Blog do Renato Nalini

Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Imortal da Academia Paulista de Letras e Membro da Academia Brasileira da Educação.


Deixe um comentário

Não é só brincadeira

O Google instalou no Rio, na zona portuária, o YouTube Space, o segundo maior do mundo. O primeiro é o de Los Angeles. Ali se profissionalizará os youtubers, os criadores brasileiros de vídeos. Não se cuida de filantropia, mas de interesse de mercado. Sem a profissionalização, não se avançará no negócio da plataforma de vídeos no Brasil.

Sabe-se que o YouTube é o maior site de compartilhamento de vídeos do mundo. Há mais de um bilhão de usuários ativos. A cada dia, mais de um bilhão de horas de vídeo são assistidas no site. Os brasileiros são o segundo usuário, logo após os Estados Unidos. E estamos correndo para chegar ao primeiro lugar. A Snack, que é uma das principais redes de youtubers no país, assinala que o número de canais nacionais passou de 290 mil, em agosto de 2016, para 460 mil em agosto de 2017. Ou seja: cresceu 58% em um ano.

Mas São Paulo antecedeu o Rio na criação desses espaços. Aqui, na região do Bom Retiro, foi inaugurado o primeiro YouTube Space no Brasil, em outubro de 2014. Frequentam o Space Paulista cerca de 3 mil usuários por trimestre.

Por isso é urgente fomentar a utilização cotidiana do potencial digital em sala de aula. São Paulo aguarda que a Assembleia Legislativa aprove o projeto de lei que permite o uso pedagógico do celular, do smartphone, do tablet e de outros “mobiles”. É isso o que o jovem quer, pois compatível com a sua circuitaria neuronal.

A Secretaria da Educação também promove concurso para os criadores de vídeos, os nossos “youtubers”, cada vez mais desenvoltos no manejo dessa importante ferramenta. E os certames realizados este ano para contemplar a obra de Lygia Fagundes Telles e de Paulo Bomfim, tiveram milhares de participações, a evidenciar que esse o rumo tendencial da educação contemporânea.

Além do aspecto lúdico, da diversão e do entretenimento, produzir filmes pode ser a profissão de muitos destes estudantes que não se conformam com o velho cardápio hoje oferecido: profissões tradicionais e destinadas a desaparecer em breve.

Fonte: Diário de São Paulo| Data: 31/08/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

influenciadores

Anúncios


Deixe um comentário

O virtual concretizado

A realidade virtual é tangível. Desde 2015, ampliou-se o espectro de possibilidades de sua exploração. Inúmeros jovens e criativos tecnólogos da imersividade criam softwares que estão disponíveis em algumas áreas. A utilização na medicina já produz resultados, assim como no turismo, nas viagens, na educação e no mercado imobiliário.

Cite-se como exemplo a empresa “Youvisit”. Ela propicia viagens virtuais pelos destinos que ainda residem na dúvida dos futuros visitantes. A experiência tem sido muito bem-sucedida. Quem ainda não se animara a ir, por exemplo, à Geórgia ou ao Vietnã, depois do “passeio virtual” coloca esses lugares no topo de suas preferências.

Estudantes indecisos sobre a Universidade a cursar, que não têm como conhecer os milhares de “campi” disponíveis, em poucas horas adquirem condições de decidir.

Que tal conhecer todas as dependências do hotel em que se hospedará na próxima viagem? E a perspectiva do apartamento que se comprará, não ficará adstrito à maquete ou àquele exemplar decorado que costuma aparecer na publicidade. Você terá a possibilidade de penetrar na unidade ainda não construída e percorrê-la conforme quiser.

Tudo isso mostra as potencialidades desse universo que caminha celeremente e que precisará de novos perfis profissionais. Uma empresa brasileira, a Beenóculo, fabrica os óculos sem os quais ainda não se experimenta o mundo virtual. É uma das cem “open-startup” que o mundo elegeu para evidenciar que ninguém fugirá a esse novo tempo. Tempo que exige de todos os pensadores algo de audacioso: adotar uma educação que prepare o jovem para os desafios ainda hoje insuspeitos.

Daí a urgência de todos: pais, professores, empresários, profissionais responsáveis e a integralidade das pessoas de bem e de boa-fé: o Brasil precisa superar esse fosso que o afasta das grandes potências. Só se faz isso pela educação. De nada adianta sermos um povo considerado alegre, um território abençoado por um clima que só nós mesmos estamos conseguindo estragar, uma biodiversidade que clama por socorro, a imensidão de água doce e de solo fértil, se não tivermos uma geração pronta a responder aos reptos do amanhã. O tempo urge! Vamos à obra!

Fonte: Jornal de Jundiaí|Data: 28/08/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

augmented-reality-1853592_960_720


Deixe um comentário

Vamos pensar no Brasil?

A gravíssima crise que acometeu o Brasil é mui­to mais séria do que se possa pensar. Mais grave do que a de 1929, ainda está longe de mostrar que já teve início o caminho de volta. Volta à estabilidade, à nor­malidade, ao verdadeiro desenvolvimento.

O que se sabe é que o custo Brasil não é compa­tível com o PIB. Os direitos são infinitos e todos ju­dicializáveis. As obrigações são escassas. Tudo é res­ponsabilidade do Governo. Como se este fosse uma entidade etérea, externa à vontade do cidadão-eleitor.

As discussões ora travadas com o intuito de re­encontrar a rota são a reiteração da mesmice medíocre. Reforma política tímida. Tudo com vistas à salvação dos despojos e frangalhos, pois foi isso o que parece ter sobrado da prática política daqueles que entrega­ram o País à bancarrota.

A profunda reforma estrutural não está no hori­zonte dos reformadores. Por que não se fala seriamen­te em reduzir de forma drástica o número de partidos? Por que não se tenta eliminar qualquer fundo partidá­rio? Os partidos devem fazer por merecer. Conquis­tar simpatizantes que se tornem adeptos e se filiem. Afinal, se alguém acredita de fato no partido, então, contribua para o seu sustento.

Acabar com a atual forma de eleições. Por que proceder àquela cansativa e dispendiosa logística de requisitar prédios particulares e públicos, notadamen­te os estabelecimentos de ensino, em vez de se servir da via digital? Se podemos pela web fazer transferên­cias em dinheiro, pagar contas, fazer depósitos, de­cidir judicialmente, impetrar habeas corpus ou man­dados de segurança, por que não usar a internet para colher a opinião do eleitorado?

A economia que se faria valeria a pena. Afinal, a Finlândia elaborou nova Constituição mediante uso da internet. Por que não podemos acreditar nela para aferir a vontade do eleitor?

Outro tema a merecer atenção é a questão da pro­liferação de municípios que não têm arrecadação sufi­ciente para satisfazer sua folha de pagamento. A regra deveria ser muito clara: se o montante de tributos de competência municipal é menor do que o dispêndio com a manutenção da máquina, então esse município deveria se ajustar à sua realidade. Transformar as Câ­maras Municipais em atuação do voluntariado, sem pagamento de salário. Como já foi antigamente. A ve­reança é um múnus, uma função honorável, de quem se preocupa com a sua comunidade. Não pode ser profis­são, se o empregador – no caso o Município – não tem arrecadação capaz de sustentar uma Edilidade.

Mesmo com problemas, a cidade é a salvação da República, porque nela a vocação local pode ser estimulada e produzir efeito na economia. Mediante estímulo ao empreendedorismo, à criatividade, à for­mação de um corpo coeso e determinado a se safar das dificuldades econômico-financeiras, com exploração de veredas que já existem e precisam ser revisitadas.

Cada município tem algo próprio, peculiar e específico a ser explorado. É a gastronomia, o arte­sanato, a floricultura, as atrações naturais, culturais, artísticas ou religiosas. Fazer com que nichos muito característicos sejam estimulados e propagandeados torna a cidade um foco atrativo. Chama visitantes, turistas, passa a ser referência. E isso pode sinalizar um resgate da autoestima comprometida, fortalecer o sentido de pertencimento, revigorar um saudável bair­rismo e gerar uma energia renovadora do entusiasmo cidadão.

O Brasil tem problemas, sim. Mas tem condi­ções de adotar soluções criativas, engenhosas, auda­zes e pioneiras. Quantas pessoas já encontraram op­ções que permitem subsistir nesse intenso nevoeiro e manter o equilíbrio, nada obstante a turbulência?

É claro que empurrar os de cima a adotar as me­didas saneadoras, que podem ser amargas, mas que são inevitáveis, também ajuda. Mas resistir, não perder a capacidade de se indignar e fazer o impossível para manter seu microcosmo liberado da contaminação fe­deral, é algo que pode ser feito. Ao amargo pessimis­mo, ofereçamos o bálsamo confortante da esperança.

Fonte: Correio Popular| Data: 25/08/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

hope


1 comentário

As pequenas guerras digitais

A cena de várias pessoas ocupando o mesmo espaço físico e muito separadas no ambiente mental é hoje corriqueira. Há casais jantando juntos que não trocam uma palavra oral. Ambos mergulhados na web. São WhatsApp, mensagens, twitter, Instagram, facebook e outros espécimes da Rede.

A comunicação mudou. Para várias direções. Evidente que é um benefício poder conversar com alguém querido que se encontra em qualquer parte do globo. Fala-se e enxerga-se. Pais têm condições de verificar se suas crias estão bem.

Também se pode saber o que acontece no mundo inteiro, simultaneamente ao que ocorre. As informações que demoravam meses para chegar, agora estão imediatamente disponíveis.

Há um sem número de aplicativos benéficos. Pode-se aprender pelo celular, acompanhar a evolução da pressão arterial, consultar bibliotecas, universidades, museus e nunca foi tão facilitado o acesso à cultura e às artes

Ainda recentemente fiquei sabendo de um instrumento chamado “minhacidadedigital.com.br”, que permite noticiar à administração pública municipal tudo o que está necessitando de providências por parte da Prefeitura. É algo vantajoso para a gestão eficiente da cidade. Há diálogo entre a cidadania e os dirigentes, a permanente avaliação da gestão, permite elaboração de uma estatística bem confiável, pois trabalha com o georeferenciamento, satisfaz a necessidade do mapeamento das carências ou deficiências do município, atende à política da transparência ao prodigalizar o acesso à informação.

Por outro lado, as redes sociais participam de todas as manifestações que, no mundo inteiro, evidenciam o clima de ressentimento, de ira a desaguar na violência e nos antagonismos intensificados pelo uso da web. Todas as “small wars”, traduzidas por “guerrilhas”, do diminutivo espanhol, foram potencializadas pela convocação dos partícipes mediante seus “mobiles”.

Além disso, dissemina-se a inverdade, o boato, a falsidade e, muito pior do que a mentira deslavada, a meia-verdade. Em época de “pós-verdade”, em que mais vale a versão – quase sempre cruel e falaciosa – do que a realidade, as redes representam um perigo muito consistente e do qual nada indica possamos nos livrar em breve tempo.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 24/08/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

digital-world-map-1170292


1 comentário

O marco inibitório do Terceiro Setor

A Constituinte de 1988 reconheceu a necessidade de prestigiar o chamado “Terceiro Setor”. Além do Estado e da empresa, existem múltiplas formas de as pessoas se congregarem com vistas à conjugação de esforço comum e obtenção de resultados almejados.

Além de cinco incisos do artigo 5º da Carta Cidadã com estímulo ao associativismo, extrai-se do espírito da Constituição a certeza de que o indivíduo sozinho é impotente perante a macrocefalia estatal. O fenômeno da multiplicação de entidades como associações, fundações, organizações sociais e análogas decorreu desse empurrão. Somadas todas as iniciativas, são milhões os organismos criados a partir de 1988, com pluralismo de propósitos.

Mas a mentalidade jurídico-burocrática não pode conviver com a espontaneidade. Procurou regrar o funcionamento desses grupos, editando o chamado Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil. Como é comum ocorrer no Brasil, a mais saudável das intenções resulta no mais evidente dos desastres. O cipoal burocratizante sufoca a iniciativa privada, complica a vida de quem quer assumir uma parcela das responsabilidades que, hoje confiadas ao Estado, não conseguem atender às legítimas expectativas da população.

O Marco Regulatório, contido na Lei 13.019/2014, com a redação conferida pela Lei 13.204/2015, poderia ser chamado de “Marco Inibitório” do Terceiro Setor. Novamente sou levado a constatar que o êxito da criminalidade organizada que, aos poucos, vai se infiltrando em setores essenciais da República, decorre principalmente porque trabalha com desenvoltura, sem a excessiva regulamentação que incide sobre a atividade honesta.

Quando é que o Brasil vai levar a sério a presunção de boa-fé, vai permitir que a sociedade assuma responsabilidades e obrigações que aliviariam a pesada e arcaica máquina governamental, liberando-a para a fiscalização, o controle, a orientação e o planejamento das políticas públicas de cuja urgência o futuro se ressente?

Fonte: Diário de São Paulo| Data: 24/08/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

img-marco-regulatorio_0


1 comentário

Empreender e ousar

Passei quarenta e três anos no sistema Justiça. Quase quatro no Ministério Público, quase quarenta no Judiciário. Sempre pensei que o direito fosse ferramenta para solução de problemas. Assim encarei a missão institucional do MP, assim procedi como julgador. Ao adentrar ao chão minado e perigoso do Executivo, percebi que o direito é um complicador. Tudo esbarra na inviabilidade, na dificuldade, nos óbices, na presunção de má-fé.

Por isso é que é tão difícil sobreviver honestamente no Brasil. Enquanto em outros Países existe um estímulo ao empreendedor, aqui ele enfrenta um Himalaia de problemas. Basta mencionar que nos Estados Unidos, fala-se em “start your business in one day”: comece seu negócio em um dia. Sem entraves, sem burocracia, sem aquela desconfiança rançosa de quem só sabe falar “não” e responde com o irritante: “Ninguém foi preso por falar não! ”.

As agências de apoio ao empreendedor têm incentivo material e o respeito do Governo e da sociedade. O pesquisador é respeitado. O professor é amado e reconhecido por despertar em seu aluno a vontade de ser protagonista, de ganhar autonomia, de não depender exclusivamente de empurrão alheio para vislumbrar o que o fará feliz e capaz de garantir sua subsistência.

O verbete “empreendedor” existe na França há mais de oitocentos anos: o “entrepreuner”. Não é uma ideia sofisticada, reservada para poucos. É a criatividade posta em ação. A engenhosidade e a vontade de resolver um problema concreto. Quanta coisa existe que poderia ser resolvida da melhor forma. É preciso estar atento para verificar o que se passa no mundo e tentar oferecer algo que ainda não existe ou que, se já existe, pode ser aperfeiçoado.

Mas é verdade que o combate às mentes labirínticas que sufocam as boas iniciativas sob argumentos jurídicos é urgente. Por que não recobrar a certeza de que o direito existe para ajudar e não para atrapalhar? Essa é tarefa para os milhões de advogados e bacharéis produzidos pela imensa quantidade de Faculdades de Direito que, em boa parte, ainda continuam a formar litigantes e não pacificadores. Estes é que são chamados a ajudar o Brasil a crescer. Felizmente, ainda existem e são aquilo que o Evangelho chama de “fermento na massa”.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 20/08/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

36203667551_9213474caf_z

Foto: Daniel Guimarães/A2IMG


Deixe um comentário

Tudo é educação

Tudo é educação, ou “educação é tudo”, como queiram. Não há problema brasileiro que não se re­solva mediante educação. Educação por inteiro, con­venhamos. Não se tente reduzir a reflexão a aspectos importantes, mas que não chegam a abranger a totali­dade do tema. Falo em educação que começa em casa, até antes do ser educando nascer. Por que se põe um filho no mundo? Ele está em nossos planos? Que vida queremos para ele? Se depender de nós, como ele en­contrará este planeta?

A demanda por direitos põe em quarto plano assumir obrigações. Exigir aquilo que não é obriga­ção exclusiva do Estado, mas que também depende do indivíduo demandante é uma face do problema. O desafio é multifacetado. Há muitas dimensões que re­clamam detida atenção.

Como seria melhor a vida se a educação infor­mal habitasse os lares, a vizinhança, o bairro, a comu­nidade, a região, a cidade inteira! Se cada um pensas­se que o resíduo sólido – nome eufemístico para lixo – abandonado numa área pública será recolhida com dinheiro de todos, talvez até por economia as pessoas fossem mais conscientes.

Quanto é que se gasta no Brasil com cole­ta de lixo, com os famigerados “lixões”, com as consequências da falta de educação cívica e de higiene?

Não seria muito melhor para todos se os rios fossem límpidos? Que pudéssemos utilizá-los como via gratuita de transporte, recurso barato para completar nossa necessidade nutricional, paisagem e deleite porque ver água límpida em movimento é exercício mental revigorante?

Soubéssemos nos servir com sabedoria daquilo que a natureza nos oferece e não have­ria fome. Inacreditável que se desperdice tanto alimento num país em que metade passa por ne­cessidade e metade tem problemas de saúde em virtude da obesidade.

Por falar em fome, o prêmio “Josué de Cas­tro” 2017 está em pleno curso. Josué de Castro, aquele que falou: “Denunciei a fome como flagelo fabricado pelos homens contra outros homens”. É isso mesmo. A melhor pesquisa científica, o melhor programa ou pro­jeto de política pública, ambos estão sendo chamados a concorrer, com inscrições de 17 de julho a 15 de agos­to, pelo e-mail consea@consea.sp.gov. O regulamento está disponível no site http://www.consea.sp.gov.br/josue-de­-castro. Informações pelo telefone 11-5067-0394.

A fome, a saúde, a violência, o emprego, a segurança pública, o saneamento básico, a longevidade, o desespero, o estresse, a angústia, a falta de perspecti­va, tudo isso pode ser resolvido mediante um eficien­te programa educativo. Educação formal e informal. Direito de todos, mas dever do Estado, da família e da sociedade. Todos chamados a participar dessa missão que é infinita em suas potencialidades e que em pouco tempo mudará o Brasil. Para melhor, é óbvio.

Fonte: Correio Popular| Data: 18/08/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

junk-6-1423330