Blog do Renato Nalini

Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.


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SP conectada

A educação pública paulista está em busca de completa imersão na realidade digital. Tem exata compreensão de que o mergulho virtual é irreversível e que a circuitaria neuronal da criança de hoje é inteiramente digital. O analógico está se despedindo da História.

Foi por isso que há muito se empenhou na alteração da lei que veda o uso de celular em sala de aula, com a iniciativa de projeto que está sob apreciação na Assembleia Legislativa. E procura motivar o alunado a se interessar cada vez mais pelo uso pedagógico dos “mobiles” que hoje todos têm.

A Secretaria da Educação lançou o Prêmio “Educação nas Redes: Novos Influenciadores Digitais”. É uma parceria com o Google, que procura produtores de conteúdo para fanpage, YouTube, Twitter ou Instagram. Os melhores serão premiados com workshop completo e gratuito sobre produção de vídeo para internet, na sede do Google.

Desde 2013, a Secretaria da Educação e o Google Brasil atuam em conjunto para permitir o acesso gratuito de quase quatro milhões de alunos e mais de duzentos mil professores ao Google Apps for Education.

O acordo de cooperação fornece uma conta de e-mail de 25 GB, com acesso ao Google Drive, Hangouts e outros serviços e inclui treinamento de todos os profissionais da área, na Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Professores, a EFAP.

Dentre as escolas estaduais que utilizam com frequência o Google for Education, está a EE Prefeito Nestor de Camargo, de Barueri. Ali, os professores produzem aulas e fazem as provas com os aplicativos Google. O primeiro acesso se faz por meio da Secretaria Escolar Digital – SED, da Secretaria da Educação. Um ex-aluno desse estabelecimento de ensino, o Yago, foi selecionado por uma das empresas prestadoras de serviço da Google e ali trabalha.

Há catorze opções de curso online de acesso gratuito para alunos e professores da Rede, por meio da plataforma Alison, que é a responsável pela formação dos docentes das Universidades de Harvard, Stanford, Cambridge e MIT.

A Rede também propicia aos milhões de estudantes e a todos os profissionais da educação estadual de São Paulo, o uso do e-mail Office 365, da Microsoft. Todos podem baixar o pacote Office gratuitamente em seus computadores e mobiles.

Isso permite o uso de programas como o Word, Windows, OneNote, Access e Power Point, além de outras ferramentas e aplicativos exclusivos, como caixa de mensagem com capacidade para ate 50 GB e o sistema “cloud” (nuvem) para o armazenamento de arquivos. Aos professores da Rede Estadual é facultado o uso do Office Mix, para deixar suas aulas mais interativas e, portanto, sedutoras e atraentes.

Além de todos os benefícios nessa parceria com a Microsoft, esta adotou afetivamente a Escola Estadual Reverendo Tércio Moraes Pereira, onde serão desenvolvidos projetos de tecnologia que tornarão o ensino/aprendizado mais afinado com as expectativas de uma geração que parece já ter nascido plugada ou com chip.

Iniciativa interessante é a visita que dezessete Escolas Estaduais do 6º ao 9º ano fizeram à Microsoft, participando de um dia inteiro para formação em ferramentas digitais. Com o compromisso de intensificar o uso das tecnologias da comunicação e informação para melhoria das rotinas escolares, as escolas voltarão à Microsoft com as boas práticas implementadas. As que forem reconhecidas como as mais inovadoras serão premiadas com óculos de realidade exponencialmente dimensionada e caixas de som e todos os participantes ganharão fones de ouvido.

Além de Curso de Excel para todos os estudantes e professores, com vinte e um vídeos e quatro módulos, a Microsoft patrocinou o projeto de professores da Escola Estadual Reverendo Augusto Paes D’Ávila, de Praia Grande, para ensinar matemática a partir de jogos criados com o Microsoft Innovative Educator – MIE. O resultado foi apresentado no evento anual da Microsoft a Global Educator Exchange, na Hungria. E a Escola Estadual Lesbino de Souza Alckmin, de Populina, foi a premiada por haver feito o maior número de downloads do pacote Office 365 no Estado de São Paulo.

Com a intensificação da implantação de banda larga em todas as escolas estaduais, prevê-se incremento notável da digitalização e virtualização da gigantesca e complexa Rede Pública da Educação Estadual paulista, para benefício das novas gerações e rumo ao Brasil integralmente conectado.

Fonte: Correio Popular| Data: 29/09/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: Du Amorim/A2IMG

Parceria Google e Educação

   Sala de aula da Escola Estadual Prefeito Nestor de Camargo

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O mundo dos nativos digitais

A geração “millennial” é nativa digital. Não tem dificuldade alguma no enfrentamento da realidade virtual. Parece ter nascido com chip, plugada nas redes, que são o seu território de origem. Extraem proveito enorme da inteligência artificial, capaz de solucionar 98% das dúvidas frequentes que brotam na mente humana, mas que podem ser melhor respondidas pelo cérebro da máquina.

Isso deixa muita gente aturdida. Por estarmos no turbilhão, nem sempre temos condições de avaliar a velocidade da mudança. Esta é permanente, crescente e profunda. Todos os paradigmas se quebraram. Nada mais resiste ao furor da Quarta Revolução Industrial.

Toda atividade automática é mais eficiente se vier a ser confiada à máquina. Mais rápida, menos dispendiosa. Como preservar, em tal cenário, a evolução do contato humano? Precisamos de pensadores sensíveis. Que enxerguem o ecossistema de inovação com olhar carinhoso para os seres desta sofrida e insensata espécie. Os desafios estão lançados. Os padrões comportamentais são outros e surpreendentes.

A educação já não atende aos seus superiores objetivos se cuidar de transmissão de conhecimento disponível, acessível e partilhável entre todos os que tiverem curiosidade e acesso à conectividade. Educar, hoje, compreende despertar as potencialidades, para que as pessoas consigam filtrar o que é importante saber para o embate com as grandes questões contemporâneas.

Dentre elas, avultam a consistente ameaça climática, resultante da insensatez humana, ao abusar dos recursos naturais, todos finitos e cada dia mais frágeis. Em segundo lugar, a descrença na democracia representativa, que origina desalento, inércia, ressentimento e, no pior dos cenários, ira e violência.

A terceira é a própria Quarta Revolução Industrial, a criar fraturas, a descartar profissões e atividades, a arremessar à arqueologia processos, procedimentos, atitudes e comportamentos considerados permanentes por nossa mísera compreensão do que sejam ciência e tecnologia.

Nada é impossível para os nativos digitais, se a eles dermos crédito, confiança e certeza de que o mundo é deles, mas deles também a responsabilidade de salvar alguns valores hoje em lamentável declínio.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 28/09/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: Milton Michida/A2IMG

ETEC Informática

Alunos da E.E. Costa Manso participam de curso de informática


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Pai & mestre

O constituinte de 1988 foi sábio ao erigir a educação em direito de todos, mas em dever do Estado e da Família, em colaboração com a Sociedade. O primeiro dever de educar é dos pais. Atrair a família para a sala de aula é receita para melhorar o desempenho dos alunos.

Escolas que dão certo convidam os pais a atuar dentro da sala de aula desde o primeiro dia do ano letivo. A participação é gratificante e os pais aprendem a ajudar a alfabetização dos filhos. Até brincando se aprende e se ensina. Depois, mostra à criança que a escola é um lugar de acolhimento. Não é um depósito onde os pais deixam os filhos para poder trabalhar.

Essa receita vale para todos os lares. Não se distingue o estamento social a que a família pertença. O envolvimento dos pais na escola dos filhos é fator de evidente melhoria no aproveitamento do aluno.

Intuitivo que os pais que leem para os filhos, verificam se fazem seus deveres de casa e comparecem às reuniões na escola, obtêm resultados melhores nas avaliações a que seus filhos são submetidos. Na verdade, a avaliação apenas reflete uma situação contextual. Não pode ser bom aluno aquele que em casa é negligenciado, tratado com menosprezo ou com déficit de carinho.

É imatura uma sociedade em que os pais abdicam do dever de educar e transferem para o governo essa missão indeclinável. A criança deve chegar à escola com o currículo “oculto” ou “implícito” bem consolidado. É a mãe a primeira mestra, aquela que inculca os bons modos, a educação de berço, a polidez, aquela que treina a espontaneidade no uso das palavras mágicas do “muito obrigado”, “por favor”, “com licença” e outras tantas.

O treino social da prole começa muito cedo. Os anos iniciais são fundamentais. Os traumas vão surgir na maturidade e muito adulto infeliz, inseguro, agressivo ou introvertido é o resultado de pais que se descuidaram daquilo que é tão natural e urgente: preparar aquele que não pediu para nascer, para ser uma pessoa o quão feliz possa vir a ser.

Fonte: Diário de S. Paulo| Data: 28/09/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: Daniel Guimarães/A2IMG

Dia de Quem Cuida de Mim

Pais e aluno da E.E. Professor Alvino Bittencourt durante evento do projeto Dia de Quem Cuida de Mim


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Meus mortos vivem em mim

Tenho sentido cada vez mais falta de meus mortos. E minha coleção aumenta sem cessar. Por experimentar a morte dos avós, na verdade pouco sentidas a não ser a partida de minha avó materna, que me mimava demais, não era estranho o contato com o desaparecimento de seres próximos. Também nunca hesitei em estar presente nos velórios, nos sepultamentos e de acompanhar meus pais – principalmente minha mãe – às contínuas visitas ao cemitério.

A morte do irmão já é um baque mais forte. Mais novo, mais generoso, até mais querido por meu pai. Mas havia o colo da mãe. Depois vem a morte do pai, que fora redescoberto em sua ternura, pois teve de canalizar o carinho nos outros filhos quando perdeu o favorito. Houve ainda uma vez o colo da mãe.

Quando ela se foi, não houve mais colo. E, na sequência, tanta gente querida, tanta gente próxima. Parece que já não há com quem conversar. Resta o diálogo impossível, qual monólogo patético, em que se imagina falar – pois em silêncio – e se imagina a resposta que o ausente daria. Subsistem as dúvidas. Por que não dão sinais? A intimidade desapareceu de vez? Onde foram parar a individualidade, o sofrimento, os sonhos e angústias. E onde foi parar o amor que nos nutríamos? Foi-se de vez?

Leio Paul Ricoeur, em “Vivo até a morte” e ele não auxilia o enfrentamento com o ignorado: “Há primeiro o encontro da morte de outro ser querido, de outros desconhecidos. Alguém desapareceu”.

Uma questão surge e ressurge obstinadamente: ele ainda existe? Onde? Em que outro lugar? Sob que forma invisível aos nossos olhos? Visível de outro modo? Essa questão liga à morte ao morto, aos mortos. É uma questão de vi-vos, talvez de sadios, direi mais adiante.

A questão “Que tipo de seres são os mortos? ” é tão insistente que mesmo em nossas sociedades secularizadas não sabemos o que fazer dos mortos, isto é, dos cadáveres… Não nos desfazemos dos mortos, nunca nos livramos deles.

Nem quero me livrar de meus queridos. Acompanham-me. Fazem parte de mim. É por isso que a partida deles me deixa mutilado. Só morrerão de verdade quando me esquecer deles. Enquanto tiver consciência, isso nunca acontecerá.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 24/09/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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Investimento em educação

No ano de 2015, as receitas efetivas com despesas educacionais em São Paulo importaram em R$ 30.873.164.048,99, para um número de 3.953.859 alunos matriculados na educação básica, de acordo com o censo escolar. A receita per capita efetiva de São Paulo importou em R$ 7.808,36, a segunda maior do Brasil, somente superada pelo Rio de Janeiro. Ali o investimento é consideravelmente menor – R% 8.544.129.399,14 e também inferior o número de alunos: 772.773, o que garantiu um per capita de R$ 11.056,45.

Verificou-se, nos últimos meses – de novembro de 2014 a maio de 2017 – violenta queda de arrecadação. O ICMS caiu 37,08% no período, de acordo com o Confaz – Secretaria do Tesouro Nacional e Secretaria da Receita Federal do Brasil.

Uma pesquisa levada a efeito pelos professores Ursula Dias Peres e Rogério M.Limonti Tibúrcio fez o mapeamento das receitas das Unidades Federativas e o cálculo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino- MDE. Embora a Constituição da República determine aplicação de 25% das receitas resultantes dos impostos e transferências dos Estados e Distrito Federal em educação, São Paulo está entre as unidades da Federação cuja Constituição impõe investimento de 30%.

Além dos recursos com a Manutenção e Desenvolvimento do Ensino, para se entender o total de recursos disponíveis para a Educação Básica é preciso incluir aquilo que provém do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – Fundeb,a complementação da União ao Fundeb, a cota-parte do salário educação e as demais transferências do FNDE. O resultado líquido com o Fundeb reflete a diferença entre o que o Estado destinou a este Fundo e o que realmente dele recebe. Em resumo, consiste na destinação de 20% dos impostos e transferências correntes vinculados à MDE para o Fundeb e o retorno de recursos conforme o número de matrículas nos Ensinos Fundamental e Médio.

Nessa redistribuição de meios financeiros, todos os Estados apresentaram resultado negativo. Em consequência, o volume de recursos disponíveis aos Municípios recebeu acréscimo, ou seja, todos os Estados têm transferido recursos às cidades por meio do Fundeb.

Tal constatação resulta de três efeitos: a) os Estados têm arrecadação maior do que o conjunto dos Municípios; b) os impostos de competência municipal, como o IPTU e o ISS, que são representativos nas capitais, não são contabilizados para efeito do Fundeb e c) os Estados têm número de matrículas inferior ao dos Municípios.

Em São Paulo, a principal fonte de receita é o ICMS. Em 2015, a arrecadação nominal chegou a R$ 44.662.950.000,00, o que representa 80,6% do montante tributário. São Paulo não recebe da União os valores correspondentes ao que envia ao Fundeb. Enquanto em 2015 a dedução de recursos chegou a 20.737.57 milhões, a transferência do Fundeb foi de 15.802.44 milhões de reais, o que equivale a um prejuízo de 4.935.13 milhões.

Enquanto isso, Estados como o Pará, a Bahia, Maranhão,Ceará e Amazonas, tiveram complementação da União correspondente a 816,25, 794,77, 663,52, 389,50 e 326,66 milhões de reais, respectivamente.

No momento de revisão de todas as estratégias, políticas públicas, estruturas e concepções do Brasil real, em cotejo com o Brasil ideal, é importante que as lideranças lúcidas redesenhem a Federação. Novo pacto federativo se mostra urgente, pois São Paulo não pode continuar a ser desconsiderado em suas necessidades, quando é a unidade federativa que mais contribui para o sustento da máquina pública. Nem sempre módica nos seus gastos, nem sempre contida na criação de instâncias que deveriam ser de controle, mas que se tornam em sorvedouros do suado dinheiro do povo.

Educação merece respeito e os números de São Paulo não permitem que ele seja maltratado na repartição das receitas. Mesmo porque, aqui se educam brasileiros e seres humanos de todas as plagas, pois o coração paulista continua aberto a quem queira vir e trabalhar pelo crescimento da Pátria, com ênfase para o desenvolvimento moral. Pois não há progresso se não for eticamente construído sobre uma base de valores tão esmaecida nos últimos tristes tempos.

Fonte: Correio Popular| Data: 22/09/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: Milton Michida/A2IMG

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Sala de leitura de unidade da rede estadual de São Paulo 


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Quer passar dos cem?

A longevidade é um fato. Fica velho quem quer. Ou, melhor ainda, há pessoas que nascem velhas. Desiludidas, desencantadas da vida, infelizes. Só esperam a hora da partida…. Não é o que acontece com quem vibra com a vida, considera essa dádiva um milagre e fica satisfeito por nutri-la com ânimo e vontade.

O sonho de muita gente é deixar a cidade grande e terminar seus dias na tranquilidade do interior. Mas isso pode não corresponder à realidade.

O arquiteto alemão Matthias Hollwich, que escreveu “New Aging” (Novo Envelhecimento), defende o “Love Living”, ou o Amar Viver. Para isso, há três passos: seja social, seja saudável e faça atividades com significado.

Para atingir a plenitude da existência, todos precisamos de amigos, família e pessoas ao nosso redor. Somente juntos criamos significado para nossa vida. Para ser saudável, é preciso cuidar de si. Do corpo e da mente. Fazer exercício. Manter-se em forma. Não é apenas frequentar a academia. É exercitar-se continuamente. Por exemplo: subir escadas. Fazer alongamento quando possível. Beber muita água. Apresentar-se condignamente, pois não se usa roupa apenas para cobrir as intimidades. O vestuário nos apresenta aos outros. Muito do que se pensa a nosso respeito deriva de nossa aparência e de nossas roupas.

Entreter-se é outra coisa essencial. Cada um gosta de uma coisa.

Mas não há pessoa que não goste de nada. Essa está fora do mundo. Ou excluiu-se do convívio, o que não é saudável.

Há tanto a ser feito. Por que não nos dedicamos a ajudar alguém? A ajudar uma criança a ler melhor? A dar aulas de reforço? A coletar sementes e fazer mudas para substituir a vegetação que é destruída de forma cruel a cada momento?

Ler, fotografar, visitar alguém que não tem companhia. Há milhares de locais que podem ser visitados gratuitamente. Escrever. Pode ser carta, pode ser poesia, ensaio, conto, romance. Ou pode ser a conversação eletrônica, hoje viabilizada pelos inúmeros instrumentos das tecnologias da informação e da comunicação ao nosso alcance. E-mails, WhatsApp, twitter, seja o que for. Comunique-se.

Partilhe suas alegrias e tristeza. De repente, distraidamente, você chegará aos cem anos.

Fonte: Jornal de Jundiaí| Data: 21/09/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

Foto: José Luis da Conceição/A2IMG

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Estudantes da Escola Estadual Professora Terezinha Sartori  leem cartas produzidas em sala aos idosos da Casa de Repousos Tempo Dourados, em Mauá


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Profissões descartáveis?

A inteligência artificial vai mudar ainda mais o mundo. Já está mudando, o que nem todos percebem. Um jovem francês resolveu criar a empresa “Wonderlegal”. Resolve problemas jurídicos para evitar a judicialização. Já está em nove países, cresce 400% ao ano e seu melhor advogado é um computador!

Catalogar todas as opções mais rotineiras de questionamentos e tentar respondê-los, faz com que o cérebro da máquina seja mais rápido e eficiente do que o humano. Aquilo que já está acontecendo com a burocracia, vai chegar a outros campos. Os setores de extrema regulamentação ganham bastante com o uso do BI, o Business Intelligence. São as “machine learning”, as máquinas capazes de aprender, que estão hoje atendendo às reclamações no setor de telecomunicações. Logo em seguida estão os Bancos e em terceiro as seguradoras.

O atendimento é tão perfeito que as pessoas humanas atendidas chegam a conversar com a máquina e a desejar a ela bom dia, agradecer pela gentileza e formular votos que não formularia se soubesse que o sistema é artificial.

A elaboração de contratos também é um nicho que está atendendo a muitos interesses. O sistema de inteligência artificial no J.P.Morgan chega a interpretar doze mil contratos de empréstimos comerciais por ano, reduzindo as 360 mil horas despendidas por advogados e analistas de crédito. Há menos erro no processo administrativo, pois o erro, em regra, é humano.

Documentos completos são checados em alguns segundos. Também se paga seguro mais rapidamente com a inteligência artificial. O sistema dispensa a intervenção humana e o prazo para o pagamento do seguro passa de quinze para três dias. Há um campo imenso aberto para a inteligência artificial. Os humanos que se cuidem e tratem de ser criativos, engenhosos e aptos para que muitas profissões não sejam descartadas, sem que a “era do ócio” tenha chegado para que só desfrutemos do lazer, do prazer e do deleite.

Fonte: Diário de São Paulo| Data: 21/09/2017

JOSÉ RENATO NALINI é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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