cinema, Documentário, aplicativos de informática, youtubers? E a gastronomia, como é que anda? E a História? e o turismo? Pode ser campestre, rural, orgânico, religioso, da imigração ou da colonização estrangeira? Tem algum assentamento? Ou formação quilombola?

O essencial é descobrir esse veio indutor de uma transformação da cidade num polo de interesse local e extralocal. Logística, robótica, nanotecnologia, medicina de ponta, acolhimento aos idosos, equipamentos que possam servir como exemplo.

Tudo vale a pena e se o jovem vier a ser despertado para essa missão, cada município brasileiro se tornará um centro de irradiação de infinitas possibilidades de real desenvolvimento. Afinal, o município brasileiro é entidade da Federação! Da mesma categoria da União e dos Estados-Membros e do Distrito Federal. Vamos fazer valer esse status, em benefício dos munícipes. Pois ninguém nasce na União ou no Estado, lembrava mestre Franco Montoro. Todos nascem e pertencem à cidade.

Fonte: Correio Popular| Data: 28/07/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Autor: Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.

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